Cachoeira do Pico do Urubu por Baixo pela 1ª Vez

Este era um objeto de desejo já fazia um bom tempo, cogitado em algumas ocasiões andando de bike  nunca chegou ser levado a cabo, já que demandaria um tempo muito grande para percorrer quilômetros de rio até chegar em baixo da grande queda d´água, seria uma espécie de um outro rolê dentro do pedal, e além de ser extremamente cansativo.

Foi então que alguns pirambeiros de plantão resolveram chegar até lá e curtir um banho em baixo da desejada cachoeira do Pico do Urubu, já fartamente registrada por cima.  Porém, tomar um banho em baixo dela era um desafio pendente, que enfim, felizmente encerrou-se. A sacada para chegar até lá foi fazer um trekking, ou seja, esqueçam as bike, e bota  muita disposição para andar a pé por mais de 04 quilômetros no meio às pedras que existem pelo curso do ribeirão para finalmente chegar ao ponto tão almejado, e ao que tudo indica, a recompensa foi proporcional ao esforço despendido.  Este foi mais um lugar que o PIRAMBA MTB  teve a satisfação de chegar e registrar.

Cachoeira do Quebra-Tudo em Álvaro de Carvalho

Vídeo da mais alta cachoeira das redondezas, encravada em dos muitos vales da bela região entre os municípios de Garça e Álvaro de Carvalho, sua altura exata ninguém sabe, mas que deve superar os 60 ou 70 metros  de altitude e cujas águas caem ao sabor do vento em meio as mais variadas pedras de todos os formatos e tamanho.  Um lugar belíssimo, porém de difícil acesso.

 

Animal avisitado em Garça!!! Será uma Irara?

Estava lá em um dia alegre a explorar as pirambeiras da zona rural de Garça, mais precisamente a trilha iniciou na Fazenda Estrela, à margem esquerda da estrada de asfalto para Alvinlândia, quando já ao final, de repente, não é que aparece do nada um animal muito rápido, e logo saco a máquina, mas como registrar a imagem? Fotografar ou filmar? Optei pela segunda opção, pois corria o risco de tirar uma foto, ficar ruim, e depois o bicho escafeder-se e ficar sem nada.

O animal lembra um pouco o furão, comprido, ágil, cortava o mato com facilidade, tudo leva a crer que trate-se de uma espécie de mustelídios comum em nossa mata atlântica. Já havia avistados este animal outras vezes, mas nunca registrado, ótimo para comprovar que nossa fauna mora ali do lado, e tem animais que muitos duvidam que existem por perto. É, mas logo ali, habitam, macacos, jaguatiricas, tucanos, veados, esquilos, cascavel, aranha caranguejeira, tamanduás, lagartos, capivaras, estes são uns dos sortidos e coloridos animais já vistos e registrados pedal a fora pelo Piramba MTB, mas a lenda, a onça parda que habita nossa região e o imaginário popular, esta mesmo nunca tive o privilegio de ver, apesar do relatos de avistamento na região.

Para conhecer um pouco mais sobre esse quase vizinho que ronda nossas redondezas, segue informações sobre a espécie Irara, extraídas do Wikipedia*:

“A irara (Eira barbara) é um animal onívoro da família dos mustelídeos. É a única espécie do gênero Eira. Tem um aspecto semelhante ao das martas e fuinhas, podendo atingir um comprimento de 60 centímetros (não incluindo a cauda). As iraras habitam as florestas tropicais da América Central e América do Sul.

A irara é também conhecida no Brasil pelos nomes de papa-mel, porque esse é um de seus alimentos preferidos, e jaguapé. Nos países de língua espanhola, que constituem uma grande parte de seus domínios, a irara é chamada cabeza de cejo, que significa “cabeça de velho”. Sem dúvida, é porque o animal tem uma cabeça cinzenta sobre o corpo negro e também porque suas orelhas curtas e arredondadas lhe dão um ar “humano”.

Descrição
Espalhada desde o sul do México até a Argentina, a irara é uma parente da marta. Seu corpo é esguio, o pescoço alongado e as pernas compridas. Habita as florestas e também os campos. É um escalador muito ágil: suas habilidades manuais ficam evidenciadas na captura de um de seus principais alimentos, o mamão. Sem dificuldade alguma, ela chega à região dos frutos, prende-se ao alto da árvore com as patas traseiras e a cauda e, com as patas dianteiras, vai girando a fruta até que a mesma se solte do caule. As palmas de suas patas são lisas, as garras são parcialmente retráteis e as articulações de suas pernas lhe permitem virar as patas para descer das árvores com a cabeça voltada para baixo.

As iraras são ativas dia e noite, mas descansam nas horas quentes do dia. São solitárias, mas podem ser vistas aos pares. Costumam deixar marcas de cheiro nos galhos por onde passam. Adoram frutos e mel, mas são principalmente carnívoras: caçam ratos, aves, esquilos e até cutias. Os filhotes nascem cegos e inteiramente cobertos de penugem negra. São facilmente confundidos com filhotes de lontras, porém não apresentam hábitos aquáticos como estes, embora saibam nadar”.

* Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Irara

Cachoeira do Cantu e Mata da Igurê

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Clima frio não é propício para um pedal com cachoeira, certo? Para nós do Piramba MTB está errado, cachoeira é sempre a cereja do bolo, independentemente da temperatura . Pedal com duas cachoeira não tem como não ser bom, e ainda com amigos reunidos, conversas divertidas e belas paisagens ao redor. Apesar da baixa quilometragem, o mergulho pirambeira adentro é grande, o que proporciona os melhores momentos.

Começamos pela já famosa, e sempre fascinante trilha da mata da Fazenda Igurê, o que é um privilégio para os ciclistas de Garça e região, pois é impossível não curtir um pedal em meio à pura mata atlântica e os sons dos passarinho que ali habitam e fazem uma trilha sonora perfeita. A trilha também tem muitas artimanhas e obstáculos, é preciso atenção, tem descidas acentuadas, curvas, troncos no chão, cipós que enroscam podem enroscar o pescoço, e muitos arranha gatos pelo caminho. O caminho nunca é igual, sempre tem alguma coisa que mudou porque a natureza é viva e está sempre a se transformar, por isso esconde entre seus encantos também muitos perigos. Mas como é gotoso andar nesta mata, a adrenalina é grande quando se anda rápido ali, e é preciso todos os sentidos entrem em estado de alerta, pois uma só bobeada pode acabar dolorosa.

Logo mais, seguimos para um dos lugares mais bonitos de Garça, a Cachoeira do Cantu que é sem dúvida alguma é um ótimo colírio para os olhos, suas águas transparentes que parecem descer pelas pedras por todos os lado é um convite e tanto para entrar em sua água sempre fria, mas que neste dia estava extremamente gelada, depois que entra também, a sensação é renovar as energias. Importante observar, que para ir nesta cachoeira é preciso uma prévia autorização do proprietário da fazenda.

Mas esse ainda não era o final do pedal, seguimos ainda até a Cachoeira da Igurê, mas infelizmente, naquele dia a água não parecia muito própria para banho, o que tem sido cada vez mais frequente neste local, uma pena, pois um lugar tão especial, vira e mexe, aparece muito sujo, tanto a água como a areia.

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Lucianópolis pela Companhia Inglesa 80km

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Desde que havíamos ido ao município de Fernão pela estrada de terra que passa pela Igreja da Companhia Inglesa e nos deparamos com uma trifurcação pelo caminho, à esquerda Fernão, à direita Ubirajara e se seguíamos em frente Lucianópolis. Então, vira e mexe era cogitada a ideia de ir pela primeira vez até lá para conhecer a cidade e suas redondezas.

Em uma tarde em que estávamos animados para andar os 80 km propostos, seguimos em direção a este pequeno município, mas pela terra, e como é só pegar estradão e mandar bala, não demorou muito para chegar em Lucianópolis. Chegamos antes mesmo do que o previsto, e visitamos uma bela praça com uma simpática igreja e aproveitamos também para descansar um pouco e tomar algo em um bar ali próximo.

Na volta, para não ter que fazer o mesmo caminho da ida, resolvemos seguir por Fernão-SP, Gália-SP, até chegarmos novamente em Garça, com sentimento de dever cumprido. É um pedal que flui bem, o tempo rende e muito bom pra dar condicionamento, e apesar da quilometragem de 80 km que a princípio pode parecer bastante, não é tão desgastante como muitas trilhas cujos quilometro rodados não chegam nem perto disso.

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KM 10 – Corredeira à Rodovia da Comunidade (Álvaro Carvalho)

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Ao que parece, esta trilha nada mais é do que uma antiga estrada municipal rural entre os municípios de Pirajuí e Álvaro de Carvalho, mas que foi completamente abandona pelo poder público, e cuja manutenção é realizada pelo fazendeiro local. Assim, a sensação é estar pedalando em uma propriedade privada e não em uma via pública, é uma trilha muito frequentada por motoqueiros, mas que em razão desta controversa, tiveram recentemente problemas com o proprietário do imóvel rural, que não quer que esta passagem seja utilizada pelas motos. Já carro que não seja com tração 4×4 não deve se aventurar por este lugar, pois o terreno é bem irregular, além de ter muito mato e água pelo caminho.

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De qualquer forma, o mais importante é que esta trilha é muito boa mesmo, um prato cheio para os amantes de mountain bike, belas paisagens em volta, pois o relevo acidentado e bem inclinado, riachos pelo caminho, ou seja, tem tudo o que uma boa trilha deve ter. Tanto pode começar esta trilha pelo KM 10 da Rodovia da Comunidade (SP-349) que liga Garça à Álvaro de Carvalho, como também fazer o contrário, começar pelo vilarejo da Corredeira, passar pela ponte de madeira e subir até o asfalto, que foi o que fizemos neste dia. Ao final, foram 51 km no total, o único ponto fraco deste pedal é ter que pedalar uma parte do trajeto em asfalto sem acostamento, mas a pirambeira da trilha do KM 10 compensa o sacrifício.

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Trilhas Coroados – Uma Serra Próxima à Presidente Alves

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Desde que fiquei sabendo de que existia antigamente uma estrada de terra que fazia uma ligação direta entre Garça e sua vizinha Presidente Alves, mas que estaria atualmente desativada, fiquei bem curioso de conhecer de perto o que aconteceu com este caminho. Foi então que resolvemos sondar o que teria acontecido da estrada e tentar chegar o mais próximo dela possível, e acabamos que demos de cara com uma fazenda e uma porteira pelo caminho, como desistir não estava em cogitação, procuramos o caseiro que nos explicou que a estrada está completamente abandonada, tinha virado um matagal repleto de buracos, e por lá já não passava mais nada. Porém, ele nos deu uma dica valiosa, se percorresse mais 01 km do lugar onde estávamos, chegaria em uma outra fazenda que ao final levaria até Presidente Alves. Como a intenção naquele dia era só especular, dali mesmo voltamos, mas desde então o desejo de retornar e tentar seguir em direção a esse município era grande, embora faça divisa com Garça, Presidente Alves parece ser mais distante do que realmente é, pois não há nem ao menos uma estrada de terra que vá direto para Presidente Alves e mesmo por intermédio de outro município, não há estrada asfaltada para isso. De carro são ao menos 41 km de distância e 01 hora de viagem indo por Gália e de lá só se pegar uma estrada de terra. Não tardou de voltarmos para lá, agora imbuídos de ir até o final, apesar de o horário que não jogava ao nosso favor, pois ao sair 15:30 da tarde para fazer isso, estava claro que haveria dificuldades pelo caminho.

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De qualquer maneira, é sempre muito boa a sensação de pedalar com a expectativa de explorar novos horizontes e até parece que as trilhas para andar de bicicleta são infinitas, pois sempre existe uma para ser conhecida ainda, e a sensação é de que há um imenso tesouro a ser descoberto. Por tudo isso, é que o ciclismo de mountain bike é tão estimulante, pois brincar de explorar o desconhecido e percorrer por novas e belas paisagens não tem preço. É muito legal procurar por trilhas diferentes, fugir da zona conforto de fazer os caminhos de sempre e já percorridos por diversas vezes, isto parece simples até, mas não é, pois o normal é ir rumo ao conhecido, um lugar que nos passe segurança, por isso, aventurar-se, sentir o frio da barriga de não saber exatamente onde está ou ter que escolher um caminho a seguir em uma bifurcação e não saber aonde vai chegar, proporciona uma certa emoção que deixa qualquer trilha mais apimentada. A primeira vez nesta trilha teve tudo isso, e também o privilégio de poder contemplar lindas paisagens de serra e formações geológicas belíssimas da região que circunda Garça, muito pouco conhecida, realmente foi um dia que não se apagará da memória.

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O destino original quando saímos, era chegar em Presidente Alves, mas havia uma bifurcação no caminho, e infelizmente ou felizmente, a opção que fizemos acabou nos distanciando daquela cidade e parecíamos pedalar rumo a distante Pirajuí, o sol já estava indo embora, de longe dava para avistar as luzes das cidades e sem saber onde estávamos exatamente, o desespero bateu forte. Mas ainda bem que não por muito tempo, após percorrer vários quilômetros sem avistar uma pessoa sequer, em um lugar muito remoto e distante de tudo, enfim encontramos uma casa pelo caminho e fomos sedentos pedir orientação.

Foi então que ficamos aliviados ao saber que logo mais, era só pegar à esquerda que Garça estava à 30 km de distância, o caminho à direita seguia para Pirajuí. Estávamos muito mais perto de Garça do que imaginávamos, o que naquele momento veio muito bem a calhar.

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Então voltamos pela estrada de terra Garça-Pirajuí, passando pelas antenas e logo chegamos em Garça com a gostosa sensação de sem querer, acabar descobrindo a existência de mais uma trilha de bike espetacular, com paisagens ímpares, descidas e subidas intensas que proporciona a adrenalina na descida e que exige bastante esforço do ciclista nas subidas, como é de se esperar de uma trilha de bike. Subida íngreme, ribeirão, curvas fechadas, descidas perigosas e paisagens de cair o queixo, e só ao vivo e a cores para sentir a natureza e curtir a beleza do lugar, pois as fotos, embora seja uma maneira fantástica de registrar a imagem de um momento, ela é estática, limita o horizonte a um determinado enquadramento, destina-se a um só sentido, a visão, e por isso tudo, as imagens, por melhores que são, sempre será um retrato de uma pequena parte de uma realidade muito maior.

Apesar das dificuldades, enganos e tensões, no final deu tudo mais do que certo, e isso só serviu para temperar ainda mais um pedal que por si só já seria muito bom, e a vontade de voltar foi tão grande que não demorou para voltarmos lá, porém, com bem mais tranquilo que da primeira vez, deu até para degustar algumas laranjas suculentas e colhidas direto do pé, pois o que mais tem no caminho de volta são laranjais carregados da fruta.

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Pôr do Sol Mágico na Represa da Igurê

Este dia foi de um ótimo pedal de 43 km com e sempre pelo asfalto, começou pela descida de Jafa em direção à estrada de terra 09 de Julho, na bifurcação optamos por voltar em direção a Garça para cruzarmos a estrada de asfalto da antiga hípica em direção ao Saltinho. De lá, atravessamos a mata da Fazenda Igurê e para finalizar o pedal passando pela represa já próxima a rodovia SP-294, foi então que a natureza deu um inesperado show a parte, pra fecharmos com chave de ouro o dia.

Foi realmente incrível e indescritível a beleza do pôr do sol refletindo na água da represa, algo que nunca tinha visto nessa intensidade de cor e beleza, o céu avermelhado refletia na água como um espelho e parecia formar uma coisa só, como se água fosse extensão do céu ou vice versa, e água parecia tão vermelha que parecia até cena de ficção científica, mas não, nada de filtros ou efeitos especiais sobre a foto, como teve pessoa que chegou até a suspeitar. Realmente foi uma cena belíssima e de colorido mil, e por isso achei por bem compartilhar, segue algumas outras fotos tiradas do mesmo pôr do sol, mas tiradas em momentos diferentes, para quem quiser fazer uma investigação mais aprofundada, caso ainda exista alguma dúvida.

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COMPANHIA INGLESA – MEMÓRIAS DA FAZENDA SÃO JOÃO (1944/1954) por Hamilton Carvalho

Fomos brindados com um relato primoroso e histórico sobre a vida na Fazenda São João (Gália-SP), mas também conhecida como Fazenda do Ingleses, maior que muitas cidades, ela deixou um relevante e belo patrimônio histórico que é a famosa Igreja construída para comunidade da época e que hoje é um ponto quase que turístico, e que atraí as atenções de muitas pessoas. Segue na íntegra o texto que o Sr. Hamilton Carvalho que teve a gentileza de nos enviar, e cujas riquezas de detalhes, inclusive com fotos da época, contribui muito para a reconstituição e memória deste importante momento da história de nossa região, que até hoje desperta muito interesse das pessoas que ali viveram e vivenciaram momentos relevantes de suas vidas.

“Em 1924, um grupo de investidores ingleses criou uma companhia em Londres com o objetivo de implantar um empreendimento agrícola no Brasil. A empresa recebeu a denominação legal de “BRASIL WARRANT”.
Na época, no Brasil, o café era rei. Assim, a cultura de escolha seria uma fazenda de café.
A empresa brasileira, subsidiaria da Brasil Warrant, foi denominada “Companhia Agrícola do Rio Tibiriçá”, pois a área escolhida para sua implantação, no município de Gália, SP, era perto das nascentes do rio Tibiriçá.
A fazenda foi denominada SÃO JOÃO, mas era também conhecida pelo nome de “INGLESA”, ou “FAZENDA DOS INGLESES” ou “AGRÍCOLA” devido à sua origem e ao seu nome legal.
Sob qualquer ponto de vista, a Fazenda era um portento. Era uma vila, quase uma cidade, chegou a ter 3.000 residentes e, mesmo hoje, 50 anos depois, teria mais habitantes que 40 municípios atuais do Estado de São Paulo.

A Fazenda tinha uma área de 2.500 alqueires, isto é, 6.250 hectares e três milhões de pés de café. Além disso, era uma grande produtora de algodão. Produzia sementes selecionadas de algodão e milho em convênio com a Secretaria de Agricultura do Estado de São Paulo. Era também um empreendimento industrial, pois chegou a ter fábrica de fio de seda, fábrica de pinga, fábrica de cal, serraria, fábrica de farinha de mandioca e moinho de milho para a produção de fubá. Dispunha de caminhões e maquinário agrícola o mais moderno da época, inclusive contratava aviões tipo teco-teco para pulverização de inseticida nas lavouras de café. Na estação ferroviária de Gália dispunha de um desvio com terminal próprio para embarque de café, sem interferir no tráfego ferroviário normal. Embarcava por ano, diretamente para o exterior, cerca de 50.000 sacas de café despolpado, trabalho executado pelos escritórios da Brasil Warrant em Santos. O café era despolpado (retirado da casca) nas instalações da própria Fazenda.

Devido ao seu tamanho era dividida em secções para melhor administração – a Sede onde ficava o escritório e a administração geral, Ipiranga, Boa Vista, Água Limpa, Aliança e Mascarenhas, cada um com o seu administrador. Havia um sistema telefônico próprio ligando todos os pontos da administração. Havia apenas um telefone que permitia interurbanos e ficava no escritório da Sede.
Para suporte desta população havia cinema, açougue, armazém de secos e molhados, loja de tecidos, igreja, bar, escola até a quarta série do ensino fundamental, farmácia, posto de gasolina, campo de futebol e oficina própria. Um médico, contratado pela Fazenda, vinha semanalmente de Gália e dava consultas na Fazenda. Uma empresa adiante do seu tempo, pois já naquela época oferecia assistência médica gratuita para seus funcionários.
Os administradores eram todos ingleses, contratados pela BRASIL WARRANT diretamente em Londres. Normalmente eram quatro – um diretor geral, o gerente financeiro, um gerente administrativo e um engenheiro agrônomo. Atravessam o oceano Atlântico, aprendiam português com forte sotaque e constituíam uma sociedade à parte do restante da Fazenda.
De fato, a sociedade da Fazenda era como que dividida em classes, embora ninguém precisasse explicar as regras para qualquer novo residente. Era implícito. As áreas de residência eram completamente separadas bem como o padrão das casas que eram totalmente diferentes.

Os ingleses moravam em casas soberbas, em área relativamente afastada, com enormes jardins de desenho e padrão inglês. Todas as casas dos ingleses tinham lareiras ainda que estivéssemos em um país de clima tropical e, ao invés de chuveiros, tinham banheiras. A água quente vinha do aquecimento do fogão – todas as casas tinham fogão à lenha – a chaminé do fogão era envolvida por uma serpentina que aquecia a água. Era um sistema equivalente ao aquecimento solar, só que o calor vinha do fogão ao invés do sol. Se não se cozinhasse, não haveria água quente para o banho. A casa do gerente geral lembrava uma casa de campo como se vê nas fotografias inglesas com um jardim onde havia um lago para peixes, luxo impensável em qualquer residência nos anos de 1940. Havia uma piscina privativa e uma quadra de tênis onde só eles jogavam. As famílias inglesas se reuniam entre si nos fins de semana para nadar, jogar tênis e beber wiskey. Não havia interação com as demais famílias brasileiras. Além disso, eram os únicos que tinham carros particulares quando todo mundo andava a pé.
A segunda classe social era o pessoal do escritório, administração, farmacêutico e professores da escola primária. Moravam em casas confortáveis com jardim e grandes quintais. Dispunham de água encanada e energia elétrica grátis, mas ninguém tinha telefone ou carro. Seriam talvez umas dez ou quinze famílias que também só se reuniam entre si em aniversários e reuniões. Não interagiam socialmente com os ingleses, nem com os demais residentes da fazenda.

A terceira classe eram os trabalhadores rurais, mecânicos, carpinteiros, operadores das fábricas. Moravam em conjunto de casas, algumas de alvenaria outras de madeira, conhecidas como “colônias”, sem jardins, mas com água encanada e energia elétrica grátis. A vida social desta classe girava em torno do bar, do cinema, do clube de futebol e da igreja.
O cinema passava filmes aos sábados e domingos somente. O preço da entrada era quase simbólico e todos iam religiosamente ao cinema (os que moravam na Sede, obviamente). O preço da entrada era o mesmo, mas as classes sociais eram rigorosamente divididas dentro do salão em si. Cada um sabia o seu lugar.
À direita do salão havia uma espécie de plataforma (“foyer”) por onde se subia por alguns degraus e onde havia cadeiras comuns. A segunda classe invariavelmente subia para a plataforma e assistia ao filme do alto, com a visão desimpedida.
No restante do salão, parte maior no piso do chão, ficavam bancos de madeira, divididos em três colunas, onde cabiam seis ou sete pessoas, onde ficavam os demais assistentes. Evidentemente, não havia impedimento em violar a regra não escrita, mas, só ocasionalmente, pessoas desciam da plataforma para o salão, nunca o contrário.

E os ingleses? Bem, os ingleses tinham uma plateia no alto, isolada, no fundo do cinema, completamente separada do resto do salão. Chegavam em seus carros, entravam por uma porta lateral privativa – a projeção não começava sem que eles chegassem. Mas eles eram extremamente pontuais, de modo que a projeção começava sempre no horário marcado. Não havia a hipótese de ocupar uma cadeira na plateia privativa dos ingleses.
Apesar de tudo, não havia qualquer ressentimento. Este modo de vida era aceito normalmente como era assim que devia ser a vida.
O cinema só tinha uma máquina de projeção, de modo que, quando acabava um rolo, acendiam-se as luzes por alguns minutos até que o operador instalasse o rolo seguinte e reiniciasse a projeção. Acordava as crianças que dormiam espalhadas pelas cadeiras, pois todas as crianças iam juntas com os pais. Não havia filmes proibidos para menores de idade. Ia-se ao cinema e pronto.
A projeção era normalmente dividida em partes – um jornal semanal (um ancestral do Jornal Nacional com notícias políticas e de esporte), um trailer dos filmes que seriam apresentados nas próximas semanas e podia haver ou não um desenho animado do Popeye – quando havia era uma festa para a criançada. Era o equivalente aos vídeos games de hoje e durava não mais que uns seis ou sete minutos por semana. Seguia-se o filme em si. Ao término da projeção, os ingleses voltavam para suas casas nos seus carros e os demais punham o pé na estrada, no escuro, pois só havia apenas alguns postes de iluminação a cada 100 metros com uma pequena lâmpada. Por isso, todos tinham lanterna para iluminar o caminho de volta.

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Casa padrão do pessoal da administração. Na frente um jardim e atrás um amplo quintal.

A escola era um prédio de tijolo vermelho próximo da igreja. Tinha quatro salas de aula, mais salas de administração e dos professores. Era rodeada por uma cerca de balaustres pretos com uma ponta branca. Tudo muito caprichado. Nos fundos deste pátio havia o campo de futebol da Fazenda onde, os meninos, jogavam futebol diariamente durante o recreio fizesse sol ou chuva. Acabado o recreio, voltava-se à sala de aula suados e sujos, ninguém nunca se incomodou.

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Grupo Escolar da Fazenda São João. Pode-se observar as traves do campo de futebol atrás da escola onde jogava-se futebol durante o recreio. Foto de 1992.

No recreio era servida uma sopa como lanche. Tudo fornecido gratuitamente pela administração da Fazenda. Era uma mesa grande onde eram colocados previamente pratos de metal com a sopa antes do recreio – assim, a sopa já estava fria quando os alunos chegavam e podia ser tomada rapidamente para podermos ir jogar futebol – a segunda rodada era tirada do caldeirão que estava no fogo e vinha fervendo. Precisava ser esfriada, o que nos fazia perder preciosos minutos do futebol do recreio. A cada começo de ano havia uma disputa entre os meninos para pegar a carteira mais próxima da porta de sala para permitir chegar mais rápido à mesa de sopa com a rodada fria – os meninos do fundo da sala não tinham remédio – tinham de esfriar a sopa e perder parte do futebol.
As carteiras eram duplas – dois alunos para cada carteira. Sempre dois meninos ou duas meninas em cada carteira – nem pensar em menino e menina na mesma carteira. Os lugares, uma vez escolhidos no primeiro dia de aula, valiam para o ano inteiro.
Houve um professor inesquecível naquele mundo povoado de professoras. Professor Deoclécio Soave herói da molecada por jogar futebol e por ter uma motocicleta. Era baixinho, porém forte, e era o goleiro do São João Futebol Clube, o time da Fazenda. Era tão bom que chegou a jogar no Gália, disputando o campeonato amador do estado. Inicialmente ele morava na Fazenda, pois não havia transporte que lhe permitisse ir e voltar diariamente entre a Fazenda e Gália. Até que ele comprou uma moto que era a atração da molecada que nunca havia visto uma, o que lhe permitia vir e voltar diariamente para Gália onde residia.

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Time de futebol da Fazenda – Jogava-se costumeiramente contra as fazendas vizinhas. Santo Inácio, Chantebled, Paraíso e Vila Couto que passou a ser chamada de Alvilândia posteriormente. O time amador do Gália vinha jogar as vezes na Fazenda como treinamento. Nesta foto o goleiro não é o Prof. Deoclécio.

Pouquíssimos alunos iam de sapatos à escola – a grande maioria ia descalça, embora de um modo ou outro todos fossem de uniforme – camisa branca e calça curta com suspensórios para os meninos e saias para as meninas. Calças e saias igualmente azul marinho escuro. Exceto os filhos do pessoal do escritório e dos professores, praticamente todos iam à escola descalços.

Andar descalço tinha outra consequência chamada verminose. Uma vez por ano o Serviço Sanitário do Estado vinha à escola e obrigava todos os alunos a fazer exame de fezes para detecção de verminose. Nem precisava se dar ao trabalho, pois praticamente todos tinham detecção positiva. O remédio infalível para a verminose era uma colherada de óleo de erva de Santa Maria, um líquido amarelo, viscoso, a substância de gosto mais horroroso que conheci – acho que os vermes morriam de puro mal-estar. A gente ficava se sentido mal por um dia ou dois. O ritual repetia-se anualmente.

Havia na Fazenda dois tipos inesquecíveis:

O primeiro, Sr. Vieira, farmacêutico, casado com Dna. Maria José, professora no segundo ano na escola. O Sr. Vieira era viúvo e Dna. Maria José era seu segundo casamento. Não havia par mais desencontrado. Ela baixinha, gorducha, severa com fama de brava; ele alto, magro, rosto ossudo e folgazão. O Sr. Vieira não era de fato funcionário da Fazenda – a Fazenda lhe dava a moradia, por sinal uma bela casa, como um benefício adicional por manter a farmácia – era uma figura importante, pois era a única pessoa conhecida que tinha um diploma de curso superior. Na prática era o médico para o dia a dia das doenças mais comuns.

O segundo era o Sr. Pitcher. Era um diretor inglês. Nenhum dos brasileiros conseguia falar seu nome corretamente, que dirá com sotaque inglês. O seu apelido era Pitt e todos o chamavam por alguma coisa parecida com “Pitichi” com sotaque de paulista do interior. Ficou assim.
O mais interessante é que ele era um veterano da Primeira Guerra Mundial; convocado pelo exército inglês, lutou nas batalhas do norte da França contra os alemães em 1916 onde foi ferido – sofreu um ferimento na perna porém recuperou-se num hospital de campanha. No entanto, o ferimento o deixou com uma prótese no joelho que o obrigava a mancar. Como auxílio, usava uma bengala – além disso, fumava permanentemente um cachimbo, falando pelos cantos da boca, feito o marinheiro Popeye. Para os meninos, conhecer um veterano de guerra de verdade foi realmente inesquecível. Pouco depois da Primeira Guerra Mundial ele veio para o Brasil e, por volta de 1925, praticamente fora o fundador da Fazenda. Nela trabalhou por quase trinta anos. Após sua aposentadoria, foi morar em Garça. Nunca mais voltou para a Inglaterra.

Para os meninos a vida era a escola, o futebol, o cinema, pescar e perambular pela fazenda. Também se jogava muita bolinha de gude, que chamávamos de “búrica”, palavra que praticamente ninguém mais conhece. Seria um regionalismo?

No verão, no bosque de eucaliptos, capturávamos vagalumes cantando um refrão “vagalume tem-tem teu pai tá aqui tua mãe também”. Não sei se isto os convencia a vir até nós, mas que dava certo, dava. Colocávamos os vagalumes com sua luz verde em um vidro e o deixávamos no escuro, brilhando.
A Fazenda tinha um ritmo próprio durante a semana de segunda a sábado. A serraria, logo pela manhã, acionava uma espécie de buzina para indicar o início das atividades, depois à tarde para sinalizar o fim do dia. Passava o dia inteiro com o barulho das máquinas serrando madeira. Entretanto, no domingo, tudo se aquietava, um silêncio absoluto típico da área rural.

Havia dois eventos que sempre eram acontecimentos extraordinários.

O primeiro, algo que caiu em desuso, era propaganda com folhetos despejados por um pequeno monomotor feito de madeira e lona, que era conhecido como teco-teco. Ele sobrevoava a Fazenda lançando publicidade, na maioria das vezes das Casas Pernambucanas. Para a criançada que nunca havia visto um avião de perto era como se, hoje em dia, aparecesse uma nave espacial. Corríamos pelos pastos recolhendo quantos folhetos de publicidade pudéssemos, mas não sei para que, já que eram todos iguais.

O segundo era um sorveteiro que ocasionalmente vinha de Gália com umas caixas de sorvete picolé transportadas por uma caminhonete. As caixas vinham envoltas em palha de arroz para manter a temperatura e impedir que o sorvete derretesse. Quando o sorveteiro chegava à parte central da Fazenda, ele usava um megafone para se anunciar. Brotavam crianças como magia em questão de minutos; vinha gente de longe para tomar um picolé. Não havia escolha de sabores era só de pseudo groselha das mais vagabundas. Dava-se uma chupada no sorvete vermelho e só sobrava o gelo branco e descorado. Mas, maravilha das maravilhas, era gelado.

Como já disse, os ingleses tinham uma sociedade à parte. Entretanto, chegou uma família inglesa que tinha dois meninos em idade escolar. Aí, não havia outro jeito, os meninos tinham que frequentar a escola rural da fazenda, a única disponível. Dois ingleses no meio daquela criançada – era realmente um espaço democrático, pois todos iam à mesma escola qualquer que fosse o trabalho dos pais. Mas eles não perdiam a pose – chegavam de carro e, ao terminar a aula ao meio dia, lá estava o carro com o motorista esperando por eles. Para todos isto era absolutamente normal e aceitável nunca houve crítica ou ressentimento a respeito.

Para os moradores da fazenda, a Inglaterra sempre era uma referência. Durante a II Guerra Mundial todos torciam para que os aliados, Inglaterra inclusive, vencessem a guerra. O gerente geral, o Sr. Frazer tinha dois filhos jovens, um menino e uma menina. Não moravam na Fazenda, estudavam fora. Quando começou a guerra, eles, embora morando no Brasil, julgaram ser seu dever lutar pelo seu país natal. Foram para lá, a moça tornou-se enfermeira e o rapaz esteve nas forças armadas. Ambos sobreviveram e voltaram para o Brasil. Quando a guerra terminou em 1945 com a vitória dos aliados e, consequentemente, com a vitória da Inglaterra, em comemoração a Fazenda deu um salário extra para cada funcionário. Isto era extraordinário porque a existência do décimo terceiro salário só foi instituída quase vinte anos depois desse acontecimento.

A Fazenda tinha quase todas as facilidades de uma cidade, mas curiosamente, não tinha barbeiro e padaria. Cortar cabelo só indo à Gália, até que um senhor improvisou uma barbearia – só funcionava aos domingos porque nos demais dias da semana (trabalhava-se de segunda a sábado) ele tinha seu trabalho normal. A fila era enorme e durava o domingo inteiro, um martírio ficar esperando.

Como disse, não havia padaria na Fazenda. O costume era fazer pão em casa. Mas alguns tiveram a ideia de abrir uma conta em uma padaria de Gália – quem trazia o pão era a jardineira que fazia o trajeto diário de Ubirajara à Gália e vice-versa. Passava na Fazenda, na ida para Gália às oito horas da manhã quando a gente entregava um saco de pano onde seria embalado o pão. Retornava de Gália e passava na Fazenda às quatro da tarde. Os sacos de pão vinham no bagageiro que ficava no alto da jardineira. Para acessar o bagageiro, subia-se por uma escada na traseira da jardineira. O motorista subia lá em cima e atirava o saco de pão para o receptor – era preciso ser esperto para não deixá-lo cair. Caso se perdesse o horário da jardineira, que era um tanto irregular, o saco de pão ia até o fim da linha que era Ubirajara e voltava no dia seguinte, duro e seco.
Esta jardineira, caindo aos pedaços, era o único transporte disponível para ir à Gália onde ficava a estação de trem da Companhia Paulista. Apesar da distância da fazenda à Gália não ser mais do que uns quinze quilômetros, a jardineira demorava umas duas horas, pois parava onde tivesse gente para subir e descer, fora as tralhas que eram trazidas no bagageiro. As alternativas eram esperar uma carona de um carro de serviço da Fazenda ou telefonar para um taxi vir de Gália, o que era muito caro, raramente usado.

Mensalmente era necessário fazer-se os pagamentos dos funcionários das demais sub-sedes da fazenda. Ninguém tinha conta bancária, o pagamento era feito em dinheiro vivo. O escritório apurava o salário de cada funcionário, anotava os demonstrativos de salário e despesas e colocava o dinheiro devido em notas dentro de cada caderneta. As cadernetas com o dinheiro em notas eram colocadas em uma caixa de papelão, nem cofre havia e lá ia o contador da Fazenda em um carro cheio de dinheiro com apenas um motorista, sem carro forte, sem segurança armado, sem nada. O dia de pagamento era de conhecimento geral e nunca passou pela cabeça de ninguém que poderia haver um assalto – nem se cogitava disso. Em todos aqueles anos nunca houve nenhum incidente. Nos dias de hoje isto parece mentira, mas de fato, os tempos eram outros.

Entretanto, houve um evento que foi um espanto para todos nós. Havia um guarda-noturno que fazia a ronda pelos imóveis da Fazenda à noite. Ele usava um relógio circular guardado em uma bolsa de couro que tinha no seu interior uma folha de papel circular giratória. Ele devia acionar um botão de meia em meia hora e um mecanismo fazia uma marca no papel para provar que passara a noite acordado. Em anos e anos nunca havia acontecido nada. Entretanto, uma noite, um residente da fazenda, bêbado, perambulando sem rumo, foi abordado pelo guarda. As circunstâncias são obscuras, pois não houve testemunhas. Mas o guarda alegou que fora atacado e reagira dando dois tiros no atacante que caiu ferido junto a um muro de arrimo. No dia seguinte, foi um rebuliço na Fazenda. Os brasileiros, conhecendo como funcionava a justiça brasileira, sugeriram que o guarda fugisse para evitar o flagrante e depois se apresentasse à justiça alguns dias depois – neste caso responderia ao processo em liberdade. Os ingleses, estritamente legalistas, não concordaram, e quando a polícia chegou, o guarda foi preso e teve que responder ao processo detido na cadeia. A Fazenda continuou pagando seus salários pontualmente, mas quando julgado e inocentado, não quis continuar na Fazenda. Mudou-se para o Rio de Janeiro.
Os meninos, que só viam tiroteio nos filmes de bang-bang no cinema da Fazenda, passavam diariamente junto ao muro de arrimo para ver a mancha de sangue deixado pelo ferido, até que a chuva, lavando-a aos poucos, fez com que desaparecesse.

Apesar de todas as atividades econômicas da fazenda, tudo girava em torno do café, de longe o negócio principal. Havia o trato cultural o ano inteiro e a colheita começava em Maio e ia até Agosto. O café, depois de colhido, exige muito trato, pois não amadurece uniformemente, ao mesmo tempo – em um mesmo pé há grãos maduros e verdes. O ideal é colhê-lhos todos maduros, pois sua qualidade é melhor. Entretanto, se a colheita é muito retardada para esperar que todos amadureçam, muitos grãos caem no chão – se para evitar esta queda se colhe muito cedo, haverá uma grande porcentagem de verdes, também de qualidade inferior. A solução é colher na média. Assim, na colheita há uma mistura de grãos verdes e maduros que devem ser separados para se obter melhor qualidade.
Isto se faz com água, pois o grão verde flutua e o maduro afunda. A Fazenda tinha um enorme terreiro para o trato do café – na parte alta, os grãos eram despejados em tanques de água com duas saídas – a superior para o verde que flutua, a inferior para o maduro que afunda. Os grãos que escoavam com a água por meio de canaletas eram recolhidos por trabalhadores com carrinhos de mão e depositados em diferentes áreas do terreiro. A separação nunca era perfeita. No meio dos grãos maduros sempre havia alguns verdes – a fase seguinte era a separação manual dos verdes e maduros. Isto era feito por crianças filhos dos trabalhadores. Naquela época ninguém questionava o trabalho infantil. Afinal, todos iam à escola pela manhã e à tarde ganhavam um dinheiro extra para os pais.
Ganhava-se por litro de grãos verdes separados dos montes de café depositados do terreiro. Depois que o café secava no terreiro, ele era recolhido por pequenos vagões sobre trilhos puxados manualmente e despejados em uma tulha. O passo seguinte era ser despolpado para retirar a casca do grão que conhecemos. A casca tem a leveza e a consistência de palha seca. A máquina que fazia isto, após descascar os grãos de café, lançava um jato de palha em um galpão dia e noite formando uma montanha. Os caminhões entravam neste galpão e carregavam a palha para os cafezais para aproveitá-la como adubo.
Para os moleques, era uma diversão subir na montanha de palha que deslizava como se fosse uma mini avalanche. A montanha de palha ficava tão alta que alcançava as traves de madeira que sustentavam o telhado do galpão.
Praticamente todos as crianças tinham todas as doenças consideradas “de infância”, pois não havia vacina alguma para catapora, coqueluche, sarampo e caxumba. Vacina só existia para varíola e febre amarela. No entanto, as doenças mais comuns eram “dor de garganta” e conjuntivite, chamada então de “dor d´olhos”.
A conjuntivite, muito contagiosa, era uma verdadeira praga que, quando começava, se propagava feito incêndio em capim seco – o remédio era um colírio da marca “Moura Brasil”, um líquido amarelo que nossos pais pingavam à noite nos olhos antes de dormir. Aquilo ardia e a gente esperneava, o líquido amarelo se espalhava pelo rosto. Acordávamos na manhã seguinte com os olhos pregados e a cara amarela. A conjuntivite durava uns dois ou três dias e, sem desmerecer o colírio, penso que sarava por si mesma, naturalmente.
Dor de garganta era muito comum e o remédio infalível era a farmácia do Sr. Vieira. Ele enrolava um chumaço de algodão em uma espécie de vareta de vidro, mergulhava em uma tinta azul chamada azul de metileno e dava umas pinceladas no fundo da garganta. A ânsia de vomitar era imensa, saíamos da farmácia cuspindo tinta azul e os olhos lacrimejando. Mas sarava em vinte e quatro horas. Em caso de tosse, fazia-se uma mistura de óleo de cozinha, vinagre e sal e passava-se no peito, nariz e pescoço, tão quente quanto se podia aguentar. Em caso de dor de barriga e vômito o remédio era “Sal de fruta Eno” e água mineral “Prata”. Todas as mães tinham mania de dar fortificantes para os filhos – tomávamos “Biotônico Fontoura” ou “Calcigenol” durante anos, um xarope leitoso, de gosto intragável.
Muitos pais eram adeptos da Homeopatia. Eles compravam uma “mini farmácia” de remédios homeopáticos que vinham caprichosamente arrumados em um armário de madeira. Junto vinha uma brochura com a descrição das doenças mais comuns e o “receituário”. “Diagnosticavam” os sintomas e escolhiam o que ministrar da “farmácia”. Na prática mesmo, o mais comum era tomar “Aconitum” para vômito e “Alium Sativum” para febre.

No começo dos anos 1950 houve no mundo e no Brasil também um surto de paralisia infantil, doença aterrorizante para a qual não havia nenhum tratamento e nem vacina. Dr. Salk desenvolveria a vacina apenas alguns anos mais tarde. De algum modo, correu uma lenda que uma mistura de cravo da índia, cânfora, pimenta do reino, sal e, sei lá o que mais, colocados em um saquinho pendurado no pescoço evitaria a doença – parecia um tanto absurdo, mas que mãe se arriscaria a não tomar esta providência e ver seu filho com uma doença tão terrível. Todos passamos a andar com o saquinho de especiarias no pescoço dia e noite. Ficávamos com cheiro de comida temperada, mas lenda ou não, ninguém na Fazenda teve paralisia infantil. Quem sabe funcionava mesmo!

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A Igreja da Fazenda – O cruzeiro dos capuchinhos está à direita – foto de 1992. Ao fundo casas do pessoal da administração que ficavam próximas do armazém, cinema e do bar.

A igreja católica da fazenda foi uma das primeiras construções, erigida por volta de 1930. Era toda de tijolo vermelho aparente. Não havia padre residente, apenas algumas senhoras se reuniam para rezar o terço. Ocasionalmente, em alguma data festiva, vinha um padre de Gália. Lembro-me deu um evento especial, provavelmente a visita de um bispo, quando os residentes da Fazenda prepararam uma recepção esmerada; comprou-se uma grande quantidade de rojões para saudar sua chegada. Colocou-se um vigia adiantado na estrada que chegava à Fazenda como aviso – assim que o carro do bispo passasse pelo vigia, ele deveria a soltar um rojão para dar a senha para iniciar o foguetório. Acontece que, ao passar um carro qualquer, o vigia se precipitou e julgou ser o bispo; soltou seu rojão de aviso e o foguetório começou – quando o visitante desconhecido chegou à igreja, ficou surpreso por receber tamanha manifestação de apreço. Não entendeu nada. Quando o bispo realmente chegou, não havia mais nenhum rojão disponível. Foi recebido em silêncio!
Uma ocasião, um grupo de frades capuchinhos veio fazer uma missão evangelizadora na Fazenda como se fosse um mutirão religioso – missa todo dia, batizados, primeira comunhão, crismas de todo aquele povo que tinha deixado de fazer estes sacramentos católicos no devido tempo. Toda noite havia uma procissão. Foi uma erupção de fervor religioso. Durou uma semana inteira e como lembrança do evento foi erigido um cruzeiro (uma cruz grande de madeira) no pátio de igreja. Quarenta anos depois visitei a Fazenda, o cruzeiro ainda estava lá e estava escrito “Lembrança da missão dos frades capuchinos, Agosto de 1951”.
A verdadeira festa religiosa e popular era o dia de São João, padroeiro da Fazenda. Na noite de São João, os vizinhos se reuniam em torno de uma fogueira preparada de antemão e se comia pipoca, amendoim, cocada e era um tal de soltar rojões que iluminavam o céu da Fazenda continuamente. Era uma festa caipira, dos caipiras mesmo – não se usava roupa de caipira, pois todos sendo caipiras usavam a própria roupa do dia a dia.

Havia uma brincadeira de criança chamada “Quaresma”. O nome já diz tudo, só acontecia na época da Quaresma que ia do fim do Carnaval e terminava na Semana Santa. Combinava-se a brincadeira com alguém, portanto eram duas pessoas na disputa, uma contra a outra. Quando os dois envolvidos se encontravam, um gritava para o outro “quaresma aí!”. Para não se perder um ponto era necessário mostrar uma folha verde e a disputa continuava por toda a Quaresma. Era difícil ter uma folha verde sempre à mão, mas existia uma planta, que dava uma pequena folha pouco maior que uma moeda. Esta folha tinha uma superfície felpuda, como se fosse de velcro, que aderia ao tecido da roupa – grudava-se a folha verde na roupa para a garantia de se ter sempre uma folha verde à mão e não ser pego de surpresa.

Todos que moravam na Fazenda tinham um único endereço: “Gália (SP), Caixa Postal 28”. Esta era a caixa postal da Fazenda no correio de Gália – os documentos legais da administração, os jornais dos assinantes, cartas e tudo o mais que vinha pelo correio era acumulado nesta caixa postal. Diariamente, um estafeta (o carteiro da Fazenda), podíamos chamar de correio, montado à cavalo, com dois sacos laterais, ia até Gália para trazer a correspondência acumulada. Chegava ao fim da tarde entregava tudo no escritório que então procedia à distribuição; não era necessário um endereço local, pois pelo nome todo mundo se conhecia e sabia onde morava.

A Fazenda nos dava mensalmente sete quilos de café em grão; aquilo era mais presente de grego do que beneficio, pois era uma trabalheira danada até obter o pó. Primeiro, era preciso ir buscar o café na tulha – em seguida era preciso escolher – examinar minuciosamente os grãos retirando os pretos, carunchados e impurezas – em seguida era preciso torrar. Fazia-se uma fogueira no quintal e se colocava os grãos de café despolpado em um cilindro que precisa ser rodado sobre o fogo para que os grãos torrassem por igual. Era de “torrar” a paciência até que o café ficasse no ponto por igual, sem contar o calor e a fumaça que a gente tinha de aguentar. Por último, era preciso moer os grãos torrados para obter o pó.

A Fazenda tinha criação de gado, mas não comercializava o leite; por isso, vendia leite para os empregados a preço simbólico, quase gratuito e na quantidade que se quisesse. Porém não havia distribuição – quem quisesse, precisava levantar cedo, ir até o local de ordenha para pegar o leite. Levantava-se no escuro e era necessário atravessar o terreiro de café e depois caminhar, talvez um quilômetro, por uma alameda de bambus até chegar ao local da ordenha.

Na fazenda éramos quase todos torcedores do São Paulo. Naquele ano de 1953, o São Paulo sagrou-se campeão paulista e o Noroeste de Bauru, subiu para a primeira divisão. A Federação Paulista, como homenagem ao Noroeste, programou o primeiro jogo do campeonato de 1954 entre Noroeste e São Paulo em Bauru. Praticamente ninguém da Fazenda já havia assistido a um jogo de futebol do campeonato principal – assim, decidiu-se organizar uma caravana para assistir ao jogo em Bauru. Emprestou-se um caminhão da Fazenda, saímos de madrugada para pegar o trem da Paulista por volta de oito horas em Gália – chegamos em Bauru às onze horas, o jogo começou à tarde, o São Paulo, para nossa alegria, ganhou por 1 x 0. Foi uma festa. Pegamos o trem de volta às 7 da noite para chegar à Gália às 10 horas da noite – daí foi pegar o caminhão, chegamos à Fazenda por volta de meia noite. Foi uma despedida. Poucos dias depois veio a notícia que a Fazenda havia sido vendida e seria liquidada com a dispensa de todos os seus empregados.

Aquilo foi um terremoto na vida das famílias, pois a maioria já estava na Fazenda há anos. Consta que os ingleses ficaram descontentes com uma lei editada no governo do presidente Getulio Vargas que estabelecia limites na remessa de lucros de companhias estrangeiras para suas matrizes no exterior. Decidiram, portanto, que o negócio não era mais viável e venderam a BRASIL WARRANT para o grupo Moreira Salles. Como a BRASIL WARRANT era a proprietária legal da fazenda, o grupo Moreira Salles passou a ser o novo proprietário.
Acontece que, o Sr. João Moreira Salles, presidente do grupo, não se interessou pela fazenda e a vendeu para a CAIC – Companhia de Agricultura, Imigração e Colonização (CAIC), empresa paulista semi-estatal, cujo objetivo era o loteamento de pequenas propriedades, voltadas à policultura de mão de obra famíliar e imigrante.
A CAIC, como era sua função, decidiu encerrar o empreendimento e dividir a Fazenda em parcelas. Todos os funcionários foram demitidos, com todos os direitos trabalhistas rigorosamente cumpridos. E todos começaram a procuram uma alternativa para suas vidas.
Diariamente partiam caminhões com as mudanças. Um tempo se encerrava e outro começava. Hoje, a Fazenda só existe na memória dos que lá viveram, e já são tão poucos. Fica esta memória.

Nossos agradecimentos ao Sr. Hamilton Carvalho, cuja visita a este simplório blog nos deixou lisonjeado, ainda que não só contribuiu com seus comentários à uma postagem antiga sobre a Companhia Inglesa, como também entrou em contato conosco para aprofundar o assunto e se colocar a disposição de nos enviar mais detalhes, o que foi muito bem vindo.

E para sabermos como esta a Igreja encontra-se atualmente, registramos estes vídeos e fotos de maio de 2016. Também ficamos sabendo que existe agora um senhor que por coincidência o encontramos, ele é responsável pela manutenção dela e pelo jeito faz isto com muito carinho. Agora o interior da Igreja está bem mais limpo, assim como o seu entorno, o sonho deste senhor é vê-la um dia restaurada, e já sabe por onde é preciso começar, pelas portas e janelas, que estão em estado lamentáveis. Uma pena que este patrimônio de todos continua abandonado pelo poder público e se fosse restaurada, ela poderia se tornar um ponto turístico respeitável, se houvesse real interesse neste sentido, como não há, resta a um cidadão comum tentar com seus próprios esforços zelar por ela para que não se deteriore ainda mais.

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Desafio em Timburi-SP

Até tomar conhecimento deste desafio no município de Timburi-SP, nem ao menos sabia de sua existência e muito menos de suas exuberantes belezas, sua topografia repleta de montanhas das mais diversas formas e a abundância de água são grandes atrativos. Este pequeno município com menos de três mil habitantes, pertence a microrregião de Ourinhos e faz divisa com Piraju, Fartura, Chavantes, entre outros.
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São muitos os seus encantos, fiquei sabendo e vi por uma foto de uma bela cachoeira que infelizmente não deu tempo para conhecer, mas chama muito a atenção as águas azuis que banha o local e o revelo acidentado em seu entorno, é realmente uma paisagem fascinante. São as limpas águas do Rio Paranapanema represadas pela Usina Hidrelétrica de Chavantes, na divisa entre Paranã e São Paulo que também passa por Timburi.
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Este desafio foi organizado pelo Marcos Trilha e contou com mais de 200 ciclistas das mais diversas cidades, das mais variadas idades, todos recebidos com um bom café da manhã, para em seguir escolher entre dois percursos, o light (25 km) ou o Hard (45 km). Optamos pelo último, a quilometragem não parecia ser muito assustadora, entretanto, as acentuadas subidas e considerado ganho de elevação ao longo do pedal, mais uma vez demonstra que os quilômetros percorrido é uma medida que não mensura o esforço despendido pelo ciclista. Este é um bom caso, pois em 45 km houve um ganho de elevação de 1.164 metros, quando é comum andar 70 km e ainda assim ficar longe desta marca.
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Apesar do forte sol do meio dia que pegamos, os 06 pontos de hidratação com água e frutas a vontade, foi algo que veio bem a calhar, pois, realmente é um pedal que exige bastante do ciclista. Porém, da forma como este desafio foi organizado, acabou sendo um ótimo pedal e bastante gratificante, mérito da organização, que por um preço justo realizou um excelente evento que não deixou espaço para qualquer crítica. Havia também um carro de apoio, para quem desistisse por algum motivo, seja por problemas físicos ou mecânicos na bike, mas ainda bem não precisamos recorrer a ele, embora um amigo tenha sofrido uma queda e algumas escoriações, nada que tenha impedido ele de terminar este pedal que com certeza deixou um gostinho de quero mais em todos participou do evento.

Acabou que foi também uma ótima oportunidade para conhecer um lugar diferente e ainda por cima fazer amizades. Recomendadíssimo este Desafio, compensou a viagem, o valor da justo da inscrição, ter que acordar de madrugada e tudo mais, no próximo que houver, com certeza, estarei lá novamente.
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Todas as fotos em:
Álbum de Fotos – Desafio em Timburi-SP

PirambaMTB e Sujo de Barro em Brotas!


No dia 9 de abril, a convite do pessoal do Sujo de Barro (www.sujodebarro.com.br) partimos para a cidade de Brotas, cerca de 170 quilometros de Garça para fazermos as atividades oferecidas pelo Parque Viva Brotas (www.vivabrotas.com.br).

Lá tivemos a oportunidade de fazermos o cachoeirismo (rapel na cachoeira), a queda livre (espécie de bungee jump) e a tirolesa de 800 metros.

Foi um dia maravilhoso em que se evidenciou o quanto a cidade de Brotas consegue trabalhar com o Turismo de aventura, aproveitando seu potencial e suas belezas naturais.

Na minha cabeça, fiquei matutando o quanto Garça perde com tantas belezas naturais, que aos poucos estão sendo destruídas e poderiam ser conservadas através do Turismo Sustentável.

Oxalá, um dia as pessoas abram os olhos e Garça possa repetir o sucesso de Brotas nessa área.

O que nos resta é a esperança que ainda sobrem as nossas pirambas até que esse dia chegue.
href=”https://www.flickr.com/photos/pirambamtb/albums/72157664742163653″ title=”Brotas – 09-04-2016 – Sujo de Barro e PirambaMTB”>Brotas - 09-04-2016 - Sujo de Barro e PirambaMTB//embedr.flickr.com/assets/client-code.js

 

Pontilhão do Rio Feio em Pirajuí-SP

O Rio Aguapeí, e popularmente conhecido como Rio Feio, nasce em Gália, próximo a Rodovia SP-294, seu principal afluente é o Rio Tibiriçá, que por sinal, também nasce em nossa região. Ele é um dos rios de maior extensão do Estado de São Paulo são aproximadamente 420 km até desaguar no Rio Paraná. Em todo seu percurso, corre aproximadamente paralelo ao Rio Tietê, que se localiza ao norte.

Neste dia, imagine uma estrada com areia, mas muita mesmo, como havia uma uma semana sem chuva, o areião no caminho era certeiro, acredito que esta seja a estrada com o pior areião da região, e logo atrás vem as estradas da 09 de Julho e Corredeira que também possuem uma camada de areia bem considerável. Por isto, cada quilometro pedalado pareça ser o dobro, a bicicleta perde a tração, e é preciso muita força e técnica para permanecer pedalando, mesmo assim, há trechos que fica quase impossível não descer da bike e seguir empurrando. Recomendo este pedal, mas é preferível ir depois de uma chuva, caso contrário, é sofrimento na certa.

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No total, são aproximadamente 70 km de ida e volta até o pontilhão do Rio Feio, o acesso é pela estrada do Bairro São José. Um pouco antes de chegar ao rio, tem início um trecho de serra, com descidas bem acentuadas e belas paisagens ao redor, um prato cheio para quem gosta da adrenalina e também de contemplar a natureza. Na volta, nos deparamos com uma bela e intrigante espécie de aranha que estava imóvel, porém, parecia estar em estado de ataque ou defesa, pois duas de suas patas dianteiras estavam levantadas de forma ameaçadora.

Seguimos em frente, de noite, e com algumas baixas pelo caminho, alguns por razões de condições físicas ou por problemas com a bicicleta, acabaram aderindo ao carro de apoio que acabou sendo providencial. Chegar em Garça, parecia seu um grande troféu para quem quem continuava a pedalar, o cansaço era evidente após dezenas de quilomêtros percorridos e e de encarado muito areião pelo caminho, eu mesmo pensei em desistir por um momento, quando câimbras ameaçaram atacar minha perna. Apesar das dificuldades, ainda chegamos em 05 ciclistas ao final, tomar um banho, alimentar-se e descansar era tudo que queríamos naquele momento.

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Trata-se do lugar mais isolado de nossa região, são raros os carros que passam por ali, não há nenhuma venda pelo caminho, e nem casas próximas à estrada. Chama a atenção também como muda a agricultura estabelecida nesta parte rural, há grandes plantações de laranjais por toda parte, o que mostra que a produção agrícola de Garça e região não vive apenas do café, além da laranja, também existem outras plantações, como de macadâmia, seringueiras, eucaliptos, árvores frutíferas, até mesmo de palmito pupunha, entre outras, o que mostra a diversidade do meio rural que muitos moradores da cidade ainda não tomaram conhecimento.

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Cachoeira da Hípica e a Infestação de Aranhas (Inédita)

Foi com grande prazer que conhecemos uma nova e bela cachoeira em Garça, e como esta terra é fecunda em belezas naturais, não é de se estranhar mais esse achado, e muitas outras existem nas redondezas ainda a espera de ser explorada e registrada.

Esta cachoeira é relativamente próximo a cidade, fica localizada dentro da propriedade da antiga hípica, mas do lado esquerdo da pista, o acesso foi pela estrada do saltinho que leva ao município de Gália, mas bem no início dela é preciso entrar a direita e percorrer um caminho ladeado de plantação de mogno que até parece ser um labirinto repleto de subidas, descidas e curvas.

Enfim, chegamos a espera e inédita cachoeira, apesar de não ser muito alta, por volta de 4 metros de altitude, é muito boa para banhar-se, a água limpa e com bom volume, ainda há um poço amplo e raso em volta da queda. É mais um pedacinho da exuberante natureza garcense, escondida como tantas outras, apesar de próximo a cidade.

No entanto, o desafio neste dia nem foi chegar até a cachoeira, mas sim continuar pedalando conforme o programado logo após sair dela. Como foi um pedal pós trampo, o sol se pôs e uma verdadeira infestação de aranhas se fez presente e tomou conta dos arredores, para todos os lados e caminhos haviam teias enormes com dezenas de aranhas estavam espalhadas e construindo espécies de paredes de teias quase intransponíveis. O ruim, é após passar por algumas teias, uma próxima a outra, chegamos a conclusão de voltar pelo mesmo caminho seria a melhor opção naquele momento. No vídeo abaixo é possível perceber o motivo da desistência, é porque a situação estava complicada mesmo.

Rudi Arena

Acesse este link para ver o vídeo das aranhas e a dificuldade de seguir em frente com as bikes frente a tantas teias pelo caminho

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Pico do Cárcara – Próximo ao Aeroporto de Garça

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Existem ao menos duas formas para chegar a este belo lugar, por se tratar de um lugar muito próximo a cidade, existe acesso ao final do Bairro Jardim São Lucas, sentido a ONG de Assistência Social Alfa e Ômega  e de lá seguir em direção a estação de tratamento de esgoto do SAEE, não sei ao certo o caminho, mas sei que existe uma trilha do outro lado do curso do rio para também chegar ao locar.

O único caminho que a gente faz, é mais longo porque é preciso dar uma volta, o acesso é pela estrada de terra do Aeroporto de Garça, mas antes dele, é preciso pular uma cerca à esquerda,  pedalar pelo pasto como se estivesse voltando para a cidade, mas o destino mesmo é chegar até um encontro de dois córregos que formam o início do Rio Tibiriça  e torna uma só cachoeira de grande altitude. Porém, infelizmente no mesmo momento em que existe a beleza do encontro das águas formando uma só cachoeira, lamentavelmente também há encontro do esgoto tratado que é lançado nas águas até então limpas e próprias para banho que existe nas cachoeiras rio acima.

Por isso, não é  é possível tomar banho em baixo da grande queda, tem que ser antes deste belo e deplorável encontro simultâneo de três águas, sendo que uma delas é uma canaleta de concreto no meio do leito dos dois córregos que jorra o esgoto tratado, tudo isso em um lugar em que há uma visual belíssimo, com muito verde, água e grandes paredões. Se o esgoto fosse lançado mais para frente, seria um ótimo lugar para explorar o potencial de ecoturismo que a cidade possui, pois tem uma localização privilegiada e com belezas naturais incríveis. Tudo isso a alguns pouquíssimos quilômetros de distância da cidade ou se preferir, à alguns minutos do ambiente urbano.

Entretanto, dos males o menor, ao menos o esgoto é tratado. Infelizmente, ainda é comum em cidades da nossa região de lançarem esgoto não tratado direto nos leitos dos rios.

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Trilha do Urubu e Descida pela Fazenda Antinhas – Garça-Sp

Pedal com todos os ingredientes de uma verdadeira trilha de mountain bike, tem um pico de uma cachoeira bem alta e com visual fascinante, subindo ainda o curso da água, também há um belo e amplo poço, lugar ótimo para tomar uma banho e relaxar um pouco.

Depois, não tem muito refresco, é pedalar firme na maior parte em chão de pasto que obriga o ciclista a gastar mais energia para pedalar, ainda bem em compensação, boa parte da trilha é repleta de belas paisagens de serra, com paredões e vales.

Um dos trechos mais aguardados é a descida ao fundo do vale pela Fazenda Antinhas, em terreno acidentado, a íngreme descida é campo fértil para eventuais tombos, e foi o que ocorreu. Em seguida, é preciso seguir andando pela grama e atravessar alguns brejos até enfim pular uma cerca para chegar quase no final em uma estrada de terra.

Daí em diante, força, coragem e ânimo, pois é subida que não acaba mais até finalmente voltar para a estrada de asfalto que leva para Itiratupã, Distrito de Jafa no município de Garça-SP. Total do Percurso foram 44 Km rodados, mas a sensação foi de que havia sido mais do que isto.

Rudi Arena

Descida – Fazenda Cachoeiras de São Pedro – Garça-SP

Esta é uma verdadeira trilha de Mountain Bike, é farta em pirambeiras e paisagens de tirar o chapéu, mas a cereja do bolo é a descida excessivamente inclinada e o terreno também não facilita, então o grande desafio é descer montado na bike a descida inteira.

Tarefa esta dificílima, é preciso muita técnica e concentração e todo cuidado é pouco, sempre que vai lá alguém cai, já foram ao menos 5 tombos, desta vez não foi diferente.

Como tudo que desce uma hora tem que subir, é de se prever que a subida será bruta como a descida, e parece ser ainda mais inclinada e um terreno acidentado de pedra faz com que na maior parte só seja possível subir empurrando a magrela. Rolê curto, mas bem cansativo.

Capote do Bororo – Faz. Antinhas – Itiratupã – Garça-SP

No fundo de um belo vale na direção do bairro rural de Itiratupã, ocorreu um tombo de bicicleta com nosso amigo de pedal Bororo. Ele, ao encarar uma desafiadora descida, bastante íngreme e acidentada, acabou sofrendo uma forte queda.

Felizmente, apesar de alguns ralados e hematomas no corpo, nada de muito sério aconteceu. Na hora da queda foi um grande susto, mas por outro lado, ao ver que ele levantou  rapidamente do chão e já dando risada, foi um grande alívio. Por isso, não é demais lembrar da importância do uso de capacete.

Rudi Arena

Cachoeira do Pneu (Inédita)

Esta é mais uma cachoeira que o PIRAMBA MTB conseguiu registrar, sem sombra de dúvidas ela é bem imponente, é alta, tem um bom volume de água e também a queda d água possui vários degraus, o que a embeleza ainda mais. Porém, a água é turva, cheira mal, e no curso do rio até chegar a cachoeira encontramos muito lixo mesmo, e chamou a atenção a quantidade de pneus, a maioria de bicicleta, mas encontramos também de moto e até de caminhão,  garrafas PETs e  sacos plásticos aos montes,  cena triste, um lugar tão lindo e que o homem estragou. Também não é pra menos, essa cachoeira é quase  que o bueiro da cidade de Garça,  está localizada na parte à direita dos vales  que existem atrás do Bosque Municipal, mais ou menos na altura do Lago artificial da cidade.

Tudo começou porque em outro pedal chegamos ao alto de uma cachoeira e a vontade de chegar em baixo para tomar aquele banho ficou martelando na cabeça. Assim, em um outro dia, decidimos ir até lá, mas chegou um momento que não era mais possível prosseguir pedalando, então amarramos as bikes com um cadeado junto a uma pequena árvore e seguimos a pé. A volta foi realmente uma verdadeira aventura displicente, ao invés de fazermos o mesmo caminho da ida, resolvemos não voltar pela águas sujas do rio, porém, a opção de escalar o paredão até chegar o lugar em que deixamos nossas bikes não das tarefas mais fáceis e exitosas. Foi necessário subir escalando literalmente por pedras e as vezes beiradas de morros no fio da navalha,  sempre com lembrança iminente  de que uma queda implicará em sérias e dolorosas consequências.

Entretanto, o pior ainda estava por vir, após a tortuosa, demorada e tensa subida, acabamos saindo longe de onde estavam as bicicletas e o por do sol já se anunciava, estamos um trapo de cansados, era preciso procurar a bikes, mas onde exatamente mesmo é que elas estavam? Havíamos deixado as bicicletas bem pirambeira a dentro, em meio a uma pequena mata no alto de um morro. É, ocorreu que acabou faltando disposição e sol para chegar até as magrelas naquele dia. Então não sobrou outra alternativa a não ser ir embora para casa a pé, e ainda bem que o lugar é próximo à cidade, e combinamos  de voltar cedo no dia seguinte com a missão de localizá-las. No final tudo deu certo, mas que este dia foi bem emocionante , daqueles que ficará vivo na memória para sempre.

Descobri também que a Cachoeira do Pneu não é a cachoeira que queríamos chegar inicialmente, aquela e que havíamos chegado pelo alto, esta tem água transparente e menor volume de água, e há alguns anos já tínhamos chegado nela por baixo, confira este vídeo: https://www.youtube.com/watch?v=0eTHE3N-Ycs . Mas por outro lado, acabamos conhecendo uma bela cachoeira, mas que  infelizmente não é própria para o banho.

Rudi Arena

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Cachoeira da União – Pico do Tucanos – Torres

Pedalar por esta trilha é sempre gratificante,  pois é  a certeza de que encontrará belas paisagens da serra que existe ao lado direito da Estrada da Bomba e também pode contar um refrescante de banho de cachoeira. Neste dia, no meio da pirambeira o “S” ou câmbio traseiro da bike do nosso amigo Fabiano quebrou de forma que não tinha recuperação alguma, o momento foi de tensão, voltar a pé seria uma tarefa muito árdua, não teria como pedir socorro de alguém de carro, pois só havia pasto, vales e trio de boi a nossa volta e voltar a pé carregando a bicicleta depois de tudo que já havíamos descido não seria nada fácil.

No fim, a solução encontrada foi a de amarrar o “S” com borracha de câmera de bicicleta e cortar vários gomos da corrente de modo que deixasse em uma marcha só e sem a necessidade do câmbio traseiro. E não é que deu certo, graças ao bom trabalho do pirambeiro Rafael que estava com sua chave de corrente de prontidão. Depois de superado este nem tão pequeno contratempo, seguimos em frente até chegar ao Córrego do Barreiro e subimos  o íngreme e cansativo morro para voltar à Garça pelas antenas e a estrada do Jardim Adrianita.

São 26 Km de trilha,  mas a sensação ao final do pedal é de que foi mais, pois é um pouco cansativo também percorrer um terreno difícil de andar de bike, com alguns obstáculos no caminho, como mato no meio do trio de boi ou este tão fundo e estreito que não é possível pedalar, mas isso é também o que deixa o pedal ainda mais gostoso, pois se só houver facilidades, perde-se um pouco a graça do negócio. Trilha mais que recomendada,  é super legal para pedalar e contemplar a natureza exuberante que existe no entorno do perímetro urbano, e que a maioria esmagadora dos habitantes da cidade, infelizmente,  não a conhece.

Rudi Arena

 

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Cachoeira do Cantu

 

Simplesmente a cachoeira mais encantadora de Garça e região, é água que cai por todos os lados e ainda há um belo poço para banhar-se. Fantástica.