Mountain Bike e Carrapato, Uma União Inevitável?

Carrapato Estrela ( Amblyomma cajennense)

Domínio: Eukariota
Reino: Animal
Subreino: Metazoa
Filo: Arthropoda
Subfilo: Chelicerata
Classe: Arachnida
Ordem: Acarina
Família: Ixodidae Argasidae

Carrapato Estrela - Micuim

Carrapato Estrela – Micuim

Carrapato Estrela Adulto

Carrapato Estrela Adulto

O foco desta post é conhecer um pouco mais desse pequeno e inconveniente parasita, que são animais artrópodes, da classe dos aracnídeos (como a aranha) e da ordem dos ácaros. Quem faz trilha de mountain bike com frequência, certamente já se deparou com esse bichinho inconveniente, e normalmente é sempre o carrapato estrela ou micuim (Amblyomma cajennense) que aparece para dar o ar graça, que por sinal não tem graça alguma. Ao contrário do que se pensa, o micuim não é um tipo de carrapato, mas um estágio de sua vida. O micuim é a larva do carrapato e é nesta fase que ocorrem a maioria dos ataques.

O assunto veio-me á tona porque no último pedal um amigo relatou ter encontrado após a trilha vários carrapatos em seu corpo, depois um outro também disse ter achado, não é a primeira vez que isso ocorre, muito pelo contrário, os ataques de carrapatos são bem mais comuns em humanos do pode parecer e podem trazer transtornos e doenças. No entanto, não serão esses seres minúsculos e irritantes que farão com que deixemos de pedalar pirambeira adentro, é claro.

Caso seja picado pelo carrapato estrela, molhe-o com álcool que ele morre desidratado. Antes de morrer ele recolhe a boca. Senão ele fica coçando por alguns dias, os pedacinhos dele ficam dentro da nós e pode dar alergia e inflamar o local. Pode-se usar o álcool gel que o ele morre embriagado, assim, tem uma morte feliz, pelo menos, menos dolorosa para esses nossos indesejados e eventuais companheiros de trilha.

Os períodos de incidência estão relacionados a condições de seca e baixas temperaturas para as formas jovens e de maior umidade e temperatura (tempo úmido e quente) para adultos. Mudanças climáticas, ao longo dos anos, podem alterar as épocas de ocorrência.

Importante lembrar que apesar dele ser um transmissor da perigosíssima febre maculosa, não é preciso entrar em pânico se for picado por um, é que para isso é preciso que ele esteja contaminado com o hospedeiro da bactéria Rickettsia rickettsii, o que não é a regra. Mas é obvio que não é bom também dar sopa para o azar, se puder evitá-lo, é sempre melhor.

O período de incubação é de 7 a 10 dias. Se for picado, é preciso atentar para que se neste período ocorrer uma espécie de “gripe” forte, pode ser a febre maculosa, então a pessoa deve procurar um posto de saúde e solicitar o tratamento específico que é simples se detectado no início,e está disponível na rede pública. Para que a transmissão da febre maculosa ocorra são necessárias pelo menos 6 horas de fixação do carrapato no hospedeiro. A transmissão é mais comum quando o carrapato se encontra nos estágios de larva ou ninfa, pois o adulto tem uma picada dolorosa, de modo que é rapidamente percebido e removido.

No site: http://vilsonarruda.blogspot.com.br, o entomólogo Luiz Antonio da Silveira Melo, pesquisador da Embrapa Meio Ambiente (Jaguariúna, SP) conhece bem o carrapato-estrela, Amblyomma cajennense. Ele explica que sua ocorrência pode estar em todas as regiões do país e sua picada, além de produzir intenso prurido no local e lesões na pele, pode inocular a bactéria Rickettsia rickettsii, causadora da febre-maculosa.

Em relação as fases carrapato estrela, o especialistas explica: “O ciclo inicia-se pela larva ou micuim que é um carrapato minúsculo, com 6 pernas, difícil de se ver. Por isto as pessoas são mais picadas nessa fase”, diz. Após alguns dias alimentando-se do hospedeiro, as larvas vão para o solo, trocam de pele e passam à ninfa, que tem 8 pernas, voltando para o hospedeiro. Nessa fase os carrapatos têm por volta de 4mm de comprimento, são castanho-escuros e facilmente visíveis. Sugam sangue até ficarem “inchados”, voltam para o solo, passam para a fase adulta e retornam à última hospedagem, onde há o acasalamento. Depois, o macho morre e a fêmea permanece sugando sangue até ficar ingurgitada (bem gorda), caindo ao solo para fazer a postura que pode ter de 5 mil a 8 mil ovos. O pesquisador explica que, “para chegarem no hospedeiro, o carrapatos sobem pela vegetação, principalmente em capins e ficam à espera da passagem de um animal ou de uma pessoa, agarrando-se a ela. Na época de grande infestação, podem também chegar pelo chão, subindo pelos pés”

Ciclo_de_vida_do_Carrapato-estrela

Cuidados necessário para evitar infestação em Humanos:

-usar roupas compridas para evitar o contato com a pele e de cores claras, para permitir visualizar o carrapato com mais facilidade.

-usar se possível, calçados de cano longo, e se não estiver de calça, usar meião de jogar futebol para diminuir o máximo possível a área do corpo vulnerável ao ataque de carrapatos.

– procurar e retirar os carrapatos imediatamente depois de retornar da trilha.

– Se o carrapato grudar na pele, molhar um algodão com álcool para que ele saia rapidamente.

– a retirada do carrapato pode ser feita com o uso de uma pinça e com calma, através de leve torção para liberar as peças bucais do invertebrado. Não esmagar os carrapatos com as unhas, pois pode haver a liberação das bactérias ou contaminar a lesão na pele decorrente da picada do micuim.

– usar repelente específico para carrapato como da marca Exposis, é uma boa forma de evitar a picada.

– antes de lavar a roupa suspeita de estar com carrapato, deixá-la de molho no vinagre.

– após a exposição em áreas com suspeitas de carrapatos, tomar banho com sabonete de enxofre que é vendido em farmácias.

Estes cuidados são importantes para quem faz trilha de mountain bike, em especial, nos meses frios e secos do ano, época de predominância dos micuins. Espero que conhecendo melhor esses impertinentes companheiros de trilha fica um pouco mais fácil de lidar com suas picadas ou mesmo evitá-las.

Rudi Arena

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