Um Patrimônio Histórico em Ruína. Até Quando Esperar?

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Recentemente fomos de bike até a Igreja da Companhia Inglesa, e o que vimos é preocupante, um patrimônio histórico, cultural e arquitetônico a espera de seu fim anunciado, que não deve tardar em chegar. Se permanecer o abandono, o desabamento de sua frágil estrutura é questão de tempo e infelizmente não temos notícia de que algo está sendo feito para evitar o pior. A degradação de um patrimônio histórico é triste, mas a sua perda, é irreparável, por isso, urge que as autoridades competentes tomem alguma medida para a preservação e quem sabe a sua restauração.

Não dá pra se conformar com este fim, pois o lugar tem uma história tão rica e a igreja traços arquitetônicos tão belos, cujo valor é impossível estimar em dinheiro. Não há nada pague a preservação do passado, da história, do valor artístico da arquitetura, além de ser um lugar que fez parte da vida de milhares de moradores que passaram pela da Fazenda São João ou Fazenda dos Ingleses. Foram os áureos tempos, e hoje virou um abrigo para pássaros e morcegos, mas que ainda assim, atrai muitos visitantes, o que demonstra o potencial que lugar tem para atrair um turismo histórico-cultural.

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Esta peculiar e bela igreja preenche todos os requisitos para que o imóvel seja tombado como patrimônio histórico e arquitetônico, mas isso não garante a sua restauração, apenas proíbe que seja demolido ou descaracterizado. A igreja está localizada em Gália-SP, portanto, as autoridades locais poderiam envidar esforços para ao menos o seu tombamento, o investimento na restauração dificilmente o município de Gália arcaria, ainda mais em tempo de crise, mas com a iniciativa do tombamento, o próximo passo seria buscar recursos estaduais ou federais para a restauração. Seria interessante uma hipotética cooperação entre as prefeituras de Gália-SP e Garça-SP, ambas poderiam se beneficiar com a iniciativa, e quem sabe a Igreja Católica não poderia contribuir também com algo, ou restará a sociedade civil se organizar para isto?

De qualquer forma, é preciso ser realista, não há saída simples para este caso, é uma corrida contra o tempo, e este é inexorável, não perdoa nada e nem ninguém. O primeiro passo deveria ser o seu tombamento, mesmo que seja um processo demorado e burocrático, mas com o reconhecimento público e oficial de seu valor, ficaria mais fácil angariar e convencer da necessidade de se investir na restauração do templo católico, antes que seja tarde demais ou ainda mais custoso.
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Como é possível ver nas fotos tiradas há alguns dias atrás, a fachada da igreja está com uma enorme rachadura de ponta a ponta, e por dentro, o teto está cheio de aberturas e escorado por estacas de forma precária, as paredes próximas ao altar também possuem grandes rachaduras, a escada interna de madeira está em frangalhos, e todos os belos e coloridos vitrais da igreja estão quebrados.

Se sonharmos um pouco, ali poderia voltar quem sabe a ser uma linda igreja, onde pudessem ser celebradas cerimônias religiosas para a comunidade da região, ou então uma espécie de museu para resgatar a rica memória da Companhia Inglesa e da Fazenda São João. Ou será que teremos que nos conformar em assistir passivamente a sua progressiva deterioração até a definitiva perda deste inestimável patrimônio de nossa história?

Rudi Arena

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Lucianópolis pela Companhia Inglesa 80km

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Desde que havíamos ido ao município de Fernão pela estrada de terra que passa pela Igreja da Companhia Inglesa e nos deparamos com uma trifurcação pelo caminho, à esquerda Fernão, à direita Ubirajara e se seguíamos em frente Lucianópolis. Então, vira e mexe era cogitada a ideia de ir pela primeira vez até lá para conhecer a cidade e suas redondezas.

Em uma tarde em que estávamos animados para andar os 80 km propostos, seguimos em direção a este pequeno município, mas pela terra, e como é só pegar estradão e mandar bala, não demorou muito para chegar em Lucianópolis. Chegamos antes mesmo do que o previsto, e visitamos uma bela praça com uma simpática igreja e aproveitamos também para descansar um pouco e tomar algo em um bar ali próximo.

Na volta, para não ter que fazer o mesmo caminho da ida, resolvemos seguir por Fernão-SP, Gália-SP, até chegarmos novamente em Garça, com sentimento de dever cumprido. É um pedal que flui bem, o tempo rende e muito bom pra dar condicionamento, e apesar da quilometragem de 80 km que a princípio pode parecer bastante, não é tão desgastante como muitas trilhas cujos quilometro rodados não chegam nem perto disso.

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