A Incrível Casa Submarino de Campos do Jordão

A Estadia na Casa Submarina

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Por obra do acaso, a estadia da última viagem do Piramba acabou sendo em lugar espetacular, e muito pela beleza das montanhas da Serra da Mantiqueira ao redor da casa onde ficamos. Mas não só por isso,  principalmente por ela ser muito diferente, não só a  sua arquitetura que é o que mais chama a atenção a primeira vista, como dos móveis e utensílios presente no seu interior.

Assim, não poderia deixar de fazer este vídeo exclusivo dessa fantástica Casa Submarino que fica na zona rural de Campos do Jordão-SP. O imóvel é de uma arquitetura tão moderna que foi objeto de um artigo da Universidade de São Paulo (USP), e com base nesses estudos é que foi escrito o presente texto, mas com o interesse de ir além em algumas questões.

Neste Post, apresentamos imagens inéditas do mirante, também registramos fotos de objetos e ângulos da casa que o artigo da USP não abarcou. A proposta desta postagem é ir além da abordagem puramente arquitetônica, e registrar novas imagens e com mais detalhes desta casa que é para lá de diferenciada,  um patrimônio histórico/arquitetônico, e de tão peculiar que é, deve ser preservado. Outra intenção deste texto, é também o de procurar reconstruir um pouco da história e perfil do grande autor dessa verdadeira obra de arte.

Passar quatro noites nessa casa foi uma experiência incrível e uma oportunidade única. Logo que cheguei ao local fiquei surpreso e maravilhado com a forma daquela casa de campo que logo remetia a um submarino. Campos do Jordão é famosa por ser o município mais frio do Estado de São Paulo, e esta casa fica ainda em um lugar bem mais alto do que a cidade, cercado de vegetação de montanhas, por isso além de muito belo o entorno, o frio que se faz ali é muito severo.

Teve uma noite que tivemos uma visita noturna e sorrateira de um morcego dentro da casa, mas não ficou muito tempo, logo se foi, não ficou muito a vontade conosco.

Para conhecer melhor a casa, um dia a noite, subimos uma escadaria antiga de madeira para conhecer o mirante.  Aproveitamos a existência da lareira e o frio intenso para por fogo na lenha e assim esquentar a sala todas as noites. Na falta de TV, ficávamos conversando e muitas vezes, sobre as características dos móveis do lugar e sua qualidade, a antiguidade e a engenhosidade dos objetos, tudo isso chamava muito a nossa atenção.

Também ouvimos falar de que quem construiu a casa tinha sido um senhor  considerado judeu que tinha receio de perseguição nazista e que o mirante e a localização remota da casa era um sinal de que esta poderia ser uma opção de refúgio em caso de alguma necessidade. E realmente, ainda hoje com todo o desenvolvimento e expansão urbana de Campos do Jordão, o local continua bem escondido entre as montanhas e vegetação características do município. Então é de se imaginar como seria no final dos anos 40 do século passado, há quase 80 anos atrás, devia ser um lugar ainda mais isolado, sem dúvidas, um ótimo esconderijo.

E também tem uma outra curiosidade, este engenheiro judeu construiu também outras duas edificações com mirantes. Parece que ele tinha uma certa fixação em poder ter uma boa visão dos arredores, só não sabemos se é simplesmente para apreciar a vista ou se havia ainda um outro interesse, como para fins de segurança, que serviria como espécie de guarita para ter melhor visão dos arredores.

As Referências a um Submarino

 

A chaminé da lareira é, literalmente, um mirante, como também o é a vela do submarino. Aberturas na forma de escotilhas, uma sequência de blocos de vidro que repetem ao mesmo ritmo e lembram pequenas aberturas dos submarinos, dutos que se assemelham à diversos periscópios e a relação do elemento vertical da lareira com a curvatura da elevação sul, reforçam a referência à linguagem formal dos submarinos nucleares da década de 1950.

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Sobre a Casa Submarina 

A casa Klabin foi construída, muito provavelmente, entre os anos de 1948 e 1956 Fica em uma área de 121.000 m², aproximadamente à 14 km do centro de Campos do Jordão e foi uma das primeiras casas construídas no Parque do Ferradura, um loteamento empreendido pela Companhia Imobiliária e Financeira – C.I.F., de Paulo Plínio da Silva Prado, nos anos 1940, que ainda é pouco ocupado e apresenta características bastante rurais.

Implantada seguindo orientação rigorosa norte-sul para as maiores elevações, no pico mais alto do terreno, a casa se assenta em uma área aplanada, de forma aproximada de uma elipse. É certo que se destaca em relação a paisagem, às outras pequenas construções do entorno, entretanto, a vegetação densa e alta que margeia o terreno junto à estrada a isola, esconde e protege.

 

A casa apresenta certa figuratividade. Faz alusão ora ao submarino, a partir da elevação sul, ora ao transatlântico, com a sinuosidade dos planos de fechamento da cobertura de acentuada inclinação. Reforça estas referências o volume vertical da chaminé da lareira, que além de concentrar parte da infraestrutura de calefação (lareira, caldeira e aquecedor), também comporta um mirante, cujo acesso se dá através de uma escada-alçapão, engenhosamente construída.

Imagens da Chaminé Mirante

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Móveis Racionalistas e Engenhosos

Nos móveis concebido por E. Klabin, é importante destacar não só a presença de um design bastante elaborado, como de alta qualidade na execução e do material utilizado. Chama atenção não só conjuntos e peças sobre rodízios, os objetos articulados, modulados, que expandem e retraem, como o grande cubo-adega ou os pequenos armários-cubo da cozinha, mas principalmente aqueles que estão imbricados às paredes, portas e janelas.

Interessante pensar que a flexibilização que pressupõe, ou mesmo a racionalização do uso dos espaços que possibilitam, estaria fortemente associado a uma ideia de máximo aproveitamento do espaço, o que parece não ser necessário no contexto em questão. Armários embutidos em nichos ou junto às paredes, ou mesmo formando divisória entre ambientes, foram exaustivamente explorados no contexto do modernismo dos anos 1920 e 1930, quando a pauta era a discussão da habitação mínima urbana. Seriam eles aqui, artifícios que dotaria a casa de certo ar de modernidade? Ou seriam também apenas “experimentos” como talvez o fossem os dispositivos como o brise móvel, ou mesmo a parede-abertura articulada?

A parte interior da casa sugere certo rigor, certo apego a procedimentos que remetem a princípios  funcionais, racionalistas, de flexibilidade. O exterior, ainda que apresente um jogo volumétrico marcante e conciso, recorre, como procedimento, à disposição de uma diversidade de elementos com um apelo figurativo, prioriza certo tratamento “fachadista”, que lhe imprime uma atmosfera fake, estranha, por vezes provocativa, bem mais próxima de uma outra vanguarda, literalmente, pós-moderna. O que parece claro, é que, independentemente do processo projetual de E. Klabin ser convencional ou não, de ser referendado por uma formação formalista, sua prática estava imbuída da noção da “construção como todo”, da premissa de que o design integra a obra nas suas diferentes escalas, assim como pensavam alguns notórios que foram seus contemporâneos. Talvez seja exatamente aqui que o modernismo em arquitetura se materialize na casa de Campos do Jordão. “

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Técnicas Utilizadas na Casa

Sugere certo apego a procedimentos e princípios racionalistas. Se, por um lado, o caráter plástico formal da casa chama atenção, seu autor também se destaca. Irmão de Mina Kablin e cunhado de Gregori Warchavchik, esteve em contato direto com um contexto de efervescência cultural, especialmente ligado a arquitetura modernista no Brasil de meados dos anos 1920 e 1930, além de ser um empreendedor do setor imobiliário que se mantinha próximo ao canteiro de obras.

 

Na obra única, isolada e declaradamente autoral, para deleite doméstico, explorações e inquietações parecem poder florescer, entrar em ação, assim como certo descompromisso com regras e princípios previamente estabelecidos e demarcados. Pode-se ser ambíguo, ousado, pode-se brincar. Sem necessidade de legitimação, sem querer ser exemplar, emblemático. Ou mesmo precisar seguir legislação e códigos de posturas. A casa, que se situa longe da cidade, que está alheia à exposição urbana, está também livre dos juízos de qualquer natureza. Seu autor tem também, como talvez desejado, garantido o anonimato.

Porta Armário

 

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Emmanuel Klabin, Um Rico Ermitão?

O autor do projeto e primeiro proprietário da casa localizada no Parque do Ferradura, em Campos do Jordão, foi Emmanuel Klabin , Nascido em 1902 e falecido em 1985, foi o filho mais novo do industrial, imigrante lituano de origem judaica, Maurício Freeman Klabin e de Berta Osband Klabin. Era irmão de Jenny Klabin, casada com o pintor Lasar Segall, e Mina Klabin, casada com o arquiteto Gregori Ilitch Warchavchik e de Luísa Klabin, casada com médico Ludwig Lorch (VALADARES, 2011).

Sabe-se que Emmanuel Klabin teria estudado engenharia elétrica, primeiro na Escola Polytechnica de São Paulo (instalada em 1894), depois em Edimburgo, na Escócia. Com o falecimento do pai, em 1923, Emmanuel Klabin, ainda muito jovem, passa a assumir parte da administração dos bens da família, que incluíam vastas porções de terras em vários bairros da cidade de São Paulo, e ainda, alguns dos recursos provenientes de indenização recebida com a saída da família da empresa Klabin Irmãos & Cia. (KIC), fundada pelo pai em 1899.

E. Klabin era avesso às relações familiares, cultivava poucas amizades, mantinha-se, de certa forma, isolado, o que levou alguns entrevistados a descrevê-lo como ermitão. Ainda que seja demasiado arriscado incorrer em imprecisões, é marcante as descrições quanto ao distanciamento que estabelecia, deliberadamente, da sua família, mesmo tendo tantos negócios em comum.

Possível Elo com o Modernismo     

Não se sabe se será possível recuperar as circunstâncias em que esse distanciamento foi estabelecido, e de que forma, mas ele justamente contradiz uma das proposições primeiras que se elaborou quando se visitou pela primeira vez a casa Klabin em Campos do Jordão: a de que ela teria sido concebida sobre a influências de princípios modernistas em função da relação entre a família Klabin e o arquiteto G. Warchavchik. Lira (2007, pg. 145), um dos principais estudiosos sobre este arquiteto, apresenta-o como “elo fundamental entre arquitetura e modernismo no Brasil”, elo corroborado pela historiografia em maior ou menor grau, com matizes diferentes, como se sabe.

Entretanto relatos parecem delinear uma personalidade ímpar, não só avessa às formalidades, mas provocadora em certos momentos e que fazia questão de manter distância dos círculos em que atuavam suas irmãs e seus já notórios cunhados, G. Warchavchik e L. Segall. No trabalho de Forte (2008) o nome de E. Klabin figura como um dos membros da SPAM Sociedade Pró-Arte Moderna, uma agremiação idealizada e dirigida por L. Segall entre os primeiros anos da década de 1930, formada por artistas e intelectuais de elite, “num processo de continuidade aos procedimentos da Semana de 1922” (FORTE, 2008, p.10).

Ainda que elencado como membro desse grupo na categoria “Amigos das Artes”, fica a dúvida se ele realmente participou das atividades do grupo. Ou se tratou de mais uma prerrogativa das atividades “obrigatórias” relacionadas à atuação da família, seja em âmbito social, jurídico-legal, ou ainda, no plano dos negócios, em que seu nome aparecia sem que ele, necessariamente, estivesse, de fato, envolvido com as ações em questão. Exemplo disso pode ser ilustrado pelas atuações como representante legal dos herdeiros de Maurício Klabin nos processos protocolados junto à prefeitura para a obtenção de Alvará de Construção, apresentados por Invamoto (2012). Em 1927, ele assinou os pedidos iniciais de dois projetos de G. Warchavchik, a serem construídos em terrenos dos Klabin: o da famosa casa da Rua Santa Cruz7 , na mesma Vila Mariana, e do conjunto de casas Barão de Jaguara, na Moóca.

“A título de curiosidade há inclusive uma carta que documenta a queixa de Emmanuel Klabin de que sempre ficava com os piores terrenos, de maior declividade só porque era engenheiro” (INVAMOTO, 2012, p. 224).

Se esses relatos atestam a proximidade entre E. Klabin com os membros da família. Construída em 1928 para ser residência do próprio arquiteto e de sua esposa, essa casa é, segundo Lira (2007, pg. 164), “considerada a primeira obra brasileira de arquitetura moderna, salão modernista dos mais importantes da cidade” que eram protagonistas e ativistas em um “momento construtivo mais amplo na história cultural no modernismo brasileiro” (LIRA, 2007, pg. 145), ao mesmo tempo, não atestam sobre o caráter dessa proximidade.

O que parece importante destacar aqui é que, ainda que avesso a sociabilidades, e aparentemente se mostrando alheio e pouco engajado com as “questões modernas”, especialmente voltadas a arte, arquitetura e construção, E. Klabin esteve em contato direto com contexto de efervescência cultural que estava à sua volta, seja no círculo familiar, seja no circuito da elite local à qual pertencia. Parece inegável que tenha tido, especialmente quando jovem adulto, no Brasil e exterior, contato com intelectuais e artistas, pessoas que “emprestaram seus espíritos irrequietos à busca de superação de paradigmas, atentos ao que se passava em áreas, países e culturas distintos dos seus, dispostos a colocar seu trabalho em prol da redefinição de linguagens e de referenciais.

Entretanto, ao que tudo indica, esse contato parece ter reverberado apenas em numa instância de prática privada, e para ser apropriada de forma esporádica, como nas casas de campo. Sua “produção rentista”, urbana, anônima até então, passou despercebida ao lado do conjunto dos empreendimentos habitacionais patrocinados pela iniciativa privada.

Na obra única, isolada e declaradamente autoral, para deleite doméstico, explorações e inquietações parecem poder florescer, entrar em ação, assim como certo descompromisso com regras e princípios previamente estabelecidos e demarcados. Pode-se ser ambíguo, ousado, pode-se brincar. Sem necessidade de legitimação, sem querer ser exemplar, emblemático. Ou mesmo precisar seguir legislação e códigos de posturas. A casa, que se situa longe da cidade, que está alheia à exposição urbana, está também livre dos juízos de qualquer natureza. Seu autor tem também, como talvez desejado, garantido o anonimato.

O contato com fluxos e redes de atores envolvidos com a modernização nos anos 1920 e 1930, com um circuito cultural atualizado, de renovação em amplo sentido, teria de certa forma condicionado, determinado, modelado o projeto da casa de Campos do Jordão, realizada vinte anos mais tarde? Os estudos em engenharia, as atividades de empreendedor realizadas tão proximamente aos canteiros de obras, teriam influenciado as “engenhosidades” curiosas, com caráter de maquinaria, da casa de Campos de Jordão, apresentadas abaixo? Quais ressonâncias da cultura arquitetônica teriam influenciado E. Klabin? Embora ainda seja difícil sugerir qualquer aproximação, a indagação primeira permanece: a casa é demasiado referenciada para ser fruto apenas do possível gênio inventivo do seu autor.

O Anonimato da Casa?  Poderia ser Emanuel Klabin um Judeu discreto com Medo do Partido Nazista do Brasil?

Também ouvimos através do pessoal que cuidou do inventário da Casa Submarino que  quem construiu a casa tinha sido um judeu que tinha medo de perseguição nazista e que o mirante para não ser pego de surpresa e a localização remota da casa, pode ser um sinal de que gostaria de ter uma opção de refúgio em algum caso em que se fizesse necessário. E realmente, ainda hoje com todo o desenvolvimento e expansão urbana de Campos do Jordão, o local continua bem escondido entre as montanhas e vegetação características do município. Então é de se imaginar como seria no final dos anos 40 do século passado, há quase 80 anos atrás devia ser um lugar muito mais escondido ainda, um ótimo esconderijo se preciso fosse.

E tem uma outra curiosidade, este engenheiro judeu construiu outras duas edificações com mirantes, ele tinha uma certa fixação em poder ter uma boa visão dos arredores, só não sabemos se é simplesmente para apreciar a vista ou se havia também outro interesse ou também por segurança, ou quem saiba os dois.

E que também existiu uma outra casa de campo projetada e construída por E. Klabin nos arredores de São Paulo, próxima à Rodovia Anchieta, na qual também seria destaque uma torre-mirante, que abrigaria uma caixa-d’água e uma adega. Segundo Mauris I. K. Warchavchik (2016), o tio construiu essa grande torre porque “ele queria ver o mar”. A sua própria casa da Vila Mariana, localizada na esquina das ruas Tirso Martins e Capitão Rosendo, parece que também foi construída seguindo suas orientações, e possuía alguns dispositivos da mesma natureza aos apresentados abaixo, na casa de Campos do Jordão.

Uma Informação interessante que muitos não sabem, é que foi o Brasil que abrigou o segundo maior partido nazista do mundo depois da Alemanha com mais 100 mil membros e espalhados em 17 estados da federação. Se o boato é verdadeiro, realmente pela época e circunstância, poderia sim existir bons motivos para ter um esconderijo.

A verdade é que muito pouca coisa se sabe sobre o assunto para poder responder afirmativamente, na ausência de provas seria leviano dizer que Emanuel Klabin tinha receio de ser perseguido por nazistas no Brasil. Mas, como já tivemos o maior partido nazista fora da Alemanha , e onde há fumaça, pode realmente ter fogo nessa história, pois se tiver consciência do contexto político e social da época nas décadas de 40 e 50 do século XX e especialmente no Vale do Paraíba, não seria de estranhar de um rico judeu, sabendo que existia muitos adeptos da ideologia nazista no Brasil, seria justificado um possível medo que fosse descoberta a sua origem, e assim sofresse as consequência em caso de ascensão do partido nazista no país.

 

Rudi Arena  

Fontes:

http://www.nomads.usp.br/virus/virus12/?sec=4&item=12

http://www.usp.br/agen/repgs/2004/pags/009.htm

Maior partido nazista fora da Alemanha Jornal: Gazeta do Povo

http://www.memorialdaresistenciasp.org.br/memorial/upload/memorial/bancodedados/131919609048689013_FICHA_CAMPOPINDA_2017.pdf

REFERÊNCIAS DO ARTIGO: “Imagens de certa modernidade: a Casa Klabin em Campos de Jordão, uma instância de experimentações arquitetônicas”

BIAGIONI, Benedita Costa. Benedita Costa Biagioni: entrevista concedida [mai. 2016]. Entrevistador: Denise Mônaco dos Santos. Registro sonoro 00:46:44.

BONDUKI, Nabil G. Origens da habitação social no Brasil: arquitetura moderna, lei do inquilinato e difusão da casa própria. 5.ed. São Paulo: Estação Liberdade, FAPESP, 2011.

CHINA’S new nuclear-armed submarine fleet could upset the balance of power in Asia. Business Insider Australia. Imagem. 2014. Disponível em <http://www.businessinsider.com.au/chinas-submarines-changing-balance-of-power-2014-10&gt; Acesso em 18 mai. 2016.

DOMINGUES, José Antônio. José Antônio Domingues: entrevista concedida [jun. 2016]. Entrevistador: Denise Mônaco dos Santos. Registro sonoro 00:45:31.

FORTE, Graziela N. CAM e SPAM: arte, política e sociabilidade na São Paulo moderna, do início dos anos 1930. Dissertação (Mestrado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2008.

INVAMOTO, Denise. Futuro pretérito: historiografia e preservação na obra de Gregori Warchavchik. Dissertação (Mestrado em História e Fundamentos da Arquitetura e Urbanismo) – Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

LARA, Fernão L. G. de. Modernização e desenvolvimentismo: formação das primeiras favelas de São Paulo e a favela do Vergueiro. Dissertação (Mestrado em Geografia Humana) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.

LIRA, José T. C. de. Ruptura e construção. Gregori Warchavchik, 1917-1927. Novos Estudos, São Paulo, Cebrap, n. 78, jul. 2007, p. 145-167.

MARTINS, Carlos Alberto Ferreira (Org.). Gregori Warchavchik. Arquitetura do século XX e outros escritos. São Paulo: Cosac Naify, 2006.

RÚSSIA desmantelará o primeiro submarino nuclear soviético. O Informante [Blog]. Imagem. 2013. Disponível em <http://codinomeinformante.blogspot.com.br/2013/03/russia-desmantelara-o-primeiro.html&gt; Acesso em 18 mai. 2016.

SALLA, Natália M. Produzir para construir: a indústria cerâmica paulistana no período da Primeira República (1889-1930). Dissertação (Mestrado em História Econômica) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2014.

V!RUS 12: Modernos Radicais. Chamada de trabalhos. V!RUS, São Carlos, n. 11, 2015. [online] Disponível em: <http://www.nomads.usp.br/virus/virus11/?sec=11&item=1&lang=pt&gt; Acesso em: 12 Mai. 2016.

VALADARES, Paulo. Lafer-Klabin de Poselvja: empreendedores e intelectuais brasileiros. Boletim Histórico do Arquivo Judaico Brasileiro, São Paulo, v.48, p. 36-40, out 2011.

WARCHAVCHIK, Mauris Ilia Klabin. Mauris Ilia Klabin Warchavchik: Entrevista concedida [mai. 2016]. Entrevistador: Denise Mônaco dos Santos. Registro sonoro 00:32:20.

História: A Vinda de Maurício Klabin e Família para o Brasil

Moishe Elkana nasceu na aldeia de Pazelva, parte da localidade de Želva, na atual Lituânia, à época parte do Império Russo, onde nasceu em 1860 e viveu até os 25 anos. Não se sabe com que dinheiro Moishe Elkana comprou terras na Rússia, pelo menos um pedaço de terra, o que era proibido. Por decreto do tsar Alexandre III, judeus não podiam ser donos de terras. Denunciado pelo sujeito de quem a comprou, lançou-se numa fuga desenfreada, percorrendo hora de carroça e hora apé Polônia e Alemanha até chegar, de navio, à Inglaterra.[2]

Quando soube, dois anos depois, que um imperador estava oferecendo terras de graça num país a milhares de quilômetros de distância do qual nunca tinha ouvido falar, viu aí a sua oportunidade.[2]

Em 1889, então renomeado Maurício Freeman Klabin chega ao Brasil, desembarcando no Porto de Santos e depois subindo a serra para a cidade de São Paulo. Conseguiu então um emprego numa pequena tipografia de um casal idoso, sem filhos, que fazia livros em branco para o comércio. Em pouco tempo, com um português razoável, passou a representar a gráfica pelo interior do estado de São Paulo, quando assumiu de vez a gráfica que lhe fora ofertada. Apesar de pouco capital, empenhou-se para honrar os compromissos e em 1890 tornou-se proprietário da própria empresa, berço de uma holding conhecida no mundo todo, 100 anos depois de sua fundação.[2]

Já com 35 anos, os negócios estavam bem prósperos e foi então que ele pediu para vir da Lituânia seus pais, Leon Klabin e Sara, a irmã, Nessel, e uma jovem de 27 anos, Bertha Osband, sua noiva. Mais tarde chamou o tio, Zelman Lafer com o filho Miguel Lafer (pai de Horácio Lafer) e, dos Estados Unidos, seus irmãos Salomão, Hessel e Luiz Klabin. Nessa época, vieram também para o Brasil mais os primos Wolff Kadischevitz Klabin, Max, Lazar e Henrique, filhos de Fanny, irmã de Leon, seu pai.[2]

Fundação da Klabin Irmãos & Cia

Em 1º de fevereiro de 1899, dez anos depois da chegada de Maurício, ele e os irmãos Salomão e Hessel e mais o seu cunhado Miguel Lafer fundaram a empresa Klabin Irmãos & Cia. – KIC, que incorporou a antiga tipografia, um novo negócio para importação de artigos de escritório e um depósito próximo à Avenida Tiradentes, no maior centro econômico e financeiro do país, São Paulo. Nascia ali o Grupo KLABIN.

Em 1934, com apoio de um financiamento do governo, o grupo adquiriu a Fazenda Monte Alegre, região que na época pertencia ao município de Tibagi, hoje Telêmaco Borba, no interior do Paraná, construindo o maior complexo industrial papeleiro da América Latina.[4]

Maurício Klabin morreu em 21 de setembro de 1923, na Alemanha, aonde fora tratar da saúde.

 

Referências:

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maur%C3%ADcio_Freeman_Klabin

https://books.google.com.br/books?id=EJdRDwAAQBAJ&pg=PT305&lpg=PT305&dq=emmanuel+klabin+coment%C3%A1rio&source=bl&ots=TobSs7HQty&sig=wgSc0dqmV_IoXnruemOvJ4dhM78&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwjMv8eeotXfAhUFiJAKHXPUCzMQ6AEwDHoECAMQAQ#v=onepage&q=emmanuel%20klabin%20coment%C3%A1rio&f=false

https://pt.wikipedia.org/wiki/Maur%C3%ADcio_Freeman_Klabin

http://www.nomads.usp.br/virus/virus12/secs/submitted/virus_12_submitted_12_pt.pdf

Pico do Itapeva e Pico do Diamante na Serra da Mantiqueira

Neste dia fomos conhecer uma das maiores atrações de Campos do Jordão-SP, na verdade eram dois objetivos, conhecer o Pico do Itapeva e o Pico do Diamante e depois voltar pela Trilha da Onça. Um pedal cujo objetivo era percorrer os pontos mais elevados da região. As altitudes desses picos chegam a passar dos 2.000 metros em meio a beleza e o frio do topo das montanhas da Serra da Mantiqueira. Embora geograficamente os picos sejam considerados parte do território do município vizinho de Pindamonhangaba-SP, o acesso é por Campos do Jordão e fica a 14 km de distância da Vila  Capivari, o centrinho turístico da cidade. Por isso, é considerado um atrativo desta. No topo do Pico do Itapeva é possível avistar quase todo o Vale do Paraíba, mas a hora que passamos por lá, a neblina era tanta que não foi possível ver praticamente nada. Uma pena mesmo. Mas a estrada para chegar até lá é muito bonita e compensou de qualquer forma o pedal até lá.

Já que não deu para ver muita coisa no Pico do Itapeva, não perdemos muito tempo ali e seguimos em direção ao Pico do Diamante. Para chegar até lá, foi preciso percorrer bons quilômetros de subida bem íngreme, por isso, chegamos ao pico já bem cansados. Antes do topo, uma forte neblina já tinha dado as caras, e quando chegamos na placa do Pico do Diamante, eram muitas as cabras que nos davam as boas vindas, e elas pareciam não se importar com a presença humana tão próxima. O bom que depois de algum tempo a neblina começou a se dissipar com o o sol das 10 horas da manhã, aí foi então possível apreciar o privilegiado visual do Pico do Diamante.

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De lá, o roteiro previsto era pegar a Trilha da Onça que liga o Pico do Diamante ao Pico do Itapeva, começamos a descer, mas logo percebemos que a missão seria quase impossível, as bikes não paravam em pé e dificuldade era enorme, isso porque era descida. A trilha tinha uma largura bem estreita e ainda por cima era o caminho era acidentado e com uma inclinação bastante acentuada.

Seguir em pé na bike pela trilha era tarefa muito difícil, a vegetação molhada pela neblina da trilha fazia com que toda hora o pneu da bike escorregasse. Chegou um momento então que percebemos que não iria rolar de continuar descendo pela trilha, tivemos que abortar a ideia e voltar até o Pico do Diamante para então retornar a cidade Campos do Jordão-SP.   

                                                                                                    

Tanto o Pico do Itapeva e o Pico do Diamante possuem uma vista linda demais, mas existem grandes diferenças entre eles. É como se o Pico do Diamante fosse Raiz e o Pico do Itapeva fosse Nutella. No Primeiro, só existe uma placa no local, a subida da estrada de terra é pesada e a distância da cidade é maior, e chega lá o ambiente ao redor é bem rústico e as cabras tomam conta do Pico. 

Já o Pico do Itapeva é de mais fácil acesso, a estrada para chegar lá é pavimentada, existe também um comércio que não combina com área de preservação ambiental que ali existe, pois tira um pouco a atenção do que era para ser o maior atrativo do lugar, a natureza e sua formações geológicas. Também tem um parque ali, e que cobra R$10,00 pela a entrada e R$20,00 para o estacionar o carro.  Muitos comentários que li sobre o assunto falam que não vale a visitação pela infra estrutura oferecida, lá não passa cartão, o atendimento é considerado ruim e não é muito desorganizado. Além disso, o mesmo visual pode ser desfrutado de fora das dependências do parque. 
                                                                                                                                             
Rudi Arena   
 

Pico do Itapeva *

Uma das vistas mais privilegiadas da Serra da Mantiqueira podem ser apreciadas do Pico do Itapeva.

Do alto de seus 2.030 m de altitude, é possível avistar 15 cidades do Vale do Paraíba. São elas: Tremembé, Guará, Aparecida, Taubaté, Pindamonhangaba, Roseira, Caçapava, Potim, Cruzeiro, Lorena, Piquete, Moreira Cesar, São José dos Campos, Eugênio de Melo e Cachoeira Paulista.

Um dos maiores picos do Brasil está localizado no território da cidade de Pindamonhangaba, mas seu único acesso acontece pela estrada de asfalto que sai de Campos do Jordão, tornando-se assim uma atração turística da cidade.

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O Pico do Itapeva, que em indígena significa “Pedra Chata”, é também uma oportunidade para se comprar doces, artesanatos e roupas em lã. Artigos como malhas, luvas e cachecóis são vendidos por pequenos fabricantes a preços convidativos.

A apenas 14 km da Vila Capivari, o Pico é todo recortado por trilhas, onde os mais aventureiros encontrarão muita adrenalina em passeios a cavalo, moto, bicicleta ou mesmo uma saudável caminhada.

Um lindo e tranquilo lago dá boas vindas aos visitantes que chegam, montando uma linda paisagem junto às árvores ao redor da margem.

A paisagem do alto do Pico do Itapeva é realmente surpreendente. O Vale do Paraíba se dobra aos pés do Pico, permitindo uma imagem panorâmica indescritível.

Aproveitando o relevo generoso da natureza, o Pico do Itapeva abriga ainda retransmissores de UHF e VHF, e também um laboratório de pesquisas de raios cósmicos montado pela FAB (Força Aérea Brasileira).

Grandes formações rochosas são observadas no solo do Pico e em outras montanhas ao redor, criando uma exuberante atmosfera natural.

Ao passear pela região não deixe de levar a câmera fotográfica, pois em todos os lados que se olha existe um cartão postal, pronto para ser registrado

*Fonte:  https://www.guiadecamposdojordao.com.br/campos-do-jordao-passeios/pico-do-itapeva.html

Pico do Diamante *

De dificuldade média para muito difícil, a trilha possui 20,4 km de extensão e leva-se 3h30 para completar. O início da trilha é na Vila Inglesa, situada a 4 km do centro de Capivari. Até lá, pode-se ir de carro ou bike. O percurso inicial é asfaltado; o trecho de terra começa à direita, logo após a represa da Vila Inglesa. Na primeira etapa, pegar à direita nas duas primeiras bifurcações. Com 1,15 km seguir à esquerda, e com 1,65 km, novamente à esquerda.

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Com 1,90 km subir à direita e depois novamente a esquerda, A trilha, propriamente dita, começa aos 2,22 km, saindo da estrada à direita, prestando atenção, pois não há nenhum marco visível. Depois, pega-se a trilha do Brejo Grande, à esquerda.

Na segunda etapa, somente em trilhas, existem muitas bifurcações. Na dúvida siga pela subida, até alcançar o km 6,70, no Visual Alto da Serra. Novatos devem procurar um guia local. Quase na crista da Serra da Mantiqueira se deixa a trilha do Brejo Grande e Umuarama para trás.

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Mais 2 km de estrada de terra e entra-se novamente na trilha, conhecida como do Diamante, que virou uma estradinha de terra. Para conquistar o cume do Pico do Diamante (1.870m), faltam apenas 1,5km de subida. Lá em cima a parada é obrigatória! O percurso até o cume do Diamante totaliza 10km.

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A volta pelo estrada de terra é mais tranqüila. Descendo 5 km, direto, até o asfalto no Toriba. Mais 500m, e se desce a primeira entrada de terra à direita. Faltam mais 4,5 km até a Vila Britânia e depois mais 1 km até Vila Abernéssia.

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Como Chegar:

Campos do Jordão fica a 184 km de São Paulo. O principal acesso para Campos do Jordão é a Rodovia Floriano Rodrigues Pinheiro (SP-123), que inicia no entroncamento da Rodovia Carvalho Pinto/Ayrton Senna, na altura do km 310 da Rodovia Presidente Dutra.

Esse entroncamento fica no sub-distrito de Quiririm, entre Taubaté e Caçapava. É uma rodovia sinuosa, turística, com belos mirantes para a região do Vale do Paraíba e Serra da Mantiqueira. Abriga dois postos de abastecimentos (km 11 – Poço Grande e km 18 – acesso a Tremembé) e vários pontos de parada com produtos da região e atrações turísticas. A viagem, saindo de São Paulo, para Campos do Jordão tem duração aproximadamente de 2 horas.

Comentário:

A Vila Inglesa é uma região muito bonita para se conhecer. Depois de passar pela represa, sobe-se até o alto, por estrada de terra de difícil acesso a automóveis. A trilha sai do Brejo Grande (antiga pista de enduro de velocidade de motos), sobe para o Umuarama e vai até o Pico do Diamante.

Para quem gosta de trilha técnica, é um “prato cheio” (para quem não conhece a região, é indispensável contratar um Guia). No alto do Umuarama, vale curtir a vista da cidade e montanhas vizinhas. Os picos do Campestre atingem 2.045m, a Pedra do Baú 1.850m.

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Já no cume do Diamante, o Vale do Paraíba se estende aos pés do observador. O desnível passa dos mil metros. Em dias claros, dá para observar mais de sete cidades ao longo do Vale do Paraíba.

* Fonte: http://www.webventure.com.br/trilha-do-pico-do-diamante

Trilha da Onça *

Travessia entre os Picos do Diamante ao Pico do Itapeva em Campos do Jordão SP

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A trilha da Onça tem várias ramificações pelos morros que formam a Serra da Mantiqueira e a nossa aventura, é uma linda travessia iniciando no Pico do Diamante e chegando ao Parque do Pico do Itapeva.

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Já em seu início é possível contemplar com o visual, várias cidades do Vale do Paraíba, partindo com 1890 metros de altitude e tendo um desnível de 804 metros em meio à mata fechada, e chega a dois pequenos riachos de águas cristalinas.

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Em seguida, é preciso subir pela trilha até chegar ao rancho abandonado na mata e ao seu lado estará à cachoeira pequena, local onde quem quiser poderá se refrescar com a água gelada.

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Essa trilha tem grande desnível e é considerada de nível médio com seus 9km de distância, sendo recomendável paradas para descanso, lanche e hidratação.

OBS: NÃO É ACONSELHÁVEL PARA CRIANÇAS MENORES DE 10 ANOS OU PARA PESSOAS COM MAIS DE 65 ANOS QUE NÃO PRATICAM ATIVIDADES FÍSICAS!

*Fonte: https://br.eventbu.com/campos-do-jordao/trilha-da-onca/9794037

Um Giro pelo Zoom Bike Park em Campos do Jordão

No dia 16 de agosto de 2015 foi inaugurado o  Zoom Bike Park que foi construído do zero, com tudo muito bem sinalizado conforme orientações técnicas internacionais. Desde então,  passou a ser quase que um sonho conhecer este lugar, uma vez que já tinha visto matérias na televisão sobre esse Bike Park que é voltado especificamente para os amantes de Mountain Bike, e parecia ser um verdadeiro paraíso para os amantes do esporte. E a expectativa acabou por se confirmar, realmente é prato cheio que todo ciclista do MTB gostaria de se lambuzar.

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O Bike Park está localizado no município de Campos do Jordão-SP e  fica aberto das 9h às 17h – sexta, sábado, domingo, feriado e férias. Para outros dias e para grupos, é necessário agendamento prévio. Ao todo são 18 trilhas dos mais variados níveis de dificuldades, aproximadamente 40 km no total  e 2.220 metros de ganho de elevação se o ciclista fizer todas a trilhas do Bike Park.

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Todo o caminho é muito bem sinalizado, cada trilha tem um nome e uma cor que define o nível de dificuldade, bem como a indicação do desnível, a extensão e o destino, por isso é sempre bom ficar atento as essas placas que existem pelo caminho. As cores das trilhas são azul, verde, vermelho e preto em ordem crescente de dificuldade.

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Basicamente são todas singles track, que é quando a largura da trilha comporta apenas um ciclista, e sempre de mão única para evitar a qualquer colisão frontal entre as bikes. O local passa a impressão de ser muito seguro e organizado e possui ainda o serviço de aluguel de bike, inclusive com modernas bicicletas elétricas de pedal assistido da marca Specialized. No meio das trilhas existem vários pontos de água corrente jorrando a vontade, o que é muito importante também.

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Para nós pirambeiros que gostamos de pedalar em meio a vegetação e belas paisagens, estar nesse Bike Park é como se estivéssemos no céu ou em um verdadeiro santuário do MTB, as trilhas dentro de matas e o visual deslumbrante da Serra da Mantiqueira é um convite irrecusável. Tem trilhas que possuem vários trechos de ponte de madeira, algumas tem até Wallride, que é quando a bike anda meio que na vertical, muito bom mesmo. Acabou que não esgotamos todas as trilhas e por isso ficou um gostinho de quero mais.

Dá para comprar o ingresso de forma antecipada pelo site, o valor sai mais em conta, é preciso desembolsar  R$60,00, também é possível adquirir ingresso para mais dias, e até existe o “individual sócio” que é válido pelo ano inteiro pelo valor de R$365,00.

http://zoombikepark.com.br/compre-aqui/ingresso-individual/

O único dissabor que tivemos foi em relação a forma como fomos atendidos logo de início, porque erramos a entrada o Zoom Bike Park e aí apareceu um funcionário de bike muito nervoso, achando que a gente queria entrar sem pagar, e ele reclamou muito. Mesmo depois que explicamos o mal entendido, o atendimento não melhorou, as perguntas eram respondidas com má vontade e de forma vaga, e as vezes até com deboche, isso não foi nada legal. Ainda assim, valeu muito a pena e recomendo a todos que um dia vá conhecer esse verdadeiro paraíso do Mountain Bike.

Rudi Arena

Estrada do Horto Florestal, Roseta e Subida da Minalba (Campos do Jordão-SP divisa com Minas Gerais)

A Cidade e suas Peculiaridades

Em Campos do Jordão, parece até que não estamos no Estado de São Paulo, o clima é de um frio diferenciado, a mais gelada do estado indiscutivelmente. E chegamos ainda em um dia que tinha tido geada, a temperatura era muito baixa, típica do alto da Serra da Mantiqueira. Além do terreno montanhoso, o que mais chama a atenção de que realmente é um lugar diferente, o tipo de vegetação ali existente, são as muitas araucárias,  bem como diversos tipos de pinheiros. E também tem outras plantas e árvores que se adaptam melhor a um clima mais frio, e que não é comum de se ver no restante do Estado. Não é só, também a educação, a cultura, a arquitetura, os hábitos e os alimentos, não são muito típicos do estado paulista. Lá, o normal é o motorista parar na faixa de pedestre, as vestimentas das pessoas são próprias para um clima frio, nos restaurantes e em outros estabelecimentos comerciais é comum ver lareiras em seu interior para atrair visitantes.

Muitas casas possuem o telhado em forma de um V invertido que serviria para facilitar os cuidados com a neve, como se isso fosse um problema comum da região, mas não é. Embora se pode falar que é impossível nevar em Campos do Jordão, seu fenômeno é bastante improvável,  ainda assim, a arquitetura reproduz muito as características urbana européia.

Existem sim registros de uma forte e longa nevasca, no ano de 1928, e com acúmulo de neve de 20 cm que trouxe muitos transtornos a população local. Mas desde então, tal fenômeno da natureza passou a ser cada vez mais raro, a expansão da malha urbana, a derrubada de mata nativa, o aquecimento das temperaturas nos últimos tempos fez com que o clima mudasse muito. Antigamente, na Campos do Jordão de 1951 chegou a ter mais de 20 mil pés de maçã, só que atualmente o clima está muito quente para esta cultura. Este município é um caso típico e bem registrado das consequências do aumento da temperatura no globo terrestre.

Mesmo assim o clima diferente chama bastante atenção também na questão da alimentação, além de ser muito popular o consumo do pinhão, é figura carimbada na cidade o prato a base da Truta, um peixe primo do salmão conhecido por gostar de águas frias e que lá encontrou um bom ambiente para o desenvolvimento de sua criação. Assim como, a produção de frutas vermelhas, como framboesa, mirtilo, blueberry e morango também encontraram terreno propício para se estabelecer no local, e tem grande destaque na gastronomia do lugar. São muitos os quitutes a disposição com frutas vermelhas frescas e colhida ali mesmo, o que não é nada comum no restante do estado de São Paulo.  A impressão que dá é que estamos em um estado do sul do país ou então em um simulacro tupiniquim de um pedaço do velho mundo. É muito interessante este contraste com as demais cidades paulistas.

O Pedal 

O pedal mais pesado ficou para o primeiro dia em Campos do Jordão, a quilometragem não era o problema, mas sim as íngremes subidas que viria pela frente. A saída foi da cidade de Campos do Jordão em direção a linda estrada do Horto Florestal , que é um Parque Estadual e uma atração turística. É altamente recomendável conhecer este caminho em meio a mata dos dois lados e uma estrada meio estreita, mas que passa carros de passeios. São muitas araucárias ao lado e também muitos  pinhões pelo chão. No trajeto, o que chama bastante a atenção é o Bosque Vermelho, embora não seja muito grande o contraste do vermelho com o verde ao redor.

Ao final desta estrada seguimos em direção a divisa entre os estados de São Paulo e Minas Gerais com destino a cidade de Wenceslau Bráz-MG, mas especificamente o distrito de Roseta (antigo Itererê) que fica a longe 11 km daquela cidade. Um lugar muito bonito e pacato. E a volta foi por outro caminho, conhecido também como a subida da  Minalba,  já mais ao final do pedal, e embora seja de asfalto é muito longa e com grau de inclinação bastante acentuado.

Imagina um pedal que quebra o caboclo no meio, os 67 km fala pouco da dificuldade do pedal, mas os 2.440 metros de ganho de elevação explica um pouco. A mudança de altitude também é brusca neste pedal, há um momento que se alcança mais de 1.800 metros de altitude e após longas e alucinantes descidas chega-se a menos de 1.000 metros. Mas logo que termina a descida, começam as fortes e inacabáveis subidas. Eu mesmo, fui um que acabei ficando pelo caminho a 10 km do final, após dores nas costas, acabei que não enfrentei a bruta subida de asfalto antes de chegar na cidade de Campos do Jordão, mas ainda bem que a melhor parte já tinha sido feita, e como não sou muito fã de asfalto e nem de subida, até que não foi de todo mal.

O mais difícil tinha ficado para o final mesmo, e apesar de chegarmos bem cansados, com fome e frio, acabou sendo um pedal fantástico, com belas paisagens, e com elementos que agrada a todos os praticante de mountain bike. Tanto para quem gosta de decidas ou subidas, ou para quem quer curtir um horizonte para lá de privilegiado. Por tudo isso, não tem como não ter gostado e não ter valido a pena este dia.

Rudi Arena

 

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