Você já deve ter ouvido que a cidade de Garça é chamada de “Sentinela do Planalto”. Você sabe o motivo? A explicação mais comum é simples: o município está em uma posição mais elevada em relação às cidades vizinhas. Mas a pergunta mais interessante é: por que Garça está mais alta? A resposta está na geologia.
A geologia por trás da paisagem
A geologia é a ciência que estuda a Terra — sua formação, estrutura e os processos que moldam o planeta ao longo do tempo. É ela que nos permite entender como surgem as rochas, os solos, os relevos e até as águas subterrâneas. No caso de Garça, essa história começa há cerca de 70 a 80 milhões de anos, quando a região apresentava condições ambientais muito diferentes das atuais, além dos grandes dinossauros.
A Formação Marília: a base de Garça.
A cidade está assentada sobre rochas pertencentes à Formação Marília, integrante do Grupo Bauru. Durante o Cretáceo Superior, a região era dominada por um clima árido a semiárido, com rios temporários e lagos rasos que depositavam grandes quantidades de areia e cascalho. Com o passar do tempo, esses sedimentos foram soterrados e transformados em rochas sedimentares, como arenitos (formados por grãos de areia) e conglomerados (com fragmentos maiores, como pedrinhas).
Um “cimento natural” que endureceu as rochas.
O grande diferencial dessas rochas está no processo de cimentação natural. Em um clima seco, a água da chuva infiltrava no solo e evaporava rapidamente, deixando para trás minerais dissolvidos. Esse processo levou à formação de um “cimento” de calcita (carbonato de cálcio) entre os grãos de areia, preenchendo seus espaços e tornando a rocha muito mais resistente. Como resultado, os arenitos da Formação Marília apresentam alta dureza e maior resistência à erosão.
O que existe abaixo da Formação Marília?
Abaixo dessa camada mais resistente encontram-se também rochas sedimentares como as da Formação Vale do Rio do Peixe. Essa unidade se formou em um ambiente com maior disponibilidade de água e menor evaporação, o que resultou em menor concentração de carbonato e, consequentemente, menor cimentação. Por isso, essas rochas são mais frágeis e mais suscetíveis à erosão quando comparadas às da Formação Marília.
A origem das cachoeiras de Garça
Essa diferença de resistência entre essas camadas sedimentares explica a grande quantidade de cachoeiras presentes no município. Esse processo, conhecido como erosão diferencial, ocorre quando a água desgasta mais rapidamente as rochas menos resistentes, enquanto as mais duras permanecem. Com isso, formam-se desníveis no relevo, dando origem às quedas d’água. Com o tempo, a erosão continua atuando na base das cachoeiras, fazendo com que elas recuem gradualmente e remodelando a paisagem.
A explicação para a “Sentinela do Planalto”
A maior resistência dos arenitos da Formação Marília faz com que eles sustentem as áreas mais elevadas do relevo. Enquanto isso, as rochas subjacentes, mais frágeis, são erodidas com maior facilidade ao longo do tempo. Esse contraste contribui para a formação de escarpas e superfícies elevadas, destacando Garça na paisagem regional. É justamente essa posição topográfica elevada que dá origem ao título de “Sentinela do Planalto”.
Um detalhe curioso
Se você já visitou alguma cachoeira da região ou observou cortes de estrada (como na Rodovia Comandante João Ribeiro de Barros), provavelmente percebeu rochas extremamente duras, muitas vezes tão duras quanto um granito. No entanto, essas rochas são, na verdade, antigos depósitos de areia e cascalho que, ao longo de milhões de anos, foram compactados e cimentados naturalmente pela calcita, adquirindo sua resistência atual.
Nascentes e a importância da preservação ambiental
Além de influenciar o relevo e a formação das cachoeiras, a geologia de Garça também está diretamente ligada à grande quantidade de nascentes de água presentes na região. As rochas da Formação Marília, embora resistentes, possuem fraturas e poros que permitem a infiltração da água da chuva. Parte dessa água fica armazenada no subsolo e, ao encontrar camadas menos permeáveis ou mudanças no relevo, retorna à superfície na forma de nascentes.
Esse processo é favorecido justamente pelo relevo mais elevado da região, que funciona como uma área de recarga natural. Assim, Garça não apenas se destaca na paisagem, mas também desempenha um papel importante na origem de cursos d’água que abastecem áreas vizinhas.
No entanto, para que essas nascentes continuem existindo e mantendo sua qualidade, é fundamental a preservação da vegetação ao seu redor, especialmente das matas ciliares. Essas formações vegetais atuam como uma proteção natural, ajudando a manter o solo estável, reduzindo a erosão, filtrando impurezas e favorecendo a infiltração da água no solo.
Quando a vegetação é removida, o solo fica exposto, aumentando o escoamento superficial e diminuindo a recarga de água subterrânea. Isso pode levar ao assoreamento de rios, à diminuição da vazão das nascentes e à perda da qualidade da água.
Dessa forma, a conservação das áreas naturais não é apenas uma questão ambiental, mas também uma forma de preservar os recursos hídricos e as próprias características geológicas que tornam a paisagem de Garça única.
Conclusão
As paisagens de Garça, com seus morros, escarpas e cachoeiras, são resultado direto de processos geológicos que começaram há dezenas de milhões de anos. A combinação entre clima antigo, deposição sedimentar e processos químicos naturais deu origem a rochas resistentes que sustentam o relevo atual. Dessa forma, a cidade não ocupa uma posição elevada por acaso, mas sim por conta de sua base geológica, que a mantém como uma verdadeira Sentinela do Planalto. Ou seja, a beleza natural da cidade é, literalmente, uma obra do tempo!
Garça sempre foi reconhecida como uma cidade privilegiada em recursos hídricos. São inúmeras nascentes espalhadas pelo município, verdadeiras joias naturais que deveriam ser tratadas como patrimônio coletivo. No entanto, a realidade é bem diferente: boa parte dessas fontes de vida corre o risco de desaparecer, sufocada pela falta de consciência ambiental e pela omissão do poder público ao longo do tempo.
O Lago Artificial de Garça é um símbolo desse problema. Quem observa seu nível de água cada vez mais baixo pode até pensar que se trata de um fenômeno isolado, mas a verdade é que ele é apenas a ponta do iceberg. A nascente que o alimentava foi canalizada e hoje serve como palco para eventos da cidade, sem qualquer preocupação com a função vital que antes desempenhava. Historicamente, o lazer imediato prevaleceu sobre a preservação ambiental, revelando uma visão míope de desenvolvimento.
Agora, o Lago Artificial está em processo de esvaziamento. Um poço profundo está para ser perfurado e assim poder fornecer água para um lugar em que antes ela era farta e brotava naturalmente. A nascente resistiu até quando foi possível, mas chegou o momento crítico, e uma confluência de fatores fez com que ela secasse.
Uma breve história de Garça-SP
O Centro-Oeste Paulista foi, e em parte, terra dos indígenas Kaingang, sendo o povo indígena mais numeroso na região, com uma história de resistência e conflitos por terra com o avanço da colonização e da agropecuária. Embora não sejam os únicos, os Kaingang tiveram um papel central na formação territorial e cultural desta área. E uma coisa que poucos habitantes de Garça sabem é que a região foi uma das últimas fronteiras agrícolas do Estado de São Paulo com os povos indígenas. Garça em 1910, ainda se encontrava no interior profundo e inexplorado pelo homem branco, a natureza era plena e intocada.
A região, na época, era chamada de extremo sertão do estado. Posteriormente, houve o morticínio dos povos originários locais com a atuação das instituições públicas. Era um período em que havia todo um incentivo par a tomada do território com o apagamento de sua cultura e história. Houve uma verdadeira limpeza étnica com o apoio do poder público e das elites locais da época com interesse na posse das terras.
Os indígenas “garcenses” lutaram com os homens brancos por um longo período para simplesmente terem direito de continuar vivendo em suas terras. Porém, chegou um momento em a quantidade de homens brancos no ataques e o poderio das armas de fogo venceram a guerra. Há registros históricos de que os homens das caravanas públicas se vangloriavam de terem invadido uma tribo e matado a todos, até mesmo as crianças nas mais tenras idades. Isso demonstra o motivo pelo qual em nossa região temos um percentual muito pequeno medido pelo IBGE de pessoas de origem indígenas.
Tal dado não é evidência de aqui não era terra de “índios”, muito pelo contrário. De norte a sul o país era ocupado por indígenas. Na região norte do Brasil existe uma população indígena proporcionalmente maior do que no resto do país, mas isso se dá em razão de que os homens brancos tiveram dificuldade de dizimar indígenas que viviam em lugares longínquos e inóspitos do Brasil . Em Garça, no sudeste do país, a situação era diferente. No início do século passado, cada bastião indígena que ainda existia no Estado de São Paulo, era um alvo fatal e fácil por parte das forças estatais, a vida dos indígenas estavam com os dias contados por aqui. Importante lembrar desses fatos, pois este capítulo não está em nenhum lugar que conta a história de Garça e os alunos do município não aprendem isso na escola.
A terra na região de Garça era fértil e a floresta densa, era continuação da mata atlântica com toda a sua beleza e encanto. As primeiras derrubadas foram feitas pelo Dr. Navarro J. Cintra nas terras que se situam à direita de cabeceira do Ribeirão da Garça. Ali se formou uma fazenda, que em 1920, já estava consideravelmente desenvolvida. Não tardou, portanto, a surgir um povoado em torno da sede da fazenda.
O distrito foi criado no município de Campos Novos, e em 29 de dezembro de 1925, pela Lei estadual de n.º 2.100, sua sede era elevada à categoria de Vila. O município de Garça foi criado em 27 de dezembro de 1928, por força da Lei Estadual n.º 2.330, com território desmembrado do de Campos Novos e Pirajuí. E como era comum na época, fazer o corte raso da vegetação local era sinônimo de progresso. E assim foi feito aqui, assim como em grande parte do país.
A história do Lago Artificial de Garça-SP
O lago artificial de Garça, foi nomeado Lago Professor J.K. Williams, e é uma homenagem ao professor garcense Jennings Kendrick Williams. O Lago começou a ser construído no ano de 1979, mas foi inaugurado em 28 de agosto de 1980, pela gestão do Prefeito Francisco de Assis Bosquê (1977-1982). Logo tornou-se o cartão-postal da cidade. Mas com o tempo virou muito mais do que isso, foram realizadas diversas outras intervenções e edificações no entorno, assim, tornou-se também um lugar para a realização de eventos, um atrativo turístico, local para a para prática de atividades físicas, para passear com as crianças, ponto de encontro de jovens, lugar para se fazer piquenique, observar pássaros, enfim, um importante espaço público de convívio e laser para a população de Garça-SP e região.
Tem também a concha acústica onde são realizados shows musicais, entre outras apresentações, tem os pedalinhos e tem também uma pista de skate no entorno, além de abrigar o Bosque das Cerejeiras e um Jardim Oriental.
A cultura japonesa é nitidamente percebida em Garça. A população é formada também por imigrantes orientais, que trouxeram os costumes de lá. E é o local que melhor representa a influência nipônica no município de Garça-SP.
A história do Bosque das Cerejeiras em Garça começou em 1979, quando o imigrante japonês Nelson Kosche Ichisato plantou 100 mudas de cerejeiras, simbolizando a chegada da colônia japonesa na cidade e a esperança de um novo ciclo. Atualmente, o Bosque das Cerejeiras, ao redor do Lago Artificial Prof. J.K. Williams, possui mais de mil árvores e é palco do Cerejeiras Festival, um evento que celebra a cultura japonesa e atrai milhares de visitantes todos os anos. As cerejeiras são árvores emblemáticas do Japão, representando a beleza, a esperança e a transitoriedade da vida.
Ichisato, que nasceu no distrito de Oshima, província de Yamagutiken, no Japão dizia que desde pequeno tinha um apreço especial pelas flores das cerejeiras. Segundo ele, as floradas são uma marca tradicional da primavera japonesa, já que as famílias se reúnem com convidados para piqueniques, nos quais há o congraçamento entre as pessoas e a possibilidade de apreciar a beleza natural e comemorar o início da estação primaveril.
O plantio de cerejeiras em Garça, cidade de clima pouco parecido com o do Japão, foi visto, inicialmente, com descrédito. Ichisato plantou 110 mudas e várias delas, após poucos dias, morreram devido às chuvas torrenciais. Após um ano, novas mudas foram plantadas e, pouco a pouco, as plantas se adaptaram ao solo e o clima da cidade. Assim, após alguns anos, o bosque do lago “J.K. Willians” de Garça ganhava um novo visual. As árvores passaram a preencher o espaço com uma beleza singular e, a cada inverno, a comunidade pode assistir um espetáculo ímpar de cores.
O bosque e a Festa das Cerejeiras
Na florada das cerejeiras, geralmente entre junho e julho, é celebrada com a Festa das Cerejeiras, a mais tradicional da cidade, é um grande evento da cultura japonesa que ocorre anualmente na cidade.
A festa não só resgata a cultura japonesa, mas também promove a confraternização entre diferentes povos, atraindo visitantes de várias regiões do Brasil. Esse evento é um dos maiores eventos da cultura japonesa no país e foi recentemente incluído no calendário turístico oficial do Brasil. Também tem uma relevância econômica significativa para o município de Garça, é hoje a maior atração turística. Porém, existe um potencial enorme para o ecoturismo, ainda bastante incipiente no município.
Como era o local do Lago Artificial antes de sua construção
Os moradores mais idosos do município ainda tem na memória como era o local antes das grandes intervenções humanas. Antigamente, não existia o lago artificial de Garça-SP, o local onde ele se encontra hoje, era uma grande área de várzea, um lugar de destino de boa parte das águas fluviais que precipitavam na cidade. Por ser um lugar mais baixo e plano que boa parte da cidade, as águas da chuva confluíam naturalmente para lá.
Assim, existia um ali um grande brejo, era uma área permanentemente alagada, possuía uma vegetação ao redor característica desse tipo de ecossistema, marcada pelas taboas, planta típica de áreas com água parada. Mas também era lugar de nascente d`água, minava o líquido precioso de forma natural.
Houve a ideia então de transformar parte dessa área de brejo em um lago artificial, já que a água era farta naquela época. Era início da década de 80, e depois também houve uma permissão para uma expansão imobiliária na região que hoje pela legislação ambiental atual não seria possível, pois seria considerado uma (APP) área de preservação permanente.
O resto de brejo que havia sobrado, posteriormente, foi todo aterrado. A informação que temos é que houve a canalização subterrânea da nascente. E no local foi construído a concha acústica e o restante foi transformado em um extenso gramado, hoje utilizado para diferentes fins, como para a realização de eventos ou para recreação da população.
Apesar de todas as ações antropogênicas feitas no local, a várzea do Lago ainda está lá. Basta uma chuva forte que não é raro haver alagamento em algumas partes do entorno do Lago. A água da cidade corre naturalmente para o Lago em razão da topografia da cidade, mas o terreno não tem mais a capacidade de reter a água e nem o solo permite que ela infiltre, e essa é uma das razões para que a nascente tenha secado. As águas da chuva naturalmente paravam onde hoje fica o lago, é preciso que essa água não corra para os bueiros, mas sim para onde corria antes e permanecia. Para isso, é preciso investir em intervenções urbanas modernas e sustentáveis que posam ajudar a revitalizar a nascente do Lago Artificial.
O papel das nascentes e das matas ciliares
As nascentes são a origem dos rios e córregos, responsáveis por abastecer aquíferos, garantir água potável e manter a biodiversidade. Já as matas ciliares funcionam como filtros naturais, protegendo os cursos d’água contra erosão, assoreamento e poluição. Ao destruir esses elementos, compromete-se toda a cadeia ambiental — e, em última análise, a própria disponibilidade de água para consumo humano.
Existiu em Garça em meados dos anos 2000, um grupo de ativistas ambientais, chamados Nascentes Vivas, a preocupação com as nascentes de Garça é antiga, mas o ideal daquela época continua mais vivo do que nunca, a preocupação de manter as nascentes vivas é uma necessidade cada vez mais premente. Porém, as dificuldades e as disparidades de armas nessa luta permanecem a mesma. Não tem como um pequeno grupo de pessoas achar que consegue manter nascentes que estão em propriedades privadas e que só o poder público, independentes de sua esfera, pode fiscalizar e adotar as providências para que de fato essa realidade mude. Embora, é preciso reconhecer que já houve certo avanço na sociedade, pois antes o sinônimo de progresso era terra arrasada e árvore no chão, mas a consciência da população segue em um ritmo mais devagar do que a devastação do meio ambiente, sem pensar tanto sustentabilidade futura do local.
Ignorar a importância desses ecossistemas, é assinar uma sentença de escassez cada vez mais próxima. Garça, que já foi uma referência na questão de preservação hídrica e qualidade da água, caminha no sentido oposto, permitindo que a degradação se torne regra.
Garça está entre os municípios de SP que mais destruíram vegetação nativa em 2024
Grande queimada atingiu a região áreas de mata de Garça em 2024.
A região de Garça sofreu um golpe ambiental muito forte no ano de 2024. Um levantamento divulgado pelo Painel Verde, do Governo do Estado de São Paulo, colocou os municípios de Álvaro de Carvalho (SP) e Garça (SP) entre os que mais registraram destruição de vegetação nativa no estado em 2024. As cidades ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugares no ranking estadual, atrás apenas de Barretos.
Ou seja, nossa região perdeu mais de 1.110 hectares de rica mata nativa apenas em 2024, é um dado triste e alarmante que dificulta ainda mais a recuperação das nascentes. O clima cada vez mais quente e seco tende a aumentar esses episódios, é preciso que poder público esteja de prontidão aos desafios do que se pode chamar de novo normal.
Para ter noção do prejuízo ambiental de quem não é familiarizado com a medida de hectares, equivale a supressão de mais 11 milhões de metros quadrados ou 1.027 campos de futebol de vegetação nativa, que até então resistiam a devastação dos homens por estarem em grotões de difícil acesso em razão da topografia bastante acidentada.
Como a técnica de “plantar água” e uma cidade esponja poderiam ajudar na revitalização das nascentes de Garça
Esta foi uma forma comprovada de acelerar a revitalização de nascentes, ou até mesmo fazer brotar água onde tudo já estava seco. É uma técnica que pode ajudar na recuperação das nascentes garcenses que estão em situação de penúria.
É claro que não se pode ignorar a realidade no caso do Lago Artificial, ela se impõe impiedosamente, para o bem ou para o mal. Mas não nos é proibido pensar e imaginar outras possibilidades, pois o mundo é dinâmico e nem tudo que parecer eterno o é. Podemos aprender com a ciência, com as experiências bem-sucedidas e até mesmo com os erros cometidos no passado.
A aprendizagem é constante, assim como a necessidade de nos adaptarmos as atuais conjunturas. No caso do lago pode parecer um caso perdido, mas existem ações que podem colaborar para que futuramente, possa aumentar a quantidade de água no Lago de forma natural. É sempre mais fácil criticar do que propor melhorias para a resolução dos problemas, então é preciso aprender com as experiências já existentes, para que tenhamos opções e que possamos pensar fora da caixa. Tem pessoas que já fizeram isso e deram uma grande contribuição a humanidade.
Como assim “plantar água?
No caso do lago artificial de Garça, existem muitos entraves para a revitalização de sua nascente, pois hoje existem muitas edificações e não é possível derrubar tudo para que volte o que era antes, pois haveria um grande prejuízo para a população e para o município. Mas é possível pensar em plantar mais árvores onde hoje existe um grande gramado e o sol bate pleno sem uma sobra sequer que possa proteger o solo. Era um lugar em que antes era uma nascente que minava água. Porém, a expansão da malha urbana sufocou pouco a pouco a natureza que fazia a água brotar e o pior, foi construído um belo cartão-postal que parecia infinito, mas que hoje a natureza manda uma fatura salgada. É o preço a se pagar por décadas de omissão e escolhas duvidosas.
Falar em “plantar água” pode parecer estanho, mas é um termo usado para descrever a recuperação de nascentes através do reflorestamento de áreas degradadas ao redor delas, criando condições para que a água da chuva infiltre no solo e seja armazenada, e dessa forma revitalizar a nascente. Ernst Götsch, um agricultor suíço que provou na Bahia que isso é possível, e recuperou diversas nascentes com seu método que parece quase um milagre, mas não passa de técnica elaborada com base na experiência e na ciência. E consiste em:
Restauração do Equilíbrio Hídrico: O objetivo principal é aumentar a infiltração da água da chuva no solo e diminuir a evapotranspiração, reabastecendo os lençóis freáticos que alimentam as nascentes.
Proteção e Conservação: A prática busca proteger os corpos das nascentes de fatores externos como o assoreamento, a contaminação e o pisoteio de animais, garantindo a continuidade da qualidade e quantidade da água.
Melhora do Microclima: A vegetação criada no entorno das nascentes ajuda a manter a umidade do solo, aumenta a capacidade de retenção de água e diminui as perdas por evaporação, favorecendo o surgimento ou a revitalização das fontes.
O conceito das cidades esponjas
O arquiteto chinês Kongjian Yu, criador do conceito de “cidade-esponja”, faleceu em 24 de setembro de 2025. Ele foi vítima de um acidente aéreo no Pantanal, no Mato Grosso do Sul, enquanto gravava um documentário sobre o tema. Ele foi o criador desse conceito, de incentivar a criação de parques alagáveis, telhados verdes e calçamentos permeáveis, tudo isso faz parte de um modelo urbanístico conhecido como “cidade-esponja”. A proposta busca reter a água da chuva no próprio espaço urbano, reduzindo alagamentos e assegurando reservas de água para períodos de estiagem. O interessante é que ele comprovou na prática, que é possível aumentar o recurso hídrico disponível e o índice pluviométrico local, parece incrível, mas já é realidade.
Cidade-Esponja é um conceito de cidade sensível à água, remetendo à situação na qual a mesma possui a capacidade de deter, limpar e infiltrar águas usando soluções baseadas na natureza. Pode parecer um conceito distante da realidade, mas não é. É preciso reconhecer que ao menos uma boa iniciativa do poder público de Garça já foi adotada nessa direção. O Bosque Municipal de Garça passou por reforma para a substituição do piso asfáltico por pavimentos drenantes, que são mais adequados para uma área natural. Esse novo piso contribui para a melhor drenagem da água, evitando o acúmulo de água e favorecendo a conservação ambiental. Porém, essa iniciativa apesar de louvável, é só uma gota em um oceano cada vez mais seco. Por isso, existe a necessidade de outras tantas mudanças arquitetônicas e urbanísticas para que a cidade possa encontrar soluções que ajudem a absorver as águas de chuva – seja em áreas livres ou construídas, como:
1. Parques e Áreas Verdes:parques e áreas verdes desempenham um papel crucial na absorção e retenção da água da chuva.
2. Jardins de Chuva :Jardins de chuva são pequenas depressões ajardinadas que coletam e infiltram a água da chuva, filtrando poluentes e promovendo a recarga dos aquíferos.
3. Lagos e Pântanos Artificiais: são criados para armazenar grandes volumes de água da chuva e fornecer habitats para a vida selvagem.
4. Telhados Verdes: são uma tecnologia essencial nas cidades-esponja. Eles consistem em camadas de vegetação instaladas sobre telhados convencionais, que ajudam a reter a água da chuva, melhorar o isolamento térmico dos edifícios e reduzir a emissão de carbono.
5. Pavimentos Permeáveis: são uma solução prática para reduzir o escoamento superficial e aumentar a infiltração de água no solo. Esses pavimentos são feitos de materiais porosos que permitem a passagem da água, como concreto permeável e blocos intertravados. Eles são utilizados em calçadas, estacionamentos e ruas para mitigar o impacto da impermeabilização do solo.
6. Canais de Drenagem Natural:Canais de drenagem natural, ou swales, são valas rasas e vegetadas que canalizam a água da chuva de maneira controlada, promovendo sua infiltração e filtragem. Esses canais são projetados para capturar a água da chuva de telhados, ruas e calçadas, reduzindo a carga sobre os sistemas de drenagem tradicionais e melhorando a qualidade da água.
7. Sistemas de Biorretenção e Biofiltração: são áreas especialmente projetadas para capturar e tratar a água da chuva.
O Recurso Hídrico cada vez é mais escasso e valioso
Primeiro de tudo, é preciso ter em mente que a água é um recurso renovável sim, mas isso não quer dizer que é infinito. Para que a fonte de água seja renovável, é preciso cuidar dela e de seu entorno.
Á água limpa natural ou potável cada vez mais se torna um item mais raro e logo, com maior valor econômico. Muitas cidades são afetadas por pela falta de água, e isso tem consequências sociais, pois afeta as famílias em suas necessidades básicas, assim como também prejudica a economia. Por isso, é preciso entender que cuidar das nascentes e ter acesso à água a disposição, já é considerado um item de luxo no mundo de hoje e pode valer muito dinheiro, assim como sua ausência pode gerar gasto financeiro significativo. A falta de água em Garça, pode ser só questão de tempo. Só ver o exemplo de Bauru-SP em que o Rio Batalha já não consegue prover a água necessária para a população do município que frequentemente sofre com a sua escassez.
Assim como Bonito-MS virou referencia de turismo e preservação ambiental, é possível que Garça invista na preservação do meio ambiente e na recuperação de nascentes, pois o benefício será coletivo. É mais água disponível para a população da cidade e para os agricultores da área rural, é o fortalecimento do turismo rural, e com isso toda a atividade econômica do município também poderia se beneficiar. Atrativos naturais, cachoeiras e vales que guardam não só belezas incríveis, mas também podem virar um ativo financeiro relevante para todos. Inclusive para a arrecadação fiscal do próprio município.
A voz da experiência: Piramba e a observação do tempo
Leito de rio em Garça quase seco
Os integrantes do Piramba são testemunhas oculares da história recente do meio ambiente em Garça. Não se trata apenas de estudos técnicos ou alertas de especialistas. O Piramba, grupo que há mais de quinze anos percorre as cachoeiras e represas da zona rural de Garça, tem percebido de forma clara a redução do volume de água nesses locais. Quem visita os mesmos pontos ano após ano enxerga o problema a olho nu: quedas d’água que antes eram caudalosas agora se resumem a filetes; represas que já transbordaram hoje apresentam margens secas e fendas expostas. Essa vivência é a prova concreta de que a crise hídrica da região não é uma possibilidade futura, mas uma realidade presente.
O Córrego do Barreiro e o Aquífero Guarani
Grande parte dessas nascentes deságua no Córrego do Barreiro, que historicamente foi a principal fonte de captação de água para o consumo da população de Garça. Hoje, porém, o córrego encontra-se totalmente assoreado, resultado direto do desmatamento e da ausência de proteção de suas margens. Diante da degradação, o poder público precisou recorrer a uma solução emergencial: perfurar um poço profundo no Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce subterrânea do planeta, para evitar que a cidade ficasse sem água potável. E já existe a previsão de perfurar ao menos outros dois poços a mais de 200 metros de profundidade para tentar solucionar problemas de falta de água que já afeta a população garcense.
A necessidade de usar o aquífero é sintomático da atual situação hídrica do município, pois trata-se de ter que recorrer a última alternativa, a de procurar pelas águas subterrâneas profundas, já que a abundância de água superficial de outrora, hoje parece um passado distante e sem volta.
É uma medida que resolveu a urgência, mas que não ataca a raiz do problema. Pior: se as nascentes e córregos continuarem abandonados, dependeremos cada vez mais de soluções emergenciais e iremos consumir uma reserva que era para ser das gerações futuras, ao invés de preservar o que já tínhamos à disposição.
Ainda assim, é preciso reconhecer: em comparação com cidades vizinhas, Garça não sofre com falta de água para beber. Isso não é mérito da gestão, mas da condição privilegiada da região, que ainda resiste graças ao Aquífero Guarani. Contudo, transformar a abundância em escassez não é difícil e tudo pode ser apenas uma questão de tempo.
A gestão pública que fecha os olhos
Não importa se é poder público federal, estadual ou municipal, a realidade é que sempre existiu uma tolerância as infrações ambientais, é a famosa vista grossa, como se fosse um problema de menor importância. No entanto, tem consequências reais que afetam a vida das pessoas e trazem maior responsabilidade para os gestores públicos
É impossível tratar desse tema sem apontar a responsabilidade dos governantes. A canalização de nascentes, a ausência de políticas sérias de recuperação de matas ciliares e a permissividade com ocupações irregulares próximas a cursos d’água demonstram que o meio ambiente raramente entra como prioridade. Prefere-se investir em obras de impacto visual imediato a pensar em sustentabilidade.
A redução da água no Lago Artificial, o assoreamento do Córrego do Barreiro e a necessidade de recorrer ao Aquífero Guarani não são obras do acaso: são consequências diretas da gestão pública que em geral despreza a ciência, ignora o ciclo da água e deixa de proteger o que deveria ser mais sagrado.
Um alento: existe uma lei municipal que vai na direção correta
A lei nº 5.525/2023 instituiu o programa de recuperação de áreas degradadas e alteradas “Adote uma Nascente” para preservar e conservar as nascentes e matas ciliares que mantém suas características naturais. O Poder Público tem suas limitações também, pode muito, mas pode muito mais com a colaboração da sociedade civil organizada. A lei instituiu duas categorias de voluntários do Programa:
1) – bem como atividades de educação a adotantes: voluntários responsáveis pelas ações de preservação e recuperação da nascente; um adotante ou associação de voluntários para cada nascente ou olho d`água, que será o responsável pela manutenção da área promovendo ações de preservação, recuperação ou conservação ambiental.
2) – padrinhos ou madrinhas: voluntários responsáveis por colaborar com as ações de adoção, um ou mais padrinhos ou madrinhas, para o financiamento e apoio às ações de proteção e conservação de cada nascente ou olho d`água objeto do Programa.
Entretanto, o programa de recuperação de áreas degradadas e alteradas “Adote uma Nascente” deve ser estruturado e implementado pelo Conselho Gestor previsto na Lei. Até o momento, do que foi noticiado, houve um caso de adoção de nascente. Trata-se de área localizada no Jardim Paineiras, onde está localizado o Córrego do Barreiro.
A área foi adotada pelo SAAE e apadrinhada pela Faculdade de Engenharia Florestal – FAEF, onde foram plantadas 1.700 árvores. Nesse formato, o SAAE fica responsável pela manutenção das mudas e preservação da área, enquanto a FAEF fica responsável pela orientação técnica, projetos e fornecimento de mudas.
Entretanto, a iniciativa parece que não ganhou escala, além disso, não basta apenas cuidar da nascente, é preciso também cuidar do restante do curso d´àgua. Do que adianta uma nascente revitalizada que depois vira um córrego sem mata ciliar e que sofre assoreamento?
Necessário saber se o Conselho Gestor previsto em na Lei está exercendo as suas atribuições e se o programa está em funcionamento e logrando êxito, pois até o momento não há sinais de melhora na preservação das nascentes e córregos da região. A lei é louvável e pode ser até um alento, mas é preciso que vá muito além do papel e possa ser uma ferramenta efetiva para a transformação da realidade.
Muito além do Lago Artificial
Cachoeira quase seca
A situação do Lago Artificial é um alerta, mas não o único. Se nada for feito, outras nascentes seguirão o mesmo destino, o que compromete não apenas a paisagem, mas o futuro da cidade e da região. O problema não é apenas ambiental, mas também social e econômico: sem água, não há agricultura, não há saúde pública e não há qualidade de vida. São inúmeras as cenas na região de Garça de represas secando, córregos cada vez com menor volume de água e cachoeiras e seus poços cada vez com menos água. Realidade triste e cruel que pudemos acompanhar como uma série da TV, mas que não é nada legal de assistir.
O Dilema: aceitar a derrota ambiental ou tentar revitalizar a nascente?’
Diante do que se tornou o Lago Artificial de Garçae todo o seu entorno, de todo o investimento público realizado e uma vez que virou um local para eventos, lazer e turismo, não tem como reverter tudo e fazer voltar a área de várzea que existia ali. A expansão urbana foi cruel com este ecossistema local. Mas existem sim providências que podem ser adotadas para ajudar na revitalização e aumentar a umidade do lugar. Naturalmente é um local para abrigar e reter água, mas hoje respira por aparelhos nessa questão. O mesmo homem que causa a seca da nascente, pode sim adotar medidas para mitigar o prejuízo.
As mudanças Climáticas e outras ações antropogênicas que afetam o Lago Artificial
A ação humana de fazer o aterramento da nascente, de impermeabilizar boa parte do entorno em que havia vegetação, acabou por dar lugar a casas e outras edificações, fruto da pressão e especulação imobiliária.
Uma grande parte do que seria um ecossistema a ser preservado no coração da cidade, acabou sendo todo aterrado e transformado uma grande parte em um extenso gramado, um grande descampado, quase sem nenhuma árvore, que virou uma grande área de laser para famílias de várias formas. Jogar bola, soltar pipa, andar de bicicleta, entre outras atividades e recriações. Porém, na falta de árvores, o sol bate forte em um lugar em que antes era quase tudo água. A ausência de árvores no local, também colabora para que a nascente do lago tenha secado e ter que furar um poço para que o cartão-postal do município não vire mais uma história triste, entre outras tantas da nossa história de catástrofes ambientais.
Houve diminuição do regime de chuvas em Garça, o que fez com que o índice pluviométrico anual médio esteja em declínio. O município vem sofrendo com uma precipitação cada vez com menor volume de água e também as chuvas têm ficado menos frequentes na região. Trata-se de um problema bem mais abrangente, e que depende não só da ação de um governo local, regional ou nacional, mas sim de providências da governança global como um todo. Essa é uma luta da humanidade contra o tempo e até agora não temos sido bem-sucedidos nessa batalha.
Conclusão: responsabilidade coletiva
Todo cidadão garcense valoriza o Lago, pois realmente o lugar é uma joia do município, e hoje podemos estar em choque com o fato de a nascente do lago ter secado. Mas infelizmente, esta nascente é só uma entre outras centenas, senão milhares de nascentes que brotam em nossa região e que estão pedindo socorro. Uma andorinha só não faz o verão, assim como uma nascente só não nos assegura a segurança hídrica que o município necessita. O lago é sim o local mais conhecido de Garça, mas não é mais importante do que o córrego do barreiro que fornece a água para a sua população. Assim, como também não é mais relevante do que outras diversas nascentes que são de suma importância para o microclima local. Mas é preciso que cada área de competência faça sua parte na medida de suas atribuições.
Nem os gestores públicos, e nem a sociedade cível cuidaram ou cuidam hoje das nascentes como deveriam, é um descaso de décadas. Mas o poder público tem, sim, a obrigação de agir. A experiência mostra que esperar somente por ele não resolve. Cabe também à população se mexer, se conscientizar e cobrar mudanças, bem como adotar práticas de preservação no dia a dia, seja na direção de respeitar as áreas de nascente, evitar o desperdício de água, apoiar projetos ambientais ou denunciar irregularidades ambientais. A defesa da água não pode mais ser vista como tarefa de terceiros: é uma responsabilidade coletiva, e quanto mais cedo entendermos isso, maiores as chances de garantir um futuro em que Garça continue sendo sinônimo de fartura de água e não de escassez.
O imediatismo do homem cobra um preço no futuro, é preciso pensar hoje nas próximas gerações, estamos em uma luta contra o relógio nessa questão. É de suma importância ter consciência de que é preciso cuidar das nascentes hoje, pois amanhã poderá ser irreversível, ou então o gasto e trabalho necessário pode tornar a tarefa inviável. Para que a questão hídrica do município seja melhor no futuro, é indispensável que haja a colaboração da população com um uso da água de forma mais consciente, os proprietários rurais devem envidar esforços na recuperação e manutenção das matas ciliares e o mais importante, os gestores públicos devem ser atuantes na área do que lhe compete, que se dê o devido valor ao que realmente tem valor.
Por tudo isso, é preciso para ontem que cada cidadão ou gestor público comece a mudar de mentalidade e também hábitos e costumes, para que possamos todos nós adotarmos providências diferentes do que fizemos no passado. As escolhas de hoje precisam levar em conta não só o futuro, mas as ações e omissões do passado que já afetam o nosso hoje de forma impiedosa. Existe um ditado que diz que “o dinheiro não aceita desaforo”, mas é por que damos mais importância a ele. Entretanto, na realidade, é a natureza que não aceita desaforo, e quem paga boleto somos todos nós. Mas a esperança não pode morrer, nossa terra é gentil e generosa, se voltarmos a tratá-la bem, o que antes era cinza e seco, pode voltar a ser um lugar verdejante e úmido, assim como já foi um dia. Tudo dependente, infelizmente ou felizmente, da ação humana.
Autores: Vicente Aranha Conessa e Rudi Ribeiro Arena, fundadores do Piramba, entidade sem fins lucrativos e marca registrada que promove e divulga os patrimônios naturais, culturais e históricos da região de Garça-SP.
“Lá na pedreira Rola da cachoeira Uma água forte Pra me banhar Uma água forte Pra me banhar
Ela me enche de fé Me dando um banho de paz
Bebo dela no coité E vejo o bem que me faz Água de beber Água de molhar Água de benzer Água de rezar
Na boca da mata tem chave de ouro Tem pedras de prata E aves de agouro Tem um doce mistério Que eu não sei contar Eu só sei dizer pra você Que meu pai mora lá”
* Composição de Labre e Carlito Cavalcante / Jovelina Pérola Negra, mas também conhecida na interpretação de Maria Bethânia
Introdução:
Desde a adolescência, quando me lembro dos meus primeiros banhos de cachoeira, essa experiência sempre me despertou bons sentimentos e me impactou de forma positiva. É claro que uma cachoeira é uma espécie de atrativo natural ótimo para de se banhar e se refrescar nos dias de calor, mas entendo hoje que as cachoeiras não são simples queda d’água.
Depois que formei na faculdade e voltei para minha cidade natal em Garça-SP em 2003, progressivamente passei a andar de bicicleta e pegar umas estradas de terra, mas só alguns poucos quilômetros, que me pareciam muito naquela época. Pouco tempo depois já havia encontrado boa companhia e a intenção era procurar chegar mais perto de vales e paredões muito comuns na região. Para isso era preciso sair da estrada e da zona de conforto, enfrentar algumas dificuldades pelo caminho e um terreno mais hostil. Ali estava o embrião do Piramba MTB. Com um pouco mais de tempo a turma foi aumentando e a busca passou a ser por cachoeiras. Esse caldeirão formou a identidade do grupo, cuja imagem hoje está indissociável das cachoeiras.
Cada cachoeira nova conhecida era um momento de grande contemplação e deslumbramento, e por isso mesmo, cada vez mais a gente queria ir de bike e buscar novas cachoeiras. Nesse intento, conseguimos chegar a algumas cachoeiras por indicação de pessoas, mais em muitas outras a tarefa era exploratória com base na intuição e mais recentemente com o google maps com suas imagens por satélite, que ajudam muito.
Desde o início por essa busca incessante por cachoeiras, quase todas as semanas desde então vou de bike até uma das tantas que há em Garça-SP, ainda que o tempo esteja frio. Só de estar próximo da cachoeira a sensação é sempre muito boa. O engraçado é que sinto falta de cachoeira se fico um tempo sem ir até uma delas. Ao longo do tempo passei a reconhecer que ao menos pessoalmente e de forma empírica com base na causa e efeito, o banho de cachoeira sempre pareceu revitalizar o corpo e a alma.
Antes de entrar, a água parece estar sempre muito gelada e é preciso uma certa coragem, pois realmente a temperatura é fria, mas ao adentrar em baixo da queda d’água parece que um turbilhão de sensações toma conta do corpo e da mente, o frio parece não ser mais um problema, e depois é normal ser tomado por uma ótima sensação de bem estar.
Por tudo isso, virei um grande apaixonado por cachoeiras e um assíduo frequentador delas. O interesse é tanto que resolvi pesquisar e escrever sobre o tema. Na minha concepção, embora não seja possível comprovar os benefícios dela para saúde física e mental pela ciência da atualidade, ninguém pode negar os encantos desses lugares, a plasticidade de sua beleza natural, que funciona como um lugar de lazer e como, ainda que de forma marginal, a gente se depara com ela no dia-dia sem querer, seja na tela de um quadro ou nos filmes, novelas e desenhos, já que é sempre um cenário fascinante para as artes visuais.
Além disso tudo, é inegável também a importância das cachoeiras para algumas etnias ou denominações religiosas, como a cena clássica com que já nos deparamos muitas vezes, que é a oferenda.
Também é muito interessante a classificação das cachoeiras. Sim, existem nomes diferentes de acordo com as características da queda d’água. Geralmente usamos cachoeira para todas as quedas d’água, mas todos já ouvimos falar em salto, cascata ou cataratas, não é? Tudo isso será mais explorado ao longo desse artigo. Observo que, ainda que seja um assunto muito interessante, me deparei com poucas fontes para estudo, mas garimpando bastante ali e aqui foi possível conectar um pouco de tudo o que já foi estudado sobre cachoeira para consolidar este texto que vem colocar um pouco de luz sobre assunto, as cachoeiras, seus encantos e sua importância para a humanidade.
ACachoeira em amplo e estrito sentido (lato sensu e stricto sensu)
Normalmente, quando falamos em cachoeira, usamos a palavra em seu sentido amplo, extensivo para se referir às diversas formas de queda d´água existentes nos rios mundo afora. No entanto existem diferenças e para cada uma delas também existe um nome específico conforme alguns critérios e características. Podem ser classificadas assim:
QUEDA D’ÁGUA
Este é um termo que pode ser usado para qualquer tipo que será citado abaixo, independente das tipificações de cada uma, porque um termo bem genérico.
CACHOEIRA
Este termo é usado quando a queda d’água possui mais de 2 metros de altura, independente das descrições que serão citadas abaixo. A única coisa que difere de uma queda d’água é sua altura mínima, se encaixando, portanto, na categoria acima, porém o termo queda d’água quando se fala sobre uma cachoeira não está errado. É apenas um termo genérico. Portanto, tudo e qualquer curso d’água que despenca a mais de 2 metros é considerado uma cachoeira.
A cachoeira é muito semelhante à Cascata (e para muitos, a mesma coisa), que recebe este nome quando a queda não tem interrupção, quando a água desce diretamente ou com poucos obstáculos.
Cachoeira das Andorinhas – Cânion Itaimbezinho – Cambará do Sul
SALTO
Aqui começa a divergência entre pessoas, porque, sem conhecimento técnico, nomeiam uma cachoeira sem saber se ela pode ter os requisitos para levar o título de salto. Para uma queda d’água levar o título de salto, ela tem que possuir uma forma de esguicho, ou melhor dizendo, não ter contato com a pedra, caindo sem obstáculos. Existe a queda mista que entra também neste ponto, porque cachoeiras que tenham mais de 70% da sua queda, sem interrupção ou contato com as pedras, já é considerada salto.
Exemplo: Salto Ventoso, Salto Angel (Venezuela), Salto São Francisco.
Imagem: Foto: Antonio Hitcher
Para entender como estas definições são tênues, basta verificar que a maior cachoeira do mundo se chama Salto Angel (imagem acima), com seus 979 metros de altura.
CASCATA
Tendo a grande maioria das cachoeiras com esse estilo cascata, nada mais é do que o inverso do salto, fazendo com que a água deslize sobre as pedras no declive, independentemente de sua extensão. Existindo uma variedade delas e todas abrangendo o termo cascata, então pode–se aplicar os termos genéricos de queda d’água ou cachoeira, mas o especificado é cascata.
Cascata Rasga Diabo
Apenas quando há declives com pedras e ondulações é que leva o nome de cascata.
Um exemplo equivocado é da famosa Cascata Caracol, porque se trata de um salto, como se pode ver na imagem abaixo.
Cachoeira Caracol (Aqui temos um exemplo equivocado. Trata-se de um salto que foi chamado de cascata. Notem que a sua maior parte é queda livre, por isso é um salto)
CATARATA
O auge que uma queda d’água pode chegar é ser uma catarata, diferenciada das outras porque tem um volume de água absurdo. Possui uma formação semelhante a salto, mas existe uma extensão mínima necessária para ser nomeada. Pode ter até interrupções por igual com algumas quedas próximas.
Cataratas do Iguaçu (Foz do Iguaçu/PR)
As Corredeiras
Embora não seja propriamente uma cachoeira, muitos a confundem com ela, mas, na realidade, trata-se de uma corredeira, mas não é por acaso, porque elas têm suas semelhanças. Mas esta é a parte do rio em que as águas, devido à diferença de nível, correm ligeiras e fazem muita espuma. A água em uma corredeira não cai, ela corre, por isso o nome, e corre rápido, em contraposição à calmaria aparente dos rios em terreno plano. Por isso mesmo, uma corredeira de água limpa é um ótimo lugar praticar esportes como rafting com caiaques, mas também para se lavar roupas e utensílios, e por isso as corredeiras pela força de suas águas foram locais historicamente utilizados por indígenas, ribeirinhos e quilombolas para esses fins.
O interessante que é lavar roupas nos rios é até hoje uma profissão no Brasil. O ofício de lavar roupa à beira do rio ainda é praticado por centenas de senhoras nas regiões ribeirinhas do rio São Francisco. Elas acordam cedo, com o raiar do “sol do Chico”, e partem com as roupas para a beira do rio.
*Antigamente, as lavadeiras passavam pelas ruas da cidade carregando o filho menor no colo, vestidas com saias de retalhos coloridos e equilibrando pesadas trouxas de roupas na cabeça. Hoje em dia, usam o carrinho de mão para o transporte das roupas e já não cantam os lamentos da profissão. As ladainhas entoadas pelas lavadeiras de antigamente ficaram nos livros. Agora, a canção sertaneja, de axé, arrocha e brega ganham voz na boca dessas ribeirinhas guerreiras.
Em Propriá, distante 99 km de Aracaju, na divisa entre os estados de Sergipe e Alagoas, as lavadeiras ainda mantêm a tradição de bater a roupa nas pedras para retirar o excesso do sabão, da água e da sujeira. Depois da lavagem primitiva, espalham as roupas na beira do rio.
** Uma corredeira ou rápido[1] é a seção de um rio ou curso de água onde o leito do rio tem o gradiente relativamente alto, aumentando a velocidade da água e a turbulência. Uma corredeira é uma característica hidrológica entre uma leve correnteza e uma cascata. Caracteriza-se pelo rio tornar-se mais raso e com algumas rochas expostas acima de sua superfície. Como a água corrente salpica, chapinha e respinga violentamente sobre e em torno das rochas, bolhas de ar se misturam e em partes da superfície adquirem uma cor branca. Corredeiras ocorrem onde o material do leito é altamente resistente ao poder erosivo do fluxo em comparação com o leito a jusante (corrente abaixo) das corredeiras. Córregos e rios muito jovens fluindo, cruzando seu caminho através da rocha sólida, podem ser corredeiras por muito do seu comprimento.
Corredeiras são categorizadas em classes, geralmente indo do nível I ao VI. Uma corredeira 5 ou V pode ser categorizada como classe 5,1-5,9. Corredeiras classe I são fáceis de atravessar e não necessitam de manobras, enquanto as corredeiras da classe VI representam uma ameaça à vida.
As cachoeiras povoam o imaginário popular e cultura pop, além de estarem presentes nas atividades econômicas ligadas ao turismo, à religião, à cultura e à história dos povos. Está também na música popular brasileira em canções como“Com Certeza” da Banda de Reggae Planta e Raiz e “Águas de Cachoeira” de Jovelina PérolaNegra. É cenário de filmes de Hollywood como o Blockbuster, a saga “Crepúsculo – Amanhecer Parte 1“, ou em filmes nacionais como o indicado ao prêmio do Oscar de 1996, o longa metragem “O Quatrilho“. A beleza das quedas d´água é muito comum nas populares novelas nacionais como a Cachoeira Santa Maria em Pirenópolis da novela “Estrela Guia” com a cantora Sandy como protagonista. O cenário de Carrancas-MG de vegetação e montanhas também já serviu de pano de fundo para novelas como “Império” (2014), “Orgulho e paixão” (2018) e “Espelho da vida” (2018). Muitos são os documentários que bebem de sua fonte.
E ainda está presente em desenhos animados, como no icônico episódio do Pica Pau até um pouco polêmico com o Barril descendo a Catarata de Niágara de 1956. Foi objeto até de reprodução da cena nas Cataratas do Iguaçu no Brasil e de um filme.
Uma Cachoeira e seus encantos mil
Não é só a beleza da água a cair, ou o forte som que dela emana que nos fascinam. Em geral, ela está envolta a um exuberante meio ambiente. São os pássaros a cantar ao redor, as belas e altas árvores a nos deixar com a sensação de sermos pequenos perante uma cachoeira em sua plenitude, o leito do rio cavado pela água corrente contínua tem suas cores particulares realçadas em contraposição ao verde da mata, as rochas sempre brutas revelam um passado longínquo na terra, o relevo singular completa geralmente as belezas desses lugares.
Nenhuma cachoeira é igual a outra, umas são mais altas, outras mais baixas, umas mais remotas, outras mais acessíveis, umas com água cristalina, outras nem tanto, as cachoeiras estão presentes nos mais diversos biomas do brasil dos mais variados pontos do Brasil. Temos as cachoeiras incríveis dos Cânions do Sul, os mais profundos vales do Brasil e de beleza ímpar, muitas desconhecidas e inexploradas. Em Garça-SP, há mais de uma centena de cachoeiras e o acesso nem sempre é difícil, mas a algumas nunca conseguimos achar um bom local para descer até o fundo do vale para chegar até a queda d´água. Em geral, a natureza impõe um pedágio para se chegar até ela, algumas sai bem barato, mas outras cobram caro, por isso é preciso ter muita força de vontade porque muito é o esforço despendido.
Mas sua importância é inesgotável. É um local relevante para a práticas de rituais religiosos considerados sagrados para os povos nativos e praticantes de religiões de matriz africana que, apesar das dificuldades, conseguiram fincar raízes em todo território brasileiro. É nessa seara que optei por aprofundar o presente artigo, mas é interessante também lembrar da importância das cachoeiras para os primeiros habitantes do Brasil, os povos originários do Brasil, dizimados ao longo dos séculos pelos homens brancos, católicos, civilizados e de bem. Até hoje os algozes dos indígenas gozam da reverência de suas macabras façanhas, são tratados como heróis, ganham estátuas, nome de ruas e condecorações.
As cachoeiras sempre atraíram os homens, os animais, porque são fonte de água pura para se beber. Na antiguidade são locais usados para lavar o corpo e também alguns utensílios se necessário. Até hoje as cachoeiras tem uma força de água corrente ótima para limpeza só com a força d´água. Ao longo do tempo se transformaram também em atrativos turísticos para se banhar, para diversão, para aliviar o calor, na falta de praia no interior do Brasil. Nosso país é repleto de cachoeiras cristalinas e deslumbrantes, por isso muitas delas são locais utilizados para a prática de rituais religiosos dos mais sagrados.
Não é por acaso que elas se tornaram provas vivas do que existe de mais belo na natureza. São claras evidências da natureza divina do criador e têm uma força espiritual inexplicável. Em uma cachoeira podemos nos conectar com natureza e com seu criador, com as vibrações benfeitoras que emanam do local, que geralmente guardam muita história. As cachoeiras ao longo do tempo sempre foram locais de referência, de parada no caminho percorrido, de banho, de limpeza em geral, e para muitos um lugar místico e de muito valor espiritual. No Brasil as cachoeiras também sempre foram consideradas lugares sagrados para os povos indígenas muito antes da invasão dos europeus. Deveríamos procurar aprender um pouco com a sabedoria dos indígenas que conhecem e mantêm um laço muito mais estreito com a natureza do que nós pobres homens brancos, cada vez mais distantes do mundo natural em suas bolhas artificiais. Deixam, assim, de ter a oportunidade de se conectar com o meio ambiente, e de deixar florescer toda carga de ancestralidade e os instintos atávicos mais puros que um bom contato com a natureza proporciona.
As cachoeiras saltam aos olhos, mas ultrapassam a visão. Outros sentidos são ainda mais ativados, a audição talvez seja o mais é acionado, porque de longe pode ser ouvida. Perto delas tudo o que é som exterior parece ficar em volume baixo, sua sinfonia é soberana na mata. Quem tiver ouvidos para ouvir pode perceber que ela se impõe soberana, perto dela todos os barulhos outros da vida cotidiana e urbana são abafados pela força do som da água corrente iluminada que percorre as rochas para cair e, nesse processo, cria uma melodia singular. Cada cachoeira tem suas notas, timbres distintos. Mas também o tato pode ser o mais importante sentido em um banho de cachoeira, a sensação de sentir a água limpa e corrente passar por cada poro da pele, muitas com tamanha força da gravidade cujas águas chacoalham todo o corpo físico, mas parece que também mexe com a mente e o espírito. E não é só.
Cada cachoeira tem seus muitos atrativos e importância tanto para o homem como para os animais e o meio ambiente, por isso preservá-las é mais do que necessário, e não se restringe a isso, pois ali existe todos os elementos que proporcionam uma ótima conexão com a natureza e por consequência ao seu criador. Quanto mais pura estiver sua água, mais força de purificação tem a cachoeira, cascata, salto ou corredeira, e essa força da natureza divina é também responsável pela maior parte da energia elétrica que usamos para o nosso dia a dia, é o sistema de queda d´água como de uma cachoeira que faz ligar nossas máquinas, computadores e celulares. É pura energia em todos os sentidos.
As cachoeiras parecem ter um mil encantos, trazem paz, tranquilidade, conexão com a natureza. Há uma espécie de magia, e um ar um tanto romântico no seu mais amplo sentido, de apreciar as cintilantes águas a cair ou o som estrondoso que dela emana. É claro que também existe uma alusão de ser um ótimo lugar para os apaixonados. Existe também algo meio místico ou esotérico para alguns, e até mesmo sagrado para algumas das muitas religiões indígenas, os povos nativos de nossa terra. Mesmo para os cristãos os rios e cachoeiras são considerados locais de um de seus mais relevantes rituais ao longo da história, e tem Jesus como exemplo máximo no ritual de João Batista no Rio Jordão.
O Contato com a Natureza e a Cachoeira como fonte de vitalidade para terapia holística
Para muitos adeptos de práticas tidas como orientais se utilizam do contato com a floresta e as cachoeiras para promoção de curas físicas e emocionais (Reiki, Hinduísmo, Ayurveda, Yoga).
Já ouvir falar em banho de floresta? Pode parecer algo estranho, mas ele tá virando uma prática cada vez mais comum e incentivada em um dos países mais desenvolvidos e que possuem uma das populações mais longevas do mundo, o Japão. E ouso dizer que os efeitos de uma banho de cachoeira é ainda mais intenso, pois além do banho de florestam já que a cachoeira sempre está no meio de uma, há também a força poderosa da água corrente em queda impactando o corpo.
Os banhos de floresta no Japão*
O shinrin-yoku, ou banho de floresta, é a prática japonesa de passar um tempo em uma floresta como forma terapêutica para minimizar o estresse e incentivar o contato com a natureza.
A prática consiste em ir a uma floresta e passear entre as árvores, ou apenas sentar-se e aproveitar o momento para apreciar o ambiente, ouvindo os sons da natureza, o canto dos pássaros, o vento batendo nas folhas das árvores, o som das águas dos riachos, respirar o ar puro e naturalmente perfumado ou se deixar levar pela tranquilidade através de uma experiência totalmente sensorial.
O bem-estar físico e mental gerado pela prática do banho de floresta traz um momento relaxante, levando as pessoas ao esquecimento da agitação dos centros urbanos, proporcionando momentos de paz pelo contato com a natureza.
Os benefícios do shinrin-yoku
O banho de floresta tornou-se uma parte essencial dos cuidados preventivos com a saúde no Japão. Estudos japoneses comprovam que este banho melhora a qualidade do sono, do humor, da capacidade de foco e reduz os níveis de estresse.
Passar um tempo na natureza, longe da tecnologia moderna e dos grandes centros urbanos pode melhorar a saúde física e mental e criar um estilo de vida mais saudável para pessoas de todas as idades.
Projeto de cooperação técnica para desenvolver banho de floresta no Brasil poderá ganhar reforço japonês*
Muitos podem ver a questão do banho de floresta como uma prática meramente esotérica sem qualquer respaldo na ciência, mas o assunto é bem mais complexo.
Desde 2021, a Fiocruz e o Instituto Brasileiro de Ecopsicologia (IBE) realizam uma cooperação técnica e científica para desenvolver o banho de floresta no Brasil. No debate, Guilherme e Marco apresentaram o desenvolvimento do projeto de cooperação para a prática desse banho em nosso país.
A iniciativa brasileira chamou a atenção de um pesquisador japonês que se dispôs para contribuir com a Fiocruz e o IBE com o projeto de implementação deste tipo de banho em florestas brasileiras. Yoshifumi é reconhecido como o responsável pelos principais estudos sobre o shinrin yoku, ao provar cientificamente os benefícios desta prática em centenas de pessoas.
Em 1990, este pesquisador realizou a primeira prática de medição fisiológica dos efeitos do banho de floresta, a partir do nível do cortisol nas pessoas. Ao longo desses anos, a pesquisa passou por 63 lugares e analisou 756 participantes, tornando-se a maior base de dados já levantada sobre o tema no mundo. Yoshifumi explica que a base da pesquisa está na compreensão da relação do homem com a natureza e a interação entre ambos.
O Homem Evoluiu Dentro da Natureza e Tem uma Capacidade Inerente de Adaptar-se a Ela
O barulho das águas caindo da pedra, o cheiro da terra e do verde em volta, o frescor na pele e a translucidez em frente aos olhos formam um conjunto de sensações que acalmam. A pedra bem no centro da cachoeira torna-se o ambiente perfeito para relaxar e repor a energia do corpo. Assim é que Vera, conhecida como Vera Holística, realiza suas sessões de Reiki.
O Reiki é um sistema de reposição energética, um tratamento terapêutico usado para diversos problemas, físicos e emocionais. Vera conheceu as terapias holísticas em 1996, quando estava enfrentando um câncer. Depois de passar por diversos médicos e ficar internada por muito tempo, ela tomou um chá preparado por sua mãe, em um dia que estava passando muito mal, e melhorou. Descobriu que água é transmissora de energia. Tudo que colocamos na água se transforma, e por isso que ela atende em cachoeira, como anuncia.
Reiki a energia universal. A ideia é canalizar a energia, que chamamos de prana, a energia da cura, explica Vera. O site oficial da terapia define Reiki como uma técnica japonesa para reduzir estresse e promover relaxamento, que leva à cura. Ele é feito a partir da imposição de mãos, baseado na ideia de que uma energia vital invisível nos deixa vivos.
Devido à poluição e ao desmatamento sistemático das últimas décadas, o ar que hoje respiramos contém muito menos oxigênio do que há 20 anos. Estudos realizados com o ar retido em fósseis demonstraram que a proporção de oxigênio (O2) no ar respirado por nossos ancestrais chegava a 38%. Após a II Guerra Mundial, esse índice já havia caído para 22% e, segundo cientistas suíços, que desde então vêm monitorando criteriosamente a atmosfera, o nível atual de O2 não passa de 19,6%, despencando para 12% em cidades muito poluídas. Assim, todo cuidado é pouco!
Ionização do ar
Mas há também uma outra poluição, menos conhecida, que também nos atinge: a poluição elétrica do ar pela concentração muito elevada de íons positivos.
Digamos, de maneira esquemática, que o ar contém íons com polaridades elétricas opostas: íons positivos, nocivos quando em excesso, e íons negativos que, contrariamente a seu nome, são benéficos para o nosso organismo. São até chamados de ‘vitaminas do ar’. O equilíbrio desses íons no ar que respiramos influi de maneira determinante em nossa saúde em geral e na nossa vitalidade em particular. De fato, o oxigênio assegura as funções vitais básicas, mas ele só passa dos pulmões para o sangue em presença de íons negativos.
As más condições da vida moderna provocam o rompimento do equilíbrio iônico e nos privam de muitos desses íons negativos tão benéficos para nossa oxigenação e nossa saúde. Essa carência de íons negativos é uma das causas das doenças da civilização: cansaço, nervosismo, dores de cabeça, depressão.
Fatores que influem na concentração de íons negativos no ar
O ar é ionizado naturalmente de maneira contínua. Os íons negativos se formam sob a influência de causas naturais: a radioatividade natural do solo, a fotossíntese das plantas, os raios cósmicos e ultravioletas do sol, as tempestades e os raios, a chama de uma vela ou de uma lareira, o impacto da água em movimento (chuva, chuveiro, mar, fonte), o atrito do ar nas plantas pontudas. Se temos a sensação de respirar melhor ao pé de uma cachoeira, depois de uma tempestade, na montanha, à beira-mar, na floresta, no sol, isso ocorre pela riqueza do ar em íons negativos.
Por outro lado, certos fatores naturais favorecem a redução de íons negativos e um excesso de íons positivos, tais como o ar antes de uma tempestade, a chegada de ventos quentes e secos, o nevoeiro, etc.
Diversos fatores artificiais também diminuem a concentração de íons negativos no ar: poluição, ar confinado (residência, carro, escola, escritório, transportes coletivos), ar condicionado, proximidade de um aparelho elétrico (aquecedor, aparelho de televisão, computador, forno de microondas), tecidos sintéticos (carpetes e roupas sintéticas), fumaças industriais, gás de escapamento dos carros, poeira, tabaco, aquecimento elétrico e até o ar que expelimos de nossos pulmões.
É por isso que, nesses diferentes locais e condições, podemos sentir fraqueza, cansaço, irritabilidade, dor de cabeça, insônia, vertigem. Mas, cuidado para não lançarem a culpa de todos os males e do nosso mau humor sobre a qualidade do ar!
Vivemos em locais bem isolados, em ambientes fechados, onde a quantidade de íons negativos do ar é insuficiente. Portanto, é necessário reavivá-lo, purificá-lo e revitalizá-lo por ionização.
Talvez você não saiba o que são os íons negativos, mas são eles que dão aquela sensação gostosa quando pisamos descalços na terra, respiramos ar puro, tomamos um banho de cachoeira, enfim interagimos com a natureza. Sabe por quê? Porque somos parte integrante dela e dependemos desse contato para manter a saúde física e mental, como apontam estudos realizados em vários países, que já comprovaram essa teoria. Logo, como um ser urbano, se realmente quiser se cuidar e ter mais saúde, mesmo que esporadicamente, aparte-se da cidade para obter mais benefícios para i mesmo.
Saiba mais sobre os íons
Os íons, pequenas partículas existentes na natureza, resultam do processo de perda ou ganho de elétrons, por meio de reações eletricamente carregadas. Por isso, eles se dividem em negativos (os ânions) e positivos (os cátions). Os negativos que se formam próximos a cachoeiras, à beira do mar, nas florestas e nos campos, são responsáveis por fazer a gente se sentir bem em contato com a natureza, principalmente, porque facilitam a absorção de oxigênio pelas células. Já os positivos, presentes nas grandes cidades, na água poluída, em dias nublados, em ambientes com ar condicionado e em equipamentos eletrônicos, atrapalham o raciocínio; afetam o sistema imunológico; aumentam o estresse e o mau humor; geram ansiedade; provocam dor de cabeça; e contribuem para depressão.
Nada como a natureza
É importante viver rodeados de ionização natural (fontes, árvores e plantas) ou de irmos respirar e caminhar regularmente na natureza.
Além disso, será necessário impor normas rigorosas para a fumaça das fábricas, os gases de escapamentos dos carros, os aparelhos elétricos, o tabagismo e privilegiar as fontes naturais de íons negativos benéficos — as florestas, os jardins públicos, as fontes e os chafarizes.
Para se beneficiar com a natureza
Se você vive em apartamento, trabalha em escritório, respira ar condicionado e costuma se deslocar de carro, locais onde a presença dos íons negativos é mínima ou inexistente, adeque sua viagem à quantidade de íons disponível por centímetro cúbico em ambientes naturais. Observe:
Cachoeira – 25 mil íons negativos.
Beira mar – 5 mil íons negativos.
Campo – 1.200 íons negativos.
Cidade grande – apenas 100 íons negativos.
Apartamento e escritório – somente 20 íons negativos.
No carro – apenas 15 íons negativos.
Ambientes com ar condicionado – nenhum íon negativo.
É possível considerar as cachoeiras não só como elementos físicos e ambientais, mas como lugares significativos para os povos indígenas – constituídos por componentes ideológicos, históricos, econômicos e territoriais. Certamente a formação de ecótonos, áreas abundantes em alimento, com fartura de peixes e outras importantes fontes proteicas, como animais aquáticos de maior porte, faz das cachoeiras áreas de interesse econômico. Marcos físicos e estratégicos tornam-se, para quem sobe ou desce um rio, pontos de parada, entrepostos para comércio e para troca de dádivas, espaços de política, de disputa e de tomadas de decisão.
No entanto, não é somente por essa chave interpretativa que se dota de significância uma cachoeira; o caráter ideológico e o simbólico precisam ser levados em consideração. Diversos mitos indígenas, em diferentes áreas das terras baixas sul-americanas, compreendem as cachoeiras como locais sagrados, de nascimento do mundo. Parte importante da cosmologia e dos mitos de origem, as cachoeiras desempenham papel central para se pensar o ordenamento do mundo, do território e da própria vida. Para povos do alto rio Negro, como os Tariano, Tukano, Desana, Pira-Tapuia, Wanano e Tuyuka, a cachoeira de Iauaretê, no alto rio Negro, no noroeste da Amazônia, tem significância ímpar na conformação de sua identidade e territorialidade, pois foi “um dos pontos de parada da cobra-canoa que trouxe ao Uaupés seus ancestrais”. Da mesma forma, muitos coletivos indígenas, como os Jívaro da Amazônia Oriental, utilizam áreas de cachoeiras para a realização de atividades de iniciação dos rapazes. Por fim, a arqueologia demonstra que, além de berço da humanidade e local de passagem entre os períodos da vida ou entre lugares de viver, as cachoeiras também serviam para os momentos de transição ao mundo dos mortos, já que é comum se encontrar cemitérios nesses locais.
Vista como um lugar ancestral ou mítico, em virtude dessa dimensão simbólica, uma cachoeira pode integrar o imaginário de uma população. As cachoeiras são bolsões de histórias dos grupos indígenas das terras baixas sul-americanas, mesmo que sejam esporadicamente – ou mesmo nunca – visitadas. Assim, os vestígios antigos que se acumulam sedimentados no entorno das cachoeiras, os quais permitem caracterizá-la como paisagem histórica e arqueológica, acabam por propiciar o substrato às narrativas históricas elaboradas por esses grupos e por nós mesmos.
Se nesses casos o componente ideológico não exclui o viés material, e vice–versa, eles se integram formando a base física, geográfica, histórica e mental de uma sociedade. Sujeitas a variações e fluidez, essas paisagens constituem-se no território como espaços de identificação, o que implica construção, controle, engajamento e modificação. Dentro de fronteiras fluidas, como eram as indígenas, imersas em variadas territorialidades, as cachoeiras podem ser vistas como áreas centrais, nas quais se sobrepõem distintos territórios; são os “nós” e entroncamentos nessas redes; marcadores geográficos e simbólicos; ponto de encontro para grupos ou ainda espaços rituais e de peregrinação. Podendo conter simultaneamente essas diferentes funções, inclusive algumas divergentes, são formadas ao longo e pelo acúmulo dos resquícios das diferentes intervenções humanas durante a história.
*Autores: Fernando Ozorio de Almeida e Thiago Kater
As cachoeiras para acultura afro, eo preconceitoque sofrem os devotos das religiões Afro-Brasileiras.
As cachoeiras também são locaisespeciais para a Umbanda e o Candomblé que herdaram dos escravos, trazidos em seus tristes navios, elementos da cultura africana importantíssimos para essas religiões, presentes nos grandes centros metropolitanos e nas mais pequenas cidades do nosso extenso país. Infelizmente, ainda hoje é possível encontrar nos quatro cantos do país, após 136 anos do fim da escravização, as suas consequências, vistas nas mais diversas favelas, nas prisões brasileiras, nas desigualdades sociais que continuam como uma ferida ainda não cicatrizada. Apesar da propalada cordialidade do brasileiro por ser fruto de uma mistura de raças, o Brasil não é um país cordial. Não tivemos aqui umApartheid como na África do Sul ou uma legislação segregacionista como nos Estados Unidos, entretanto, o racismo continuou e permanece bastante presente aqui no Brasil. Não por acaso, fomos o último país a abolir a escravização, e isso foi muito bem retratado na letra da música “Todo camburão tem um pouco de navio negreiro” do grupo O Rappa. Essa realidade precisa mudar. Nos EUA ainda o racismo é muito grande apesar dos avanços ao longo da história. Em 1964 Martin Luther King Jr. foi premiado com o Nobel da Paz por sua luta pacifista contra o racismo. Também nesse ano foi promulgada a Lei de Direitos Civis, que baniu todas as formas de segregação racial. No ano seguinte, 1965, os negros sulistas conquistaram o direito ao voto.
A segregação racial vigorou como lei em muitos estados norte-americanos, restos e sequelas do final da escravidão a que chegaram por meio de guerra civil. O regime segregacionista estabelecia que houvesse escolas para crianças brancas e escolas para crianças negras, rigidamente separadas, sem qualquer exceção. Sucede que para algumas crianças negras, estudar na escola que lhe era permitido pela segregação, significava viajar para outra cidade, independentemente de sua idade ou condição física. A Europa colonizadora de países africanos também tem uma dívida histórica, consequência de sua atuação marcada por exploração, escravagismo, atrocidades, genocídios e maus tratos. Os casos dos belgas no Congo e dos alemães na Namíbiailustram muitos bem a crueldade a que os africanos foram submetidos pelo brancos que se julgavam superiores moralmente.
As sequelas do passado escravocrata ainda se encontra muito presente no mundo atual nos mais diversos pontos do planeta. É evidente e existem muitas provas de casos registrados na história de preconceito e o racismo estrutural. O povo negro encontrou na religião uma forma de resistência, de preservação de sua cultura e costumes, e aí entra a religião herdada como um instrumento vital para não apenas resistir fisicamente, e sobreviver após a alforria que os jogaram na rua sem beira nem eira, mas para resistir filosoficamente, culturalmente e espiritualmente também. É inaceitável que ainda nos dias de hoje exista preconceito contra os religiosos da Umbanda e do Candomblé. Ele ainda está muito vivo na sociedade e o auge desses desajustes estão registrados nos vários boletins de ocorrências Brasil a fora, com ofensas, preconceitos, ameaças e até mesmo destruição de templos. Por tudo isso, o mais importante é que se tenha informação, porque a falta dela, a falta de educação no sentido amplo da palavra, faz com que existam estas lamentáveis ocorrências.
Sintoma de tudo isso é a famosa expressão “chuta que é macumba”. Muitos a utilizam de forma irreverente e sem malícia. A frase é um deboche, falada pelas pessoas em tom de brincadeira sem atentar para o fato de que estão sendo extremamente preconceituosas e intolerantes com as religiões de origem africana, em especial o Candomblé e a Umbanda.
Muitos não tem noção e consciência da importância da cultura e da gastronomia que herdamos dos povos africanos e que formou nosso povo, moldou nossa identidade como nação. Aprendemos a apreciar o feijão preto e sua famosa feijoada, acarajé, vatapá, caruru, mungunzá, angu, pamonha, quiabo e chuchu. Temperos também foram trazidos da África, como pimentas, o leite de coco e o azeite de dendê e muito mais pratos que se incorporaram na vida de muitos brasileiros. Mas não tal influencia não se limita ao o que comemos. A nossa cultura é formada pelo que há de mais enraizado também de origem afro, o samba, a capoeira, o maracatu, bem como em instrumentos musicais como tambor, atabaque, cuíca, alguns tipos de flauta, marimba e o berimbau, todos heranças africanas que constituem parte da cultura brasileira. Essa influência africana também está presente nanossa língua, como exemplo as palavras dengo, cafuné, caçula, moleque, quitute, farofa, bambambã, borocoxô, bunda, caçamba, capanga, cochilar, moleque, muvuca, quitanda, tanga, zumbi e fubá, todas incorporadas ao nosso cotidiano.
Macumba na Cachoeira
Foram inúmeras as vezes que fomos a uma cachoeira e nos deparamos com um conjunto de objetos próximos a uma cachoeira, à qual chamamos, sem conhecimento, macumba. Eu, em respeito a qualquer religião, não toco em nada, como muitos assim o fazem também, mas por medo. Nas cachoeiras de difícil acesso nunca encontramos uma oferenda, pois geralmente o fato de se ter de levar muitas coisas dificulta o ritual. É comum se encontrar velas, bebidas alcoólicas das mais diferentes, comida diversas como peixe, frango, farofa, legumes e frutas.
Em geral a Cachoeira da Igurê e na Cachoeira do Pico do Carcará são lugares em que frequentemente aparecem o trabalho espiritual, ambas em Garça-SP, que por serem mais acessíveis facilitam a prática desses rituais religiosos. Para entender melhor tudo isso, resolvi pesquisar um pouco sobre esse assunto misterioso, cujos praticantes sofrem muito preconceito. O assunto tem uma aura meio sobrenatural ou então que está ligado a coisas ruins, mas a verdade é que é um assunto intrigante, cercado de mitos, medos e muito pouca informação.
O que é Macumba?
Macumba é uma árvore Sagrada na cultura africana, onde os praticantes da religião se encontravam para rezar e realizar os rituais em nome de seu Orixá de devoção. Mas também macumba é um antigo instrumento de percussão. Macumbeiro, originalmente, era o músico que tocava tal instrumento. Porém, normalmente se usa este termo de modo pejorativo desde o Brasil-colônia, embora seja também comum até mesmo entre os religiosos da umbanda e candomblé, mas quem não é praticante deve tomar cuidado para não usar o termo de forma depreciativa. O respeito a religião do outro deve existir acima de tudo. Não podemos reforçar estereótipos e preconceitos que, infelizmente, existem na sociedade e que devem ser combatidos, já que é um direito constitucional dos mais importantes. O artigo 5º, VI, estipula ser inviolável a liberdade de consciência e de crença, assegurando o livre exercício dos cultos religiosos e garantindo, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e as suas liturgias.
É muito comum ir-se em uma cachoeira, bastante frequentada, e encontrar-se no local uma oferenda. São muitos os nomes que se dão popularmente a esta prática de cunho religioso associadas as religiões de matriz africana: trabalho, despacho ou macumba. São práticas enraizadas culturalmente e com abrangência em todo território brasileiro. Em especial são praticantes da Umbanda e do Candomblé os que costumam levar uma oferenda a determinadas entidades em cachoeiras, mas qual a razão disto? Estas oferendas podem conter uma gama bem variável de coisas, desde velas, frutas, comidas diversas e até sacrifício animal, com a distinção de que ao menos, teoricamente, os adeptos da Umbanda não são adeptos desta última prática.
O despacho de macumba
Esse nome passou a ser utilizado para nomear as oferendas feitas aos Orixás, e por muitos é considerada como magia negra. A macumba ou oferenda, nada mais é do que um presente a uma energia Divina para que ela auxilie a pessoa no direcionamento de uma causa. Assim como qualquer outra religião ou cultura pode usar de seus dons para realizar ações contra terceiros, a macumba também pode ser usada para isso, porém nenhum centro de Umbanda ou Candomblé de respeito verá bons olhos, ou aceitará esse serviço.
Para os praticantes das religiões de matriz africana, a macumba nada mais é do que demonstração de respeito e fé de quem segue a religião afro, é uma atitude de amor e devoção ao Orixá, é agradecimento pela vida, é fonte de proteção e sabedoria por quem busca o bem e a paz espiritual.
A força espiritual das cachoeiras na visão das religiões de matriz africana
Nesta seara, parece que as religiões herdadas pelo bravo e sofrido povo de origem africana no país tem muito a contribuir a respeito da força espiritual das cachoeiras.
Os banhos de cachoeira descarregam e purificam nosso lado material e espiritual, sendo capaz de eliminar cargas de feitiçarias, feridas que não podem ser vistas e médico algum consegue curar, e assim por diante.
As cachoeiras são a representação da própria divindade Oxum, expressando a pureza, a renovação, a abundância e fluidez da vida. Pelas águas se nasce, na sacralização do batismo, pelas águas se rega a terra e faz brotar a vida. E essa mesma água, indispensável ao nosso corpo, alimenta e limpa. Esse é o poder das cachoeiras, fonte inesgotável de nascimento e vida espiritual. São elas que fertilizam o solo, se espalham pelo planeta através dos regatos, ribeirões e rios e se unem ao mar, conectando-se com a imensidão da vida.
A cachoeira está geralmente em um ponto afastado do barulho, e em sua maioria não possui um movimento intenso de pessoas, recebendo seus visitantes de forma espaçada.
Em volta da cachoeira existe um ecossistema com plantas, rochas, animais, insetos, etc. É como se fosse um pequeno mundo!
A água da cachoeira, em sua grande maioria, é limpa, pura e cristalina. A corrente garante que essa água esteja sempre circulando, passando por pedras, sendo banhada pelo sol, entrando em contato com inúmeros elementos da Natureza e carregando-os consigo, porque como vimos anteriormente, a água é um ótimo condutor.
Aqueles que são um pouco mais sensíveis ou que se esforçam em concentração perto de uma cachoeira podem sentir que existe uma vida que rege todo o ecossistema da cachoeira. Alguns ouvem uma melodia, outros veem miríades de luz, outros somente sentem uma paz intraduzível quando se aproximam desse ambiente.
Toda cachoeira tem um ser angélico responsável por toda essa paz que a envolve. Eu a chamarei de Senhora da Cachoeira (os irmãos da Umbanda chamam de Mamãe Oxum), somente dando esse rótulo para facilitar o entendimento. Isso me lembra a bela canção “Mamãe Oxum”, composição de Chico César e também muito conhecida na voz de Zeca Baleiro:
“Eu vi mamãe oxum na cachoeira Sentada na beira do rio Colhendo lírio lirulê Colhendo lírio lirulá Colhendo lírio Pra enfeitar o seu gongá”
Ao se banhar em uma queda de água ou ao mergulhar no poço formado por uma cachoeira é impossível não se sentir impactado no corpo e na alma, a água geralmente gelada e o banho fazem a pessoa se sentir mais leve. Esse anjo transforma as poderosas energias que veem do alto para manutenção da vida e a condução dessa vida pelo rio que se forma com a cachoeira.
A pedra parece viva, as plantas parecem mais brilhantes, o ar é impregnado por alguma substância X, de aroma agradável, as aves parecem brincar de forma angelical.
Assim é o ambiente de uma cachoeira. Ao se banhar em uma cachoeira, uma torrente de energias positivas envolve o ser, imantando e limpando sua aura de forma espetacular.
Cada cachoeira é um espetáculo diferente. Por isso, pare e se concentre em cada uma para você conseguirá sentir a diferença. Todas são diferentes e magníficas obras primas desses anjos de luz.
As cachoeiras também são domínios de Xangô e são em conjunto consagradas a Oxum.
As vibrações das cachoeiras são de características vibratórias limpas e puras. Essas vibrações servem para o nosso reajustamento vibratório, o que nos auxilia no desenvolvimento da mediunidade e na afirmação de nossos Orixás de cabeça. Os banhos de cachoeira descarregam e nos purificam espiritual e materialmente, lavando desta forma nosso corpo físico e astral, eliminando larvas, miasmas e cascões astrais.
O banho de cachoeira descarregará qualquer carga de feitiçaria, tais como as famosas feridas que não curam com a medicina do homem, desde que, é claro, se tenha em conjunto a assistência do plano espiritual. Os banhos de cachoeira devem ser feitos em cachoeiras previamente preparadas para tal, ou seja, devem estar limpas de despachos e oferendas sem sentido, lá depositadas por incautos ou ignorantes em relação ao local. Tudo deverá ser recolhido com as mãos envoltas em sacos plásticos pretos (por ser a cor isolante), amontoado e queimado, ou ainda, enterrado. Somente após tome o banho, mediante uma evocação séria das forças reinantes no local.
Acender velas em cachoeiras é algo desnecessário, já que somente sujam o local. A maioria das pessoas as acende a esmo, sem compreender o funcionamento das velas, que não iluminam e não dão luz a ninguém no mundo espiritual, como muitos pregam. Devido às condições naturais onde estão localizadas as pedreiras e as cachoeiras, já que venta muito no local, dificilmente as velas permanecerão acesas até o final, interrompendo as ondas por ela emitidas e em seguida deixando mais um pouco de sujeira e de lixo no local.
“A gente vai até a cachoeira para poder descarregar, pegar novas energias e leva o balaio, que é o presente à Oxum”, explica a Yalorisa D’ ÓSUN, Abadia Rodrigues Nogueira, de 49 anos.
Ao passar pela cachoeira, estamos limpos e renovados. “A água é energia, é Oxum. Tudo o que chega de ruim, de energia negativa, ela tira de você, porque a água não tem obstáculo, ela contorna e segue adiante”, explica Abadia.
Normalmente este trabalho ocorre próximo das datas nas quais que o terreiro celebra o dia de Oxum, mas, para alguns, a determinação do trabalho se dá em datas diversas estipuladas pelo Guia chefe de cada terreiro.
Diferente do trabalho da praia que tem função de descarregar o médium e principalmente as cargas do terreiro, a finalidade maior do trabalho de cachoeira é de energizar o médium, regulando-o como um instrumento de cordas, cada campo energético de seu corpo.
A Cachoeira como Fonte de Lazer, Esportes e Exploração Econômica
De acordo com as características da queda d’água, existe um conjunto de atividades que podem ser práticas como por exemplo:
Trekking: é a famosa caminhada por trilhas até chegar na cachoeira. Existem diferentes níveis de trilhas; iniciante, médio e avançado. Para prática deste último nível, é indicado a companhia de um guia local.
Observação: a beleza cênica, a fauna e a flora podem ser a grande motivação para visita.
O Canyoningou canionismo: utiliza a mesma técnica do rapel, porém a descida é feita pelo meio de uma queda d´água ou ao lado dela e segue na exploração do rio abaixo, podendo utilizar também outras manobras, como saltos e tirolesas.
Banho de cachoeira: diminui o estresse, a água fria acalma e alivia os sintomas de depressão, incentiva a circulação, fazendo o corpo relaxar; é uma ótima opção para toda a família.
Acampamento: as pessoas podem passar dias junto à natureza dormindo em barracas.
As possibilidades de atividades nelas e nos seus arredores são muitas, mas em todos os casos, os empreendedores devem compreender que não basta colocar uma plaquinha com o nome do empreendimento e cobrar alguns reais na entrada.
A Natureza Jurídica das Cachoeiras no Brasil e Projetos de lei sobre o Assunto
Este é um tema aparentemente controverso e que a maioria reproduz conceitos e opiniões que não estão em harmonia com o nosso ordenamento jurídico vigente. Como a maioria absoluta das cachoeiras de Garça, assim como Brasil a fora, encontram-se localizadas em território pertencente a uma propriedade privada, logo, a cachoeira também pertence ao dono desta propriedade, correto?
Não, o entendimento acima não encontra guarida em nossa legislação, apesar de popularmente ser propagado o contrário. É que na realidade, as nascentes, córregos e rios que cortam uma propriedade privada são de natureza jurídica pública, são considerados bens naturais do estado e por isso, embora estejam permeados de território privado, sua natureza continua pública. E se um bem é público, não deveria haver restrição absoluta de acesso, a não ser que que exista algum dispositivo legal que vete o acesso ao público, como por exemplo o acesso público as cachoeiras encravadas em Parques Ecológicos, cuja visitação pública é proibida, com exceção de atividades educacionais, conforme Lei 9.985, de 18/07/2000.
O princípio da legalidade, é a pedra basilar do nosso estado democrático de direito e encontra-se expressamente disposto em nossa Constituição Federal nos seguintes artigos:
“Art. 5º – Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes:
II – ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei;”
Assim, ninguém pode ser proibido do seu direito de ir e vir, inclusive de visitar de bens públicos naturais se não for por imposição de Lei. Portanto, uma vez que a cachoeira é um espaço público e que não existe legislação que proíbe o acesso a população, mesmo que seja propriedade privada seus arredores, nenhum proprietário de terra pode proibir o acesso da população a uma determinada cachoeira, o que pode acontecer é negar que utilizem sua propriedade para acessar a cachoeira. Mas se a pessoa acessou o curso do rio em algum lugar e seguiu pelo seu leito até chegar a cachoeira, o proprietário rural não poderá fazer nada nesse caso.
Popularmente falando, temos um conceito de que a propriedade é privada e que com ela seus donos podem fazer o que bem entendem, não é assim, não mesmo. Primeiro, que toda propriedade, mesmo que urbana, deve cumprir sua função social, caso contrário, é passível de desapropriação pelo Estado. Nas propriedades rurais, existem ainda mais restrições, é o caso da obrigatoriedade de manter-se um percentual do território para reservas legais, ou seja, conservar parte da mata nativa, o percentual varia de acordo com o bioma em que a propriedade está inserido. E também existe a obrigação de manter intactas as áreas de preservação permanentes (APPs), como as matas as margens de qualquer curso d´água, topo de morros e em encostas íngremes.
Assim, o proprietário rural está sujeito a legislação vigente e não tem o direito de dispor como bem entende, e isto inclui o acesso da população as cachoeiras. Como não há dúvida de que a Lei determina que os rios e nascentes tem natureza pública, e como não existe proibição legal para seu acesso, logo, deve ser permito o acesso normalmente, pois o bem é de toda a população, nada mais justo que toda ela tenha acesso se assim quiser. E como chegar até a cachoeira se é preciso passar por propriedade privada antes? Este é um problema permeado de muita controvérsia, mas se essa passagem fosse proibida em absoluto, equivaleria a negação na natureza do bem público, que na prática faria da cachoeira um bem exclusivamente privado, o que não poderia ser. Mas por outro lado, não existe legislação que obrigue o proprietário rural a fornecer a servidão de passagem necessária.
Mas em muitos casos reconhece-se a aplicação do Instituto da Servidão de passagem, que nada mais é do que a necessidade de que o proprietário do imóvel ceda uma passagem para acesso a um lugar público ou privado, que não possui nenhuma outra forma de acesso.
Embora seja sempre conveniente a autorização do proprietário rural para visitar a cachoeira que está localizada dentro de seu imóvel, não é necessariamente imprescindível, pois não se pode proibir o acesso a um bem público, e assim, o cidadão que assim quiser, pode procurar uma passagem para chegar no bem comum almejado, a cachoeira, sem é claro causar danos materiais, ambientais ou atentar a privacidade dos proprietários rurais e seus funcionário . É importante agir com bom senso e serenidade, a passagem deve ser realizada de modo a não resultar em nenhum tipo de dano material ou ambiental ao imóvel rural, bem como deve-se passar o mais longe possível de possíveis residências ou prédios rurais, para fins de evitar a invasão de privacidade, perturbação ao sossego ou mesmo que o dono da propriedade sinta-se ameaçado com receio de furtos ou roubos.
Abaixo, segue um excelente e interessantíssimo artigo escrito por um Desembargador de Direito Aposentado e Ex-presidente do Tribunal Regional Federal da 4.ª Região, Dr. Vladimir Passos de Freitas, sobre a natureza jurídica das cachoeiras e sua exploração econômica. O texto é de uma clareza solar e construiu uma tese muito bem alicerçada sob o amparo do ordenamento jurídico vigente, por isso, recomendo muito a sua leitura, ainda que destoa em alguns pontos do entendimento aqui esposado.
É esclarecedor o artigo acadêmico “CACHOEIRAS, EXPLORAÇÃO ECONÔMICA E PROTEÇÃO DO MEIO AMBIENTE” de Vladimir Passos de Freitas, afirma sobre a natureza jurídica das cachoeiras :
“O uso e gozo do lazer nas cachoeiras e a exploração comercial na área de entorno são matérias pouco discutidas na doutrina. Da parte da população, pode ser invocado o direito ao lazer e a condição de bem público das águas, conforme arts. 6.º, caput, 20, III e 26, II, da Carta Magna. Do ponto de vista do proprietário, é possível invocar ser dono da área terrestre e seu dever de manter protegido o meio ambiente local.“
Adiante o autor vai além e aborda o acesso às cachoeiras e a servidão de passagem: “A busca de acesso a uma cachoeira pode dar-se para lazer ou para a simples busca da água do rio, para uso próprio. A servidão de passagem para consumo de água encontra previsão no Código de Cachoeiras, Águas, Dec. 24.643, de 10.07.1934, que no art. 34, I, afirma que “é assegurado o uso gratuito de qualquer corrente ou nascente de águas, para as primeiras necessidades da vida, se houver caminho público que a torne acessível”. Aqui, evidentemente, se trata de uso da água para consumo próprio. Para a busca das águas da cachoeira com fins lúdicos, como já afirmado, não há qualquer previsão no Código de 1934, época em que a população brasileira era pequena e os recursos ambientais mais disponíveis a todos.
Coisa diversa é prevista no art.1.385 do mesmo Código que, na lição de Arnold Wald, “é o direito de passagem forçada, estudado nos direitos de vizinhança. Emana da lei, e sem ele, seria impossível ao proprietário do prédio encravado entrar e sair livremente do seu terreno”. Portanto, a passagem forçada destina-se ao dono do prédio que não tem acesso à via pública, nascente ou porto, e que pode exigir do vizinho seu direito de acesso. Este permissivo da lei civil, evidentemente, não se ajusta à utilização de cachoeira como forma de lazer. Resumindo, não têm os vizinhos ou terceiros direito de exigir passagem para que possam utilizar cachoeira como parte de seu entretenimento.
Outrossim, registre-se que a Lei 6.938, de 30.08.1981, viu introduzido o art. 9.º-A no seu texto, por força da redação que lhe deu a Lei 12.651/2012. Nele se fala em servidão ambiental, servidão esta que nada tem a ver com a que serve de acesso a bens ambientais como os rios e cachoeiras. Com clareza ÉdisMilaré registra que “a servidão ambiental é um dos instrumentos da Política Nacional do Meio Ambiente e envolve, basicamente, a renúncia voluntária do proprietário rural ao direito de uso, exploração ou supressão dos recursos naturais existentes em determinado prédio particular”.
Finalizando, resta repetir antiga mas atual lição de Washington de Barros Monteiro, quando afirma: “De tudo quanto ficou exposto, extrai-se a conclusão de que as servidões se acham efetivamente impregnadas daquela ideia de submissão de um prédio a outro, de sujeição permanente de uma propriedade a outra, como de início se acentuou. Nelas se descobre, portanto, certa analogia com a servidão humana, o que justifica o vocábulo sugestivamente empregado pelo legislador”
E o jurista Vladimir Passos de Freitas conclui: “Apesar de que muito já se falou na literatura sobre a propriedade e suas limitações, entre elas aquelas de caráter ambiental, o tema da exploração turística das cachoeiras ainda é pouco discutido nos Tribunais. De qualquer forma, é possível chegar-se a algumas conclusões:
a) As águas das cachoeiras são bens públicos, pertencem à União ou ao Estado em que se situem, tudo a depender das características do rio em que elas se encontrem.
b) O acesso às cachoeiras, situem-se em locais públicos (por exemplo, parque nacional) ou em propriedades particulares, não pode ser exigido, incondicionalmente, por terceiros.
c) É, em princípio, admissível, a exploração econômica na área de entorno das cachoeiras, com comércio, vestiários e vigilância, desde que autorizada pelo Poder Público e avaliado, em procedimento próprio, o impacto ambiental.
d) O Poder Público, caso queira possibilitar o acesso da população a cachoeiras que se situem no interior de propriedades particulares, poderá desapropriar área de acesso necessária a tal finalidade.“
Projetos de Lei em Tramitação para Regulamentar Visitas as Cachoeiras e Atrativos Naturais
Situação: Aguardando Apreciação pelo Senado Federal
O acesso de pessoas para locais de grande beleza cênica, como praias e cachoeiras, que exija a travessia por propriedades privadas poderá ser cobrado. É o que determina o Projeto de Lei 1562/15, do deputado Celso Jacob (PMDB-RJ), aprovado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados.
Valtenir Pereira: é fundamental assegurar as condições necessárias para o desenvolvimento do ecoturismo
Como tramita em caráter conclusivo, a proposta será enviada agora para o Senado, a menos que haja recurso aprovado para que seja analisada antes pelo Plenário da Câmara.
O texto original regulamentava o trânsito por propriedades privadas que leve a locais de beleza cênica ou interesse para a visitação pública, mas não previa a cobrança de entrada por parte do proprietário. Isso foi incluído na Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, onde a proposta tramitou, e mantido pelo relator na CCJ, deputado Valtenir Pereira (PMDB-MT).
Quantia módica Conforme o substitutivo aprovado na CCJ, o dono do terreno poderá cobrar uma quantia módica em dinheiro, que seja justificada por obras e serviços de conservação e manutenção de caminhos, trilhas, travessias e escaladas necessários para o acesso a sítios naturais públicos.
A versão aprovada determina ainda que o trânsito pela propriedade até o destino poderá ser feito sem guia turístico, desde que a pessoa interessada contrate seguro por dano pessoal ou para o resgate em caso de acidente; declare capacidade técnica e equipamentos para realizar a travessia; e respeite o plano de manejo e conservação do local (se existente).
O relator elogiou a proposta de Celso Jacob. Pereira destacou que a Constituição estabelece que todos têm direito ao meio ambiente ecologicamente equilibrado, considerado “bem de uso comum do povo e essencial à sadia qualidade de vida”.
“É de grande importância assegurar as condições necessárias para que a visitação de tais sítios e os esportes de natureza possam acontecer e crescer no País”, disse Valtenir Pereira.
Acesso livre O texto aprovado assegura o livre trânsito por caminhos, trilhas, travessias e escaladas que levem a locais de beleza cênica. O acesso livre aplica-se tanto aos caminhos já existentes, utilizados tradicionalmente por praticantes de esportes ao ar livre, como os que forem constituídos em locais ainda não explorados.
Neste último caso, a delimitação das vias de acesso poderá ser estabelecida pelos proprietários privados, de acordo com boas práticas que assegurem mínimo impacto, assegurada a participação da sociedade civil.
Como contrapartida pelo uso, o projeto prevê que as pessoas que transitarem pelas vias privadas devem zelar pela conservação dos ecossistemas locais e respeitar os limites e regras definidos pelos proprietários e órgãos ambientais.
Situação: Aguardando Designação de Relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJC)
O Projeto de Lei 7486/17 torna direito do cidadão o livre trânsito nas propriedades privadas, por trilhas e escaladas que conduzam a montanhas, paredes rochosas, praias, rios, cachoeiras, cavernas e outros locais de beleza cênica e interesse para a visitação pública. A proposta tramita na Câmara dos Deputados.
O texto apresentado estabelece que o livre trânsito se aplica aos caminhos já existentes, tradicionalmente utilizados por praticantes de esportes ao ar livre, e aos que necessitarem ser constituídos.
A delimitação de novos acessos será feita por órgão ambiental municipal ou, quando inexistente, pelo órgão estadual. A proposta assegura a participação dos proprietários das terras na definição.
Para evitar danos às propriedades, o projeto determina que as pessoas que transitarem pelas trilhas deverão zelar pela conservação dos ecossistemas locais, com adoção de práticas de mínimo impacto e sem sair dos limites estabelecidos.
Fonte: Agência Câmara de Notícias
Conclusão
Em geral, as cachoeiras despertam atenção e os sentidos das pessoas, independente de credo religioso, a plasticidade de sua beleza agrada a todos, até céticos, ateus e agnósticos, atrai os animais também por outras razões, e sobretudo são locais de muita história, verdadeiros sítios arqueológicos, são considerados ecossistemas lóticos, ambiente de água corrente, em movimento, como rios, riachos, córregos que guardam uma riqueza inestimável. E ainda, são locais sagrados para liturgias e rituais de natureza religiosa.
O Brasil como um país continental que tem possui as mais belas e diversas cachoeiras que podem ser encontradas em todos os seus estados, de norte a sul, em todos os biomas e com um potencial incrível e inexplorado para o ecoturismo na maioria das vezes.
E, cada vez mais as cachoeiras são exploradas mundo afora para fins de turismo e tendo também um papel importante na atividade econômica. Por tudo isso, mais do que nunca é necessário tomar consciência, tanto proprietários rurais, poder público, iniciativa privada e entidades civis em geral de que ter a verdadeira dimensão de sua importância e necessidade de preservação. Assim, é possível haver atitudes proativas que possam ser realizadas para que a gente não perca a riqueza das cachoeiras para a ação impensada do homem, para a poluição dos rios ou para a expansão urbana desordenada. Podemos estar aterrando ou poluindo parte importante também de nossa história.
A preservação implica em uma importante ferramenta de manutenção e recuperação do meio ambiente, da cultura, de suas religiões, da história mundial, do turismo, até mesmo de renda para muitos brasileiros que vivem do turismo em cidades do interior do país e também é fonte de água potável para muitas pessoas em nosso esquecido Brasil profundo. Suas águas são de suma importância para diversos indígenas, ribeirinhos e sertanejos guerreiros que resistem para sobreviver com a ajuda providencial da natureza que estende seus longos e generosos braços até que onde nosso civilizado homem contemporâneo ainda permite.
Por Rudi Ribeiro Arena *
*Bacharel em Direito pela PUC-Campinas, Servidor Público Federal, Ciclista, um dos fundadores do Grupo Piramba e apaixonado por cachoeiras.
O Piramba teve a honra de ser convidado pela proprietária do imóvel rural para conhecer as Cachoeiras da Vigilância e ajudar em fixar cordas para facilitar o acesso a elas, já que existem trechos com forte declive e risco de quedas. E agradecemos demais por essa oportunidade única.
É sempre fascinante constatar como são vastas as cachoeiras de Garça e que o município ainda possui uma infinidade de lugares incríveis de natureza exuberante a ser conhecido e explorado. Prova disso, é o complexo de cachoeiras próximo a Fazenda Vigilância que o Piramba desconhecida e que possui diversas cachoeiras de diferente alturas e todas encantadoras. E o mais legal é ver o cuidado com as matas ciliares, a restauração e o plantio de árvores nativas que acabou por criar uma grande área verde no entorno das cachoeiras e cursos d’água.
O acesso não é fácil, além de que exige uma boa caminhada e está longe até mesmo de qualquer estrada de terra ou mesmo de sede de fazenda. Por isso mesmo, parece até um local intocado, sem qualquer sujeira ou vestígio humano.
O dia escolhido foi um sábado a tarde de sol escaldante em meio a terceira onda de calor que abateu boa parte do Brasil em dezembro de 2023. Com temperatura de pouco mais de 35º graus centígrados e munidos de muita água e bastante ânimo, iniciamos a nossa caminhada.
Logo no começo da caminhada no meio do leito do rio chamou a atenção os escombros de um moinho de pedra muito grande assim como antigo que respira história, resquícios de uma realidade hoje distante.
Mal começamos a andar, ouvimos um barulho no meio do mato e pensei, parece algum animal grande e logo apareceu uma cachorra do nada, e o estranho é que não tem casa ali perto. E não deu outra, ele seguiu a gente até chegar na beira do rio, depois continuou conosco rio abaixo e transpassou os mais difíceis obstáculos pelo caminho, embora a gente tinha receio de ele se machucar, mas que nada ele foi até o final e foi em todas as cachoeiras com a maior destreza, mostrou um ótimo parceiro de pirambeira.
Em outro momento, quem aparece do nada no meio da mata é uma espécie de lontra, um animal lindo e raro de se ver, ali já havia ganhado o dia. Nunca nenhum de nós havíamos avistado esse animal na região, motivo de grande alegria ao saber que a fauna aqui é ao mesmo tempo resiliente e vibrante.
Com facões em mãos abrimos uma trilha que já encontrava-se bastante fechada e após caminhar bastante rio abaixo, enfim chegamos na primeira cachoeira que tem um poço que é um verdadeiro convite para banho e foi isso que fizemos. Foi como se gente tivesse encontrado um oásis em meio a um calor sufocante. Em que alguns pontos o poço não dá pé, é muito fundo mesmo.
Logo mais, ao seguir o rio a baixo somos contemplados com o encontro de dois cursos d’água que se encontram, a cena é belíssima, é agua caindo de todos os lados, são várias quedas e muito boa para tomar aquele banho de cachoeira. E por mais que tentamos registrar isso com fotos e vídeos, só mesmo presencialmente no lugar é possível ter a noção real de sua exata beleza.
Se subir alguns poucos metros acima do outro córrego, a gente logo da de cara com uma cachoeira de água de nascente cristalina que se esparrama pela rocha de forma esplêndida e faz um pequeno poço que até parece um pequeno ofurô natural.
Voltando ao rio principal, ao descer um pouco o seu leito logo a gente ficou no alto de uma cachoeira muito alta e por ter as encostas bem íngremes, não conseguimos achar um de acesso para chegar até em baixo. Teria que contornar por um outro ponto da mata e não pelo curso do rio, ou então fazer uma longa caminhada chegar em baixo da cachoeira rio acima.
Assim, resta ainda mais uma cachoeira que temos que chegar por baixo para poder conhecê-la melhor, tomar um banho e descobrir se existe poço ou não. Mas uma leve garoa havia começado e trovões reverberavam na mata, resolvemos voltar e combinamos explorar ainda mais o local um outro dia.
Na volta, nos deparamos com uma armadilha de iscas de mangas, não entendemos ao certo como funcionava a arapuca, mas era claro que alguém fez uma engenhosidade para capturar animais silvestres. Então desmontamos toda a armadilha, levamos os arames e jogamos as mangas na mata para alegria na fauna local. E a cachorra? Ah ela é tão companheira que o nosso amigo Vicente precisou ir embora um pouco antes e então ela se propôs a fazer companhia para ele na volta.
O visual fantástico da beira do precipício da Cachoeira da Preguiça por cima feita com celular.
Toda a cachoeira que é alta tem ao menos dois atrativos, o banho na cachoeira em baixo de sua queda e a vista do alto dela que geralmente é garantia de colírio para os olhos, lugar para contemplação do horizonte que parece infinito e nos transporta para um lugar diferente do que estamos acostumados. O Piramba já percorreu e registrou mais de 60 cachoeiras na região de Garça-SP, mas em algumas não fomos no pico da cachoeira, e o alto da queda sempre reserva joias preciosas e com visual acachapante.
O município de Garça é uma terra para lá de fecunda em picos incríveis e com um visual da paisagem ao redor de cair o queixo. E, vê-las diante dos olhos é um momento mágico, por melhor que seja a foto ou vídeo, sempre há uma limitação, diferente de viver a experiência real de ver esses lugares divinos por natureza ao vivo a cores. O bom é que no caso das imagens captadas pelo PirambaCopter, os nossos olhos puderam chegar em lugares em que a lente humana não consegue alcançar.
No caso da Cachoeira da Preguiça, foi a primeira vez que chegamos nela por cima e que foram feitas imagens do alto do alto da cachoeira. E ainda, o drone alçou voo e capturou imagens belíssimas não só da cachoeira como também do profundo, inóspito e verde vale que existe em seu entorno.
O Piramba chegou apenas uma vez em baixo da Cachoeira da Preguiça e a tarefa não foi nada fácil, exige muito esforço e também muito tempo. Mas tanto em baixo da queda como o pico da cachoeira são presentes de Deus para Garça, assim como muitos outros lugares, e totalmente desconhecidos. É muito empolgante verificar a extensão absurda de lugares do Município de Garça/SP ainda a ser explorada ante as ignoradas e fabulosas belezas naturais que existem aqui e nos municípios limítrofes. No caso da Cachoeira da Preguiça, ela encontra-se entre Garça/SP e Álvaro de Carvalho/SP.
E ainda mais motivador é saber que tudo o que já foi registrado a respeito de cachoeiras na região apenas é a ponta do iceberg, vai uma vida toda e não tem como conhecer toda fartura do meio ambiente que existe nessa região do centro oeste paulista, e que pouquíssima gente aposta em seu potencial turístico. Isso não é a toa, pois suas pérolas da natureza permanecem relegadas ao desconhecimento e reconhecer suas riquezas parece distante da população, das autoridades públicas ou mesmo da academia. Nem mesmo os proprietários das terras em que existem as Cachoeiras dão o real valor ou se dão, não enxergam ou não tem interesse no potencial turístico do lugar.
Isso me lembra a passagem bíblica que pode ser aplicada tanto as pessoas como aos lugares e patrimônios naturais, históricos e culturais que existem em uma determinada comunidade. Pois muitas vezes, por certo bairrismo ou por miopia mesmo faz com que a própria comunidade local não consiga enxergar o real valor que existe ao seu redor e que muitas vezes parecem irrelevantes, comum, trivial.
Jesus, porém, disse: ‘Um profeta só não é estimado em sua própria pátria e em sua família!’” (Mateus 13, 57). E assim parece ser também com o que natureza nos deu de mais nobre e que não é estimado por quem está acostumado a ela ou não consegue enxergar a valorosa beleza natural que infelizmente não ressalta tanto aos olhos.
A Cachoeira da Preguiça por baixo, ela é de difícil acesso.
Cada vez que exploramos essa mina de natureza bela e bruta que é essa região do Estado de São Paulo, encontramos lindas e reluzentes pepitas, verdadeiras dádivas naturais divinas e que não parecem ter fim. Tais lugares dão a sensação de nos aproximar do criador, quando avistamos onde o homem ainda não conseguiu alterar a criação original da terra (pela dificuldade da topografia local), e vemos a exuberância da natureza quase intocada e que desnuda um mundo que parece distante do nosso dia-dia. Isso nos ajuda juntamente com sinfonia da mata e o som estrondoso da cachoeira, que a nossa alma possa se ligar ao criador quase que inconscientemente por força da inescapável da natureza.
Chegou o dia de apresentar a piramba para o meu filho
Chegou o dia que eu tinha prometido para o Ravi, o meu filho de 08 anos, que era leva-lo de bike até uma cachoeira, ou seja, apresentar de bike a pirambeira, e assim aumentar o nível de dificuldade dos nossos pedais. Já tínhamos ensaiado para este dia, fomos até Jafa algumas vezes que tem lá suas subidas e descidas, outro dia chegamos até próximo da Cachoeira do Gaia e percorremos 23 km de estrada de chão. No entanto, eu sabia que os pouco mais de 10 km da Cachoeira da União seria um desafio diferente para ele e não era possível saber como ele iria reagir as dificuldades inerentes a esta mudança, o que causava uma certa apreensão.
Estradão x Pirambeira
Quando se sai do estradão e vai encarar a piramba e ir em cachoeira, alguns novos elementos se apresentam. Para começar muda-se o terreno, de uma estrada batida, passa para uma terra acidentada ou grama/capim que exige maior esforço do ciclista. Outra coisa, também é regra que antes de se chegar a uma cachoeira exista uma descida de inclinação severa ou extrema, também é comum que em alguns momentos é preciso carregar a bike no braço pois é impossível percorrer todo o trecho em cima dela, as vezes também é tem que fazer um pouco de trekking e percorrer a pé o leito do rio até chegar no destino. Essas são só algumas das dificuldades que passam a existir para ilustrar um pouco a respeito dessa mudança, que é de pedalar no estradão e passar a pedalar na piramba, o que ela traz de novo para o ciclista, e no caso de um ciclista mirim essa mudança é ainda maior, pois ainda está aprendendo as técnicas do esporte e explorando novas experiências sobre duas rodas.
Amigos é tudo de bom
O bom que para essa empreitada eu pude contar com meus grandes amigos Vicente Conessa e o Fabiano Ogawa que foram muito importante nesse dia e ajudou bastante neste dia. Ajudaram muito para dar mais confiança e segurança para esse pedal com cachoeira, ajudaram diversas vezes e fizeram toda a diferenças. Obrigado pela força!!!
O Bosque Municipal
O passeio começou com uma volta pelas trilhas do Bosque Municipal de Garça que possui 18,50 hectares de Mata Atlântica preservada dentro da cidade. Ali já foi o primeiro teste para a criança, pois havia obstáculos, trilhas single track e lugares com mata fechada. Foi muito bom curtir esse patrimônio da cidade e o acabou sendo o esquenta para o que viria adiante. Sem contar que meu filho deu de cara com um lagarto Teiu enorme cuja cena ele não irá esquecer tão cedo.
A descida até chegar na cachoeira
Como já diz o ditado, para descer todo santo ajuda, até 100 metros antes de chegar no rio estava tudo muito bem. A partir do momento em que foi preciso pular para andar no pasto e percorrer os trios de boi, aí então o Ravi começou a sentir de fato que pedalar na pirambeira exige muito mais do que se estivesse na estrada de terra.
Ao andar o trecho final de pasto meu filho conheceu a dificuldade que é de manter os pneus dentro dos limites dos estreitos dos trios de boi, alias, é comum isso mesmo com os ciclistas adultos e experimentados, mas que não estão acostumados a andar nesse tipo de terreno. Porém, tudo é questão de tempo para pegar o macete da coisa. Por isso, o Ravi acabou empurrando a bicicleta em alguns momentos, ainda que fosse uma descida.
Ao chegar até o leito do rio chegamos no momento em que é precisava de muita atenção, principalmente com criança e estando com as mão ocupadas, pois é preciso carregar a bike no braço. Nessa hora a ajuda dos amigos foi fundamental para dar mais segurança e chegar enfim debaixo da cachoeira com tranquilidade.
Pena que a cachoeira ainda não se recuperou muito bem do período de estiagem e estava com um volume de água menor do que normal. A água estava aparentemente limpa e um pouco gelada. Meu filho ficou a princípio ficou um pouco reticente de entrar debaixo da queda, mas o encorajei a colocar a cabeça na água e sentir a temperatura, a força e a energia que só uma cachoeira proporciona. A reação é imediata, ninguém fica indiferente a um banho de cachoeira.
A Cachoeira como nunca vista (PirambaCopter)
Essa cachoeira é uma velha conhecida do Piramba e uma das mais próximas da zona urbana e uma das que mais visitamos, embora a gente tenha vários registros do local, ainda não tinha nenhuma imagem aérea do PirambaCopter.
Na beira do precipício o drone foi lançado ao ar e captou belíssimas imagens e pudemos conhecer a 2ª Cachoeira da União como nunca vimos antes, as cenas falam por si e vale a pena conferir o registro desse lugar incrível e do lado da cidade.
A volta e a subida bruta para uma criança
Como já era previsto, a volta é que guardava as maiores dificuldades e que seria um intenso teste de resistência ainda que o percurso não fosse longo em termos de quilometragem. Se para descer o pasto já foi um tanto complicado, subir então seria mais ainda e assim foi. Geralmente a gente já precisa mesmo carregar a bicicleta em alguns trechos, mas o Ravi não conseguiu pedalar os 100 m de subida íngreme no pasto e nem subir a pé carregando a bike nos braços. Tive então que ir a pé carregando a minha bicicleta e a do meu filho, foi um pouco tenso e o esforço foi muito grande, mas ainda bem que foi por pouco tempo e sorte que pude contar a ajuda providencial dos meus amigos.
Deu tudo certo no final
Depois de chegar até a cerca e encontrar um terreno menos hostil, foi possível voltar pedalando, mas ainda tinha muita subida bruta até voltar para a cidade, tive que ajudar o Ravi a pedalar empurrando suas costas até chegar próximo da mata do bosque. Foi até que rápido, mas muito intenso tanto para mim como para meu filho cujo cansaço em seu semblante era visto a olho nu. Mas chegando de volta a civilização, tudo ficou mais tranquilo e o Ravi voltou pedalando para casa e nem parecia mais o menino esbaforido de minutos atrás. Valeu muito a pena e para o meu pequeno foi como se fosse uma grande aventura e tivesse alcançado um grande feito. Ainda bem que tudo correu muito bem, e ficaram momentos felizes na recordação, e é claro que um pouco de cansaço temporário, o que é normal. Sem suor e desafios a evolução fica mais distante. E estreitar os laços de amizade e de pai e filho foi apenas uma ótima consequência de um pedal como deste dia.
Quanto menor o aro, maior é o obstáculo proporcionalmente que o ciclista precisa transpor
Um problema foi verificado com o uso de bicicleta infantil de aro pequeno como a que o Ravi utilizou para chegar na Cachoeira da União. É que os obstáculos e desnível do terreno ganha um contorno bem maior quando se está com uma bike de aro 16, por exemplo. Obstáculo que parece ser pequeno para nós que estamos em uma de aro 29, para quem está com aro pequeno o obstáculo parece gigante proporcionalmente, o que faz o ciclista mirim ser obrigado a fazer um esforço muito grande ou mesmo fica inviável transpor empecilhos que existentes no caminho. Este problema só pude observar ao pedalar com meu filho na pirambeira, pois é algo que não ocorre quando ele pedala pelas estradas de terra.
Sem dúvida alguma, as cachoeiras estão inclusas nas listas de paisagens e belezas naturais mais fantásticas do planeta. Espalhadas pelo mundo todo, cada uma tem a sua peculiaridade, a sua forma magnífica. Mergulhar nelas pode dar uma sensação de liberdade, de contato com a natureza ou apenas de refrescância. Pensando em te mostrar as 15 mais belas, altas, iradas, radicais, enfim fantásticas do mundo, o Blog da Kanui fez uma grande pesquisa e selecionou as top’s. Aprecie e comente qual você mais gostou:
1. Cachoeira Seljalandsfoss, Islândia
Foto: bombseat.com
A Cachoeira Seljalandsfoss é uma das cachoeiras mais famosas da linda Islândia. Ela se localiza no sul da ilha, perto de uma estrada que dá acesso à cidade de Selfoss. Com uma queda aproximada de 60 metros de altura e com a parte de baixo oca, é possível atravessar a cachoeira e vê-la por um ponto de vista diferente, como na foto. Sem dúvidas, uma das cachoeiras mais bonitas do mundo! Incrível!
2.Victoria Falls – Zimbabwe e Zâmbia
Foto: hdwallpaper.com
Considerada a cachoeira mais larga do mundo,Victoria Falls está localizada no sul do continente africano e as suas maiores quedas chegam a 130 metros de altura. O local foi “descoberto” em 1855 por um escocês chamado David Livingston, que o nomeou como “Victoria”, a então rainha do Reino Unido.
3. As Ilhas Faroé – Entre A Noruega e a Islândia
Foto: designext.com
As Ilhas Faroé são territórios que estão sob os domínios da Dinamarca. O arquipélago possui 18 ilhas e esta que apresenta uma das cachoeiras mais bonitas do mundo, chama-se Vágar e, além da deslumbrante queda d’água, tem um vilarejo isolado da civilização. Fantástico!
4. Cataratas do Iguaçu, Brasil e Argentina
Foto: api.ning
As Cataratas do Iguaçu são um dos pontos turísticos mais visitados do sul do Brasil e da Argentina, já que está na divisa dos dois países e cada um possui uma parte do território. As cataratas tem cerca de 275 quedas e estão entre as 7 maravilhas naturais do mundo moderno.
5. Multnomah Falls, Oregon
Foto: calxibe.com
Multnomah Falls é uma das quedas d’água mais fantásticas do território estado-unidense e fica no estado de Oregon. Uma ponte localizada bem em frente a ela é o diferencial e o que permite uma das visões mais deslumbrantes de uma beleza natural como essa.
6. Pearl Shoal Waterfall, Sichuan na China
Foto: Divulgação
Localizada na província chinesa de Sichuan, as cachoeiras Pearl Shoal apresentam uma forma diferente e por isso tão chamativa. Raramente fica fora das listas das cachoeiras mais bonitas do mundo.
7. Gullfoss, Hvítá River na Islândia
Ao longo do rio Hvitá, somente a 7 km de Geysir, Gullfoss é uma das cachoeiras mais bonitas da Islândia. Gullfoss significa “Cachoeira de Ouro”,e fica a 5 minutos de caminhada de um estacionamento. Duas quedas d’água menores no topo levam a uma enorme cascata em formato de L com 21 metros de altura, em um desfiladeiro de 2,5 km de comprimento.
8. King George Falls, Austrália
KingGeorge Falls é uma das quedas d’água mais fantásticas da Austrália e do mundo. A “cachoeira dupla” tem uma queda ininterrupta de 80 metros e desemboca em um belo riacho.
9. Cachoeira Skogafoss, Islândia
Foto: littlefairytaleprincess
Há alguns quilômetros da primeira cachoeira da nossa lista, está outra maravilha islandesa: A cachoeira de Skogafoss. Localizada no rio Skoga, o qual tem dezenas de cachoeiras ao longo do seu percurso, Skogafoss cai sobre as belas falésias e atrai turistas de toda a Europa. Não poderia ficar fora de nossa lista das cachoeiras mais bonitas do mundo, não é mesmo?
10 – Kaieteur Falls, Guiana
Foto: assets3
A Guiana, nossa vizinha sul-americana, entra na lista com a Kaieteur, que é uma das cataratas que mais produzem volume de água no mundo, fazendo 663 metros cúbicos por segundo. É a 123ª mais alta do ranking, com 226 metros de altura e deságua no rio Potaro, na região central da Guiana. De acordo com a “bíblia” das cachoeiras, a Kaieteur é a 26ª mais bela do planeta.
11 – Cataratas do Niágara, NY, Estados Unidos e Ontário, Canadá
Cataratas do Niágara congeladas e seu show de luzes em NY! Foto: api.ning
Localizadas entre os Estados Unidos e o Canadá, as cataratas do Niágara sempre estão presentes nas listas das cachoeiras mais belas, fantásticas, bonitas do mundo. As suas quedas d’água chegam em até 385 metros de altura, sendo uma das mais altas do planeta e também uma das mais extensas.
12. Large Waterfall – Plitvice Lakes National Park, Croatia
Foto: Divulgação
No Parque Nacional Croata de Plivtice, é possível encontrar uma série de mais de 15 quedas d’água em diferentes altitudes e profundidades. No verão, o local fica sempre cheio de visitantes e suas belas quedas, das mais diferentes cores, como podemos ver nas fotos, não poderiam ficar de fora da nossa lista.
13. Angel Falls, Venezuela
Foto: photorator
A Cachoeira conhecida mundialmente como Angel Falls é a mais alta do mundo. O pico atinge 980 metros de altura e a sua queda mais alta chega a 807 metros. O local é de difícil acesso e muito isolado das cidades povoadas na Venezuela, mas a paisagem é simplesmente espetacular!
14. Ban Gioc–Detian Falls – China e Vietnã
Foto: Divulgação
Uma das cachoeiras mais bonitas do mundo, com uma série magnífica de quedas d’água, fica entre a China e o Vietnã. O local é conhecido como Ban Gioc-Detian Falls e apesar de suas cachoeiras terem apenas 98 pés está entre as mais lindas aos olhos de todos os expectadores ao redor do mundo.
15. Palouse Falls, Washington EUA
Foto: thrillist
Que visual hein! Seja nos dias de tempestade ou nos dias de céu aberto, a cachoeira conhecida como Palouse Falls, na capital norte-americana Washington, é uma das mais fantásticas do mundo, sem dúvidas. Fonte: KANUI
Segunda-feira começara, primeiro dia do mês de fevereiro deste ano. Logo pela manhã a vontade de pedalar se acumulava mesmo depois de um final de semana insano, de muita pirambeira, as pernas já pediam descanso, mas a cabeça não descansava um só momento, e a memória das trilhas de sábado e domingo, alimentavam ainda mais vontade de um role diferente para aquela semana.
Já há algum tempo, vinha pensando em fazer uma trilha diferente, entre um afazer e outro, diversos trajetos passavam por minha cabeça mas nenhum deles completava a vontade incontrolável que estava de pedalar para algum lugar diferente por aqueles dias. Pois é, não é que depois descobri que não era somente eu que estava buscando pedalar para novos destinos, mas também o Pirambeiro Henrique Volponi, que no decorrer daquela segunda despretensiosa, entre uma proza e outra no Whatsapp acabara me indagando se eu não toparia pedalar com ele no dia seguinte. Era o convite que eu precisava.
Prontamente aceito o convite, acabamos recorremos na mesma dúvida, qual seria nosso destino. Não demorou muito para que esse role logo fosse promovido, ambos bastantes entusiasmados por uma aventura, de um pedal comum de aprox. 50km, logo já falávamos em fazer um longão, e a partir daí, a coisa começava a mudar de figura e esse longão começava a criar forma.
Já que iriamos fazer um pedal maior, um longão, sair bem cedo é uma estratégia usada por muitos ciclistas, com isso evita-se desidratações precoces e o castigo que sofremos quando ficamos expostos ao Sol, além de podermos contemplar o Sol nascer, que diga-se de passagem, é lindo. Cinco e meia da manha na padoca foi o horário e o local combinado, selado o compromisso de ir, o destino naquele momento deixara de ser o mais importante e apenas pedalar e se divertir já protagonizavam o sentimento de ambos.
Seguido de um dia normal a noite veio, o trajeto ainda era incerto, a única certeza era que ia rolar um pedal irado. Durante a noite, pensando ainda em qual trajeto poderíamos seguir, o destino de Ubirajara por Lucianópolis figurou entre os que passaram por minha cabeça, confesso ate que com certo apreço belas belezas visuais que o vales do caminho proporcionam, mas logo dormi e nada estava certo ainda.
Quatro e meia e o celular desperta, alguns minutos de preguiça e logo já estou em pé, trocado e equipado para nos encontrarmos no local marcado, a fraterna padaria Santa Antônio, que diariamente doa café e pão acolhendo e dignificando um pouco os morados de rua de nossa cidade.
Durante o café, percebi que estávamos sintonizados quanto ao trajeto a ser percorrido, entre um gole no café e uma mordida no pão, certa a pergunta veio;
-vamos para onde? Pergunta Henrique.
-pensei em Ubirajara, respondo eu.
Nesse momento não tive dúvidas, o Henrique estava disposto a fazer o percurso que pensará durante a noite e enquanto me preparava para sair de casa, partir para Ubirajara já era certo. Não muito antiga, a cidade hoje tem aproximadamente 71 anos, Ubirajara é uma pequena e aconchegante cidade que ao longo dos tempos, além de abrigar em uma humilde moega, o conhecidíssimo Sr Alcindo Petenucci, tradicional e famoso fabricante de botas e botinas artesanais, hoje também se consolida como uma importante região citricultora. Muito ocupada pelos pomares de laranja que ao longo do tempo migraram de regiões em regiões buscando terras novas, com menores pressões de doenças, Ubirajara hoje se destaca também pelo cultivo de mandioca e amendoim além do tradicional café ainda muito cultivado.
Café da manhã tomado chega a hora de partimos e esse dia de pedal, já mostrava que seria fantástico, pois o dia que se começara a nascer ja se mostrava lindo com os primeiros raios de sol que iluminavam o horizonte.
Seguimos sentido venda seca, e ali teríamos que tomar uma a primeira decisão do dia. Iriamos para Ubirajara por Lucianópolis ou pelo Bar Azul (uma conhecida venda localizada no início de uma estrada municipal, que dá acesso por terra para Ubirajara). Próximo de chegarmos na bifurcação, decidimos ir por Lucianópolis, afinal a estrada é muito linda, percorre todo o espigão do vale que além de deixar o caminho um pouco mais longo, enche nossos olhos com belezas imensuráveis, detalhe que nos agradaria muito naquele dia que havíamos tirado para pedalar.
Entramos fazendo o trajeto da Cia Inglesa no sentido horário e logo após uns 9 km saímos pelo acesso que liga aquela estrada municipal a Fernão, Lucianópolis e também a Ubirajara, seguimos reto e mais alguns quilômetros já avistamos a aconchegante Lucianópolis. Chegamos e já partimos para a padaria, afinal como diz nosso querido amigo @broubrutodrews , o cavalo come, o cavalo anda, afinal , se alimentar e se hidratar fazem parte de todo pedal porque #nqsf . (ninguém quer ser feio mais não, todo mundo esta treinando, bora treinar também ). Já reabastecidos seguimos para Ubirajara. O acesso seria por asfalto, piso que não agrada Pirambeiro algum que se prese. Então decidimos pegar um acesso por terra e passar pela ponte do rio vermelho, um lugar que não fazemos questão de não passar, água corrente e uma bela mata ciliar fazem parte do cenário que encontraríamos nesse local.
Entre um girar e outro do pé de vela, o caminho ia seguindo, para qualquer lado o horizonte nos mostrava incríveis paisagens naturais, vales imensos, grandes plantações florestais além das tradicionais propriedades rurais que compõem a beleza desse trajeto e a belíssima e capela a beira da estrada, sempre abençoa e protege os que ali passam. Muita proza, sempre boa por sinal tocamos no assunto da cachoeira de Ubirajara, uma visita que já arquitetávamos a tempos e que começava agora a ser um forte possibilidade de incluí-la no trajeto visto a proximidade com que passaríamos dela em nosso retorno.
Chegando em Ubirajara, mais uma parada para nos alimentarmos e nos hidratarmos para em seguida nos prepararmos para iniciar a voltar para nosso ponto de partida, Garça-SP. A parada escolhida, foi o posto de gasolina que nos abrigou no último Pedal Corujão dos PirambaMTB, um pedal que marcou na história do grupo em um dia que fomos testados ao limite pela mãe natureza. Respeitá-la foi nosso maior ensinamento nesse dia, fortes chuvas, raios e trovoes nos obrigaram a interromper o pedal e esse posto naquele dia, foi nosso abrigo ate o resgate chegar pelo amanhecer.‘
Prontos para a volta, partimos retornando, a estrada muito boa nos beneficiava, pois o sol nesse momento já judiava um pouco de nossos corpos, e passar pela Cachoeira de Ubirajara já começava a ser uma boa opção para o momento. Chegando ao primeiro entroncamento, ponto crucial para decidirmos se iriamos ou não a cachoeira, o clima deu o veredicto, e nós nem pestanejamos, saímos à esquerda, diretamente sentido Alvinlândia rumo a cachoeira que há tempos não visitávamos.
O trajeto a partir dali seria quase todo de subida, e as placas sinalizavam o caminho da cachoeira que possui um acesso muito fácil, estando localizada a 80 metros da estrada municipal. Chegando no próximo entroncamento, saímos a esquerda novamente, indicados por uma placa que ali não deixava que errássemos o caminho. Descemos por uma estrada de paralelepípedo e mais uns metros após seu final, já chegaríamos ao ponto de acesso para a cachoeira.
Muito ansiosos em rever mais essa cachoeira, logo já estávamos chegando nela, o acesso permite que cheguemos andando em nossas bicicletas ate aproximadamente 4 metros de sua queda, e isso fez com que ficássemos mais tranquilos, em estar próximos de nossas bikes, permitindo que aproveitássemos aquele momento com muito mais tranquilidade. Normalmente algumas cachoeiras possuem um acesso mais difícil, nos obrigando a deixar nossas bikes acorrentadas em árvores pela mata, o que nos deixa sempre um tanto quanto preocupados, mas que nesse dia não seria o caso.
Uma queda linda e um poço profundo fazem dessa cachoeira um lugar de muita visitação por parte dos moradores daquela região, nota-se algumas instalações de alvenaria, antigas por sinal, mas que mostravam que um dia, esse local abrigou algum projeto agrícola de irrigação ou energético visto o formato das ruínas que ali ainda se mantinham em partes de pé. A manutenção do lugar é feita pela prefeitura de Ubirajara e pelo que nos foi informado é a responsável legal por esse local.
Após nos refrescarmos por algumas horas, não poderíamos evitar o momento de partida, felizmente estávamos de energia renovadas, prontos para os aproximadamente 50km que nos faltavam para o retorno aos nossos lares, mas com nossas almas regadas e inundadas por uma sensação incrível de bem estar. O contato com a natureza sempre nos alimentou e esse, é um vicio que nos dos Piramba MTB não queremos perder nunca. Desbravar novos destinos, novos trajetos e novas quedas de água, fazem parte de nosso DNA e o arrepiar da pele a cada momento que nos deparamos com impactantes cenários de beleza natural, rega nosso espírito aventureiro, alimentando nosso sentimento insano de desbravadores naturais. O retorno foi tranquilo e abençoado não só pela proteção no caminho mas também pelo dia maravilhoso que tivemos.
Mais uma vez o PirambaCop entrou em ação, desta vez ele foi ao Pico do Urubu, um lugar fabuloso no Distrito de Jafa, e captou imagens de uma beleza ímpar. Também, não é por menos, ali a natureza foi para lá de generosa com Garça.
O vídeo mostra as águas da cachoeira em queda livre e parece até que ela dança sob a batuta do vento, um espetáculo que só essas imagens aéreas inéditas feitas pelo Piramba MTB podem comprovar.
Esta cachoeira é uma verdadeira joia encravada logo no começo da perigosa descida de Jafa, velha conhecida dos ciclistas e não muito longe da pequena zona urbana daquele distrito. Porém, o acesso a essa cachoeira que faz parte da bacia do rio do peixe é um tanto espinhoso. De todas as cachoeiras já registrada pelo Piramba, é talvez a mais difícil. O terreno de uma hora para outra cria um abismo e o curso d´água da cachoeira fica lá em baixo.
Demora um pouco para achar o melhor lugar para descer, não há caminho ou picada para chegar até lá. A gravidade joga bastante contra, a inclinação é severa, tem que calcular cada passo e procurar algum galho ou raiz para apoiar-se, ainda assim, a ameaça de rolar morro abaixo parece ser uma constante. Mas levando muito mato no peito, enfim, chegamos lá em baixo.
Logo nos deparamos com um pico alto e com uma cachoeira de respeito, só o que chamou a atenção foi o grande e largo poço no fundo. Nunca descemos ali, do alto parece não haver caminho. Mas quem sabe seja uma missão para o próximo Piramba Explorer, chegar em baixo desta cachoeira seria o máximo, mais uma cachoeira animal a ser desbravada. São muitos os encantos escondidos e desconhecidos de Garça que nós moradores do município, pouco conhecemos. Os lugares mais inacessíveis são também os mais desconhecidos, e muitas vezes os mais belos.
Existe esse lindo poço abaixo que o Piramba MTB ainda precisa conhecer.
Porém, o objetivo traçado neste dia era chegar em outra cachoeira, para isso era preciso seguir rio acima, e lá, mais dificuldades apareceram, nada que uma escalada de leve, e mais um tanto de mato no peito não resolvesse.
O acesso a cachoeira não é fácil, mas o banho é recompensador.
Enfim, o sacrifício foi recompensador, apesar de ser inverno o dia estava bem quente e propício para um revigorante banho de cachoeira. A água em queda livre cai de forma esparramada o que dá a impressão de fazer fazer um véu que cobre o corpo de forma suave e macia. A cachoeira também possui um poço não muito largo, mas bem profundo em alguns lugares.
A água cai de forma a fazer uma espécie de véu branco no ar.
A volta também não é das tarefas mais fácies. A sensação é de estar dentro de um buraco dentro da mata e sem lugar de saída, ao redor o tudo é tão íngreme que não se vê por onde é possível subir. Mas prestando bem atenção,sempre acha-se um caminho , e para isso foi preciso escalar e até mesmo rastejar para seguir subindo em frente. Demorou um pouco para conseguir enxergar o clarão lá fora, e deu um certo alívio de saído dali, mas por outro lado é muito bom o gostinho aventura e de sentir a natureza na sua forma bruta.
O desnível é grande para voltar à civilização, é preciso escalar um pouco.
Pela frente ainda tinha 30 quilômetros de bike, e boa parte da barra de nossa barra de energia tinha sido gasta para chegar na cachoeira. Ainda assim, foi tranquilo, só continuar a descida de Jafa, passar pela ponte do Rio da Garça, e subir bem até chegar na Estrada 09 de Julho. O bom é que existe um bar a beira desta estrada, ótimo momento para fazer uma parada de descanso e tomar um refrigerante antes de finalizar o pedal.
Esta é uma cachoeira que não é sempre que se vai, pois é osso chegar até ela. Agora, só ano que vem e olha lá. Mas como há uma outra cachoeira abaixo dela que promete ser bem interessante, pretendo voltar ali perto para procurar um caminho. Bora conferir seu lindo poço que até parece uma piscina natural com bordas de pedras, tem tudo para ser sensacional.
Em uma manhã fria de outono e com muito vento, o Piramba MTB se reuniu para pedalar e conhecer mais uma belíssima cachoeira de Garça-SP, porém não muito distante de Gália-SP também. Embora alguns já conheciam este local encantador, para a maioria de nós era novidade, eu mesmo nunca tinha ido. Isso é mais uma prova viva e plena do quanto é preciosa essa nossa região no que se refere às maravilhas da natureza e também ao potencial para o ecoturismo. Apesar da cachoeira ser espetacular, ela é apenas mais uma entre muitas outras joias que Garça e o seu entorno possuem.
O caminho para chegar até ela pode ser por uma entrada da Estrada da 09 de Julho ou pela estrada de terra que tem atrás da Venda Seca, localizada no trevo da Rodovia SP-349 com a SP-331. A cachoeira fica a 20 km da cidade de Garça e só é permitida a entrada com expressa autorização dos proprietários.
O Encanto da Cachoeira
Embora nem todos tiveram a ousadia de enfrentar o frio e entrar em suas águas para lá de geladas, não tinha como ficar indiferente ao encanto do lugar, o tom esverdeado de seu poço, o véu de água reluzente da cachoeira, a beleza da areia branca no fundo do leito no rio e ainda ao lado tinha uma espécie de uma pequena gruta encravada no paredão de arenito.
A Nascente do Rio do Peixe
As águas límpidas dessa cachoeira vêm de um local bem próxima dali, trata-se de uma importante nascente do Rio do Peixe que possui no total 380km de extensão. Porém, é uma pena que no início de seu curso ele sofra com a forte poluição já na altura do município de Marília, e é lá também que ele ganha o nome de Rio do Peixe. Muito embora o Google Maps já considere este nome em sua nascente em Garça, este curso d´água sempre foi conhecido como Rio ou Ribeirão da Garça enquanto em território garcense.
A Poluição do Rio do Peixe
É triste constatar que essa água que brota tão limpa e que é fundamental para a formação do Rio do Peixe logo mais já perde seu encanto, e em questão de poucos quilômetros adiante sua água fica turva por causa de lançamento de esgoto não tratado e o leito do rio bem assoreado. A consequência é que os peixes que em outrora eram fartos e variados agora rareiam. A grande maioria das espécies desses animais já desapareceram do rio, e há muito tempo. Porém, ainda é bem capaz de ter alguém ainda vivo que já tenha fisgado um belo de um dourado em suas águas.
Garça, Município Privilegiado por Natureza.
No entanto, se por um lado tem muita poluição rio abaixo, já rio acima nos reserva algumas preciosidades, por isso, é preciso reconhecer que Garça é muito privilegiada pelo fato de ser um berço das nascentes dos três dos maiores rios do Centro Oeste e do Oeste Paulista. Assim, é possível ainda desfrutar de ribeirões e cachoeiras com água limpa, longe dos agentes poluentes que são despejados na medida que o rio desce de altitude e segue seu curso. Também é preciso levar em consideração o bom tratamento de esgoto que o município possui, já que isso é fundamental para que aqui tenhamos água própria para banhos na maioria esmagadora das cachoeiras que até parecem infinitas, de tantas que existem. E quantas dessas belezas ainda continuam escondidas vales abaixo e grotões adentro????????
Rudi Arena
Agradecimentos especial ao meu grande amigo de pedal, cachoeiras e churrasco, o Prof. Victor Lopes Braccialli*, especialista em Gerenciamento de Recursos Hídricos, que me deu uma breve e preciosa aula sobre a localização das nascentes que existem em Garça e também sobre as bacias hidrográficas dos rios da região.
Imagem de Satélite de Nascente do Rio do Peixe (Garça):
A grande nascente do Rio do Peixe em Garça está à margem da SP-331 e aproximadamente perto da venda seca e também do trevo entre Garça e Gália, porém em direção a Alvinlândia e Lupércio. Conhecido como rio ou ribeirão da Garça, ele nasce no alto do planalto da Serra dos Agudos e corta o sul de Garça, também passa pelo sul de Vera Cruz até se juntar um pouco depois a outro curso d´água para então formar esse importante rio de nossa região.
“O Rio do Peixe forma-se da junção do Ribeirão da Garça, que nasce na Serra dos Agudos na cidade de Garça, a uma altitude de aproximadamente 670 metros, e do Ribeirão do Alegre, que nasce no Município de Alvilândia, a uma cota média de 680 metros. Percorrendo uma extensão de 380 km, o Rio do Peixe desemboca no Rio Paraná a um altitude de 240 metros.” (Prandi, 2010, Pag 19)
Área de drenagem: 10.769 km² População: 444.290 habitantes Principais atividades econômicas: Nas áreas urbanizadas destacam-se os setores de serviços e comércio, com exceção de Marília, considerada polo regional e onde se concentra grande parte das atividades industriais, principalmente do segmento alimentício. Nas áreas rurais ainda há predominância da pecuária, com forte expansão da agroindústria de cana. Vegetação remanescente: Apresenta 796 km² de vegetação natural remanescente que ocupa, aproximadamente, 7% da área da UGRHI. As categorias de maior ocorrência são Floresta Estacional Semidecidual e Formação Arbórea/Arbustiva em Região da Várzea. Unidades de Conservação: O Parque Estadual do Rio Peixe é uma unidade de conservação do estado de São Paulo criado pelo Decreto Estadual nº 47.095, de 18 de setembro de 2002, e possui uma área de 7.720 hectares abrangendo os municípios de Presidente Venceslau, Piquerobi, Dracena e Ouro Verde.
O Rio do Peixe, que nasce no município de Garça, corta a parte sul do município de Marília. Os fluxos hídrícos que nascem na parte sul do espigão correm a seu encontro. Em Marília os principais afluentes do Rio do Peixe são:
Pela margem direita.
Ribeirão do Alegre: nasce a 10 km, em Gália, corre em rumo geral no sentido oeste até sua confluência com o Rio do Peixe a sudeste de Marília.
Ribeirão do Barbosa (poluído): nasce em Marília nas proximidades de onde passa a rodovia SP 294, limite sul da cidade e corre no sentido sudoeste desagüando no Peixe.
Rio do Pombo (poluído): nasce em Marília, na baixada das proximidades do antigo prédio da Telesp seguindo rumo oeste até desaguar no Rio do Peixe. Possui vários afluentes como o Córrego São Francisco, Invernada, Trombador, Santa Maria, Ferrugem, Santana, Santo Antônio e Flor Roxa.
Ribeirão da Prata: tem as suas cabeceiras no bairro do Prata e, após um percurso de 14 km, deságüa no Peixe.
Pela margem esquerda.
Rio Três Lagoas: nasce na divisa sul entre Marília e Echaporã. Tem 6 km de extensão desagüando no Peixe.
Imagem de Satélite da Nascente do Rio Feio (Garça/Gália):
O município de Garça ainda é fundamental para a formação do Rio Aguapéi ou Rio Feio. Embora sua nascente não seja considerada propriamente em Garça, mas sim em Gália, ela está localizada praticamente na divisa entre os dois municípios e bem próximo também da rodovia SP-294, na altura do trevo de entrada para o bairro São José, no km 409. Mais precisamente, atrás de estão instaladas várias antenas de transmissão ao final da Estrada da Adrianita. E são as águas que descem dessa e outras nascentes de Garça e Gália (Fazenda de Eucalipto da Duratex) que dão vida a outro importante curso d´água da região Centro-Oeste paulista e que segue por 420 km até desaguar no Rio Paraná.
Imagem de Satélite da Nascente do Rio Tibiriçá (Garça-SP):
E não é o só do Rio do Peixe que aqui nasce, o Rio Tibiriçá é um outro nativo de Garça, ele nasce dentro da cidade, mas em razão da expansão da malha urbana, a sua nascente original foi aterra e agora sua água aflora próximo ao conhecido Buracão da feira livre, embora sua nascente original seja na Praça Pedro de Toledo, mais conhecida como a “praça do cinema” da cidade. E segue seu curso passando entre os bairros do Frei Aurélio e Jardim Paulista, passa ao lado do tratamento de esgoto do SAEE e despois corre paralelo à rodovia estadual SP-349 (Garça/Álvaro de Carvalho) mas não próximo dela. Porém, este é o menor dos rios que nascem em Garça, possui apenas 90 km de comprimento até então deságua no Rio Aguapeí a não mais que seis km de Luziânia-SP.
Los Angeles é uma grande cidade do sul da Califórnia e também muito conhecida como o centro da indústria de cinema e televisão dos Estados Unidos. Em busca do famoso letreiro de Hollywood, minha primeira conexão Piramba X Califórnia parecia um sonho até o momento, mas logo se tornou uma realidade.
O Caminho me convidava a fazer um trekking ou uma hiking como é chamada aqui, me fazendo relembrar os bons tempos de trilhas na saudosa cidade de Garça.
O que mais me chamou a atenção foi que todos os lugares que eu olhava, eu via uma paisagem diferente e muito bonita, uma sensação de paz e reenergização.
Minha primeira aventura percorreu os caminhos daquela trilha da famosa montanha do letreiro de Hollywood, Mount Lee, uma experiência muito recompensadora a medida que subia o trajeto que me parecia ir ao encontro do Letreiro.
Assista ao Primeiro Conexão Piramba Califórnia e se gostar, já sabe!!! Compartilhe!!
Texto de João Daniel F. de Andrade – Engenheiro Agrônomo • MBA Gestão de Negócios • Atuação na área de produção agrícola
Quando optamos por nos locomover utilizando a bicicleta, hoje mais conhecida como bike, fazemos a opção mais assertiva para um modal de locomoção que se mostra extremamente engajado, que muitas pessoas fazem questão de incluir em suas rotinas.
A bicicleta trás inúmeros benefícios para quem a pedala
Documentos históricos mostram que Leonardo da Vinci, o inventor italiano, mais conhecido por pintar a Mona Lisa, já imaginava algo parecido com a bicicleta no século XV. Após muitos anos, mais precisamente em 1879 H.J.Lawson criou a “Bicyclette” que foi melhorada já em 1880 por John Kemp Starley, que ficou muito parecida com os modelos atuais.
Inclusive as primeiras bicicletas chegaram ao Brasil no ano de 1898, vindas da Europa.
Com uma história de pouco mais de 500 anos, nossa querida bike ou ‘magrela’ ultrapassou gerações, modernizou-se, mas pouco se transformou, mantendo seus parâmetros geométricos ao longo de tanto tempo.
Saúde é o que interessa
As amadas e “sofridas” pedaladas, contribuem muito para nossa saúde, ajudam a combater o stress (doença que atinge cada vez mais a população), melhora o sono, combate o colesterol alto, previne doenças cardíacas, de pele, dentre outras, como afirma Alexandre Evangelista, coordenador de pós-graduação da central de curso da Faculdade Gama Filho.
Fazer uma trilha de bike ajuda a aliviar o stress do dia a dia
Quando for pedalar, beba pelo menos 300 ml de água antes de sair com sua bike e também é aconselhável hidratar o corpo a cada 30 minutos. Evite beber água ou um isotônico apenas quando sentir sede, pois se isso acontecer significa que seu corpo já estará sentindo os efeitos da desidratação.
Bike pelo mundo
Os países mais desenvolvidos investem muitos recursos nessa forma de locomoção, promovendo cada vez mais a acessibilidade do cidadão com a utilização da bicicleta em ambientes públicos, supermercados, metrôs, entre outros. Exemplos para isso não faltam.
Nos Estados Unidos o que não faltam são áreas verdes para pedalar
Em Amsterdã, na Holanda, conhecida como a cidade das bicicletas, existem mais de 760 quilômetros de ciclovias apenas dentro da cidade, que são utilizadas por quase 900 mil bikes diariamente.
Outro bom exemplo de uso de bike são as competições como o Tour de France ou Volta da França que é uma das mais importantes provas de ciclismo de estrada do mundo, realizada pela primeira vez em 1903. Hoje ela conta com ciclistas de vários países e é dividida em 21 etapas, percorrendo cerca de 3 200 km, passando por montanhas e finalizando na Avenida de Champs-Élysées, em Paris. Muitos deles utilizam bikes cada vez mais leves, como a Specialized Tarmac, com peso final de apenas 6 quilos que foi desenvolvida em parceria com a McLaren, com design único.
Em Nova York o Central Park possui uma estrutura com aluguel de bicicletas,
que são uma boa opção para conhecer o parque
Mas se você não é um atleta profissional e estiver em New York pode pedalar pelo Central Park alugando uma das bikes que ficam no seu entorno, curtindo um belo passeio pelo local. Nos países que incentivam a prática desse habito, existe uma redução dos gastos públicos no setor da saúde. Além de tudo, quando substituímos o carro pela bicicleta, deixamos de jogar na atmosfera quase 3 toneladas de CO² por ano, contribuindo diretamente no combate ao aquecimento global. Calcule aqui a sua pegada de CO² e saiba quantas árvores são necessárias para compensar a sua pegada de carbono.
Bike é mais sustentável
Juntar uma turma de amigos e sair para pedalar é uma boa. Um dos exemplos é o Piramba MTB, um grupo formado por aproximadamente 40 amigos apaixonados por este esporte. O nome do grupo é uma homenagem ao local que eles mais visitam em suas pedaladas: a piramba, que é uma subida muito íngreme, de difícil acesso, muitas vezes contendo buracos, pedras, areia e geralmente de terra batida.
cocoParte do grupo Piramba MTB: vivendo o esporte e trilhando novos caminhos
Essa turma não pedala apenas por benefícios a saúde, mas também apóia e incentiva o uso da bicicleta como um meio de transporte sustentável e ecologicamente correto, contribuindo com a redução de toneladas de CO² da atmosfera.
A regra absoluta, quando saem para pedalar, é não deixar nenhum tipo de vestígio, ou seja, lixo que polua a flora do local, ou que sirva para colocar algum animal silvestre em risco, evitando até a poluição sonora, para não assustar a fauna.
Ao pedalar pelo campo, pode-se ver maravilhas da fauna, como o gavião Carcará
Durante seus passeios pelo campo, os integrantes da equipe Piramba MTB promovem a disseminação de sementes frutíferas, que são levadas para as trilhas e semeadas ao longo delas, para que um dia possam servir de alimento aos animais ou pessoas que passem pelo local. Afinal, comer uma fruta fresca colhida do pé e fazer uma bela trilha, é um grande privilégio. Privilégio esse que só depende de ações positivas que combatam as inúmeras ações negativas que o ser humano realizou no passado.
Além disso o grupo também possui o Selo Verde Ecooar, compensando parte de suas emissões em suas redes sociais e website.
Ecologia, sustentabilidade e saúde são alguns dos benefícios proporcionados pela bike
Essa turma dá um show nessa trinca verde: ecologia, sustentabilidade e saúde, praticando um esporte pelo qual são apaixonados, contribuindo com meio ambiente e promovendo uma considerável redução dos impactos ambientais que outros meios de transporte trazem para o meio ambiente, um belo exemplo a ser seguido. São ações como essas que realmente fazem a diferença com grandiosos resultados.
João Daniel F. de Andrade
Engenheiro Agrônomo • MBA Gestão de Negócios • Atuação na área de produção agrícola
Contato: joao_engenheiro@hotmail.com
Uma manhã fria, mas o Piramba em peso estava a postos para pedalar pelos mais diversos caminhos, sempre dentro de fazendas. O pedal foi só de trilhas, percorremos as Fazendas: Hípica, Dinamérica, São Carlos e Igurê. Passamos por vários terrenos e paisagens.
Andamos por Floresta de Mogno, mata atlântica, seringueiras, cafezais, eucaliptos e uma belíssima cultura de girassol, também tivemos que atravessar um pequeno rio. Isso só demonstra a riqueza e a beleza das trilhas de bicicleta que Garça e região dispõe.
Este é um pedal que tem maior conexão com a natureza e mais técnico também, o terreno tende a segurar mais a bike e por isso o Km rodado é mais cansativo, mas vale a pena. Pedalamos por caminhos alternativos entre Garça e Gália, um verdadeiro paraíso para os amantes de mountain bike e de uma boa pirambeira.
Há 10 Anos foi Criado o Canal Piramba MTB no Youtube
A história do Piramba desde o início foi temperada com muita a areia, suor e água de cachoeira. E a ideia sempre foi procurar novos caminhos, pedalar em lugares que não tem estrada ou mesmo qualquer trilha, que quase ninguém vai, e muitas vezes é preciso perseguir um caminho para chegar no destino almejado, que são os picos e cachoeiras da região, locais inóspitos, de difícil acesso e desconhecido de muita gente.
A marca Piramba MTB surgiu no final de 2008, já fazíamos pedais com cachoeiras, e eu gostava de filmar, editar e depois para poder compartilhar aquele arquivo pesado acabava tendo que gravar o vídeo em CD e assim disponibilizar para os amigos, pois nunca tive nenhuma pretensão em criar um canal no youtube. No entanto, isso acabou sendo inevitável pela facilidade de compartilhar os vídeos com quem quiser de maneira simples e prática.
E junto com a necessidade de criar o Canal, também foi preciso criar um nome e assim surgiu o nome Piramba MTB que veio para ficar, já são mais de 200 vídeos gravados, só este canal criado em 2008 passou da marca de 100 mil visualizações, pouco se comparado com muitos por aí, mas não deixa de ter um certo significado, se partir do princípio que é um canal com conteúdo próprio, produção precária, pouco tempo dedicado ao projeto, destinado a um publico reduzido, sem investimento nenhum, sem uso de artifícios para turbinar as estatísticas de visualizações, e sem fazer muita divulgação.
Mas o Piramba é muito maior que este singelo canal de youtube, pois outros também publicam vídeos do grupo e contribuem na consolidação da marca Piramba MTB, como os canais amigos:Canal do Vicente, Canal do Thiago Bulho e o Sujo de Barro do Thiago Zancopé.
Em 2011 foi criado o Blog do Piramba
Com o nosso amigo Vicente Conessa incorporado para valer nos pedais do Piramba deu-se o nascimento deste presente Blog para ser um lugar para ampliar o conteúdo divulgado pelo Piramba, já que o youtube fica mais restrito a publicação de vídeos. Então o Vicente criou o Blog para postarmos além dos vídeos, fotos e também textos sobre as trilhas de bike e as cachoeiras da região de Garça.
A característica principal do nosso grupo de pedal, é aliar o Mountain Bike com natureza, e em muitas vezes o destino são as diversas e belas cachoeiras que existem nas proximidades de Garça-SP. Junto com o blog também foi criada uma conta do Piramba MTB no Flickr para postar as fotos registradas durante os rolês de bike.
Uma História Feita por Muitas Pessoas
Mas o Piramba vai muito mais além disso tudo, pois foi construído por muitas outras pessoas ao longo destes mais de 10 anos de existência, são todas aquelas que já participaram dos nossos pedais, que fizeram a história do grupo e criou a sua identidade. De um lado, com muita adrenalina, aventura e diversão, mas por outro lado, não foram poucos os momentos de extremo cansaço, dor, sofrimento e até desespero, e nessas horas que aparecem também a solidariedade e a superação, daí então o estreitamento dos laços de amizades é só uma consequência natural da situação.
São muitas as emoções e experiências acumuladas nestes 10 anos de pirambeiro, e isso é tão bom e enriquecedor que não tem como deixar de seguir na atividade, o pedal não pode parar nunca.
O conteúdo gerado pelo Piramba só foi possível com a ajuda essencial de muita gente, são tantos que não tem como relacionar todos. Cada um foi fundamental e peça de um quebra cabeça que forma o todo que é o Piramba MTB é. E a interação dos pirambeiros com a natureza sempre foi a tônica dos vídeos e das mais de 18 mil fotosjá publicadas.
Existem muitas outras plataformas utilizadas para divulgar o nosso material, e mesmo assim, tudo o que já foi registrado, é apenas uma parte do conteúdo já criado pelos pirambeiros. Em tempo de celulares para lá de modernos, é muito comum ter várias fotos e vídeos nos celulares de cada um e que não são publicados, e nem por isso menos interessantes, o que mostra como é vasto o conteúdo criado até agora, sempre repleto de bike e natureza.
O Piramba MTB aumentou o número de redes sociais em que publica seu conteúdo, está também presente no Facebook e Instagram. Além do Flickr, Youtube e WordPresse também tem o site Piramba Adventure com mais de 1.400 cachoeiras cadastradas ao redor do mundo. Uma plataforma digital complementa a outra, assim como contribui para que o Piramba MTB alcance o maior número de pessoas, e mais gente pode ter contato com o material publicado, ou seja, as cachoeiras, os animais silvestres da região e trilhas de bike que existem nas proximidades de Garça-SP, bem como em outros lugares que já percorremos também.
A Evolução, Lenta, Gradual e Sólida das Estatísticas do Blog
Desde o nascimento do Blog em 2011, a cada ano que passa aumenta um pouco as visualizações quando comparado ao ano que passou, este ano mesmo, em julho já tinha passado os números de 2018. Aos poucos e com bastante conteúdo o site do Piramba MTB se consolida e cresce ano a ano. As estatísticas que estão no quadro abaixo demonstra essa evolução.
E o interessante é que apesar dos números modestos do nosso Blog, em consulta as estatísticas quanto ao alcance geográfico do site verificamos que já fomos acessados por mais da metade dos países do planeta terra, são os coloridos de amarelo, além do Brasil em vermelho é claro, conforme mapa múndi abaixo.
No total, pessoas distribuídas em 98 países já visitaram a nossa página. Outro dado que chama a atenção é o número de visualizações nos Estados Unidos, todos os dias existem visualizações originadas desta nação. Isso tudo é uma demonstração que devagar e sempre o Piramba MTB expandiu além das fronteiras do Brasil, conseguiu colocar as belezas do município de Garça-SP nas telas de pessoas do outro lado do globo, o que não deixa de ser um motivo de satisfação, já que trabalhamos com muita simplicidade.
Considerações Finais
Por tudo isso, podemos dizer o Piramba MTB vem cumprindo neste tempo o papel de contribuir um pouco com a divulgação do Mountain Bike, o esporte de fazer trilhas de bicicleta nos mais diversos cenários, por mais adverso que seja o caminho, bem como levar ao conhecimento de muitos, as encantadoras cachoeiras que existem em Garça-SP e região, muitas vezes desconhecidas pelos moradores locais.
E ao conhecer e registrar imagens de tantas cachoeiras, acabou sendo necessário fazer o inventário delas, catalogá-las e torcer para que isso possa ajudar a preservação desses belos e importantes patrimônios naturais. Por outro lado, este espaço também se fez lugar de informações sobre animais pertencentes a nossa fauna e até mesmo chegamos a abordar um pouco da história da região.
Logo, o balanço desses 10 anos é bem positivo, o pedal nunca parou, e nem este Blog, apesar de momentos de maior ou menor atividade, bem como o gosto pelo contato com a natureza e a busca por conhecer novos caminhos e cachoeiras que não cessa jamais.
Conseguimos nesse tempo registrar mais de 40 cachoeiras na região de Garça, e ainda algumas outras em municípios diversos, desenvolvemos o mapa das cachoeiras, uma interessante ferramenta para conhecer melhor a extensão, a localização e a qualidade de nossas cachoeiras (Confira Aqui).
Mas este é um trabalho sem fim, apesar de ainda incompleto e com algumas imprecisões, não deixa de ser um motivo de orgulho a categorização e o desenvolvimento do mapa das cachoeiras, inclusive com fotos para que se tenha uma noção mais exata dessas preciosidades da natureza.
Este trabalho de mapear as cachoeiras acabou por prestar uma pequena ajuda para que Garça conseguisse ver aprovado o projeto para se tornar um município de interesse turístico, e prova disso é que o próprio site oficial da Prefeitura de Garça na página referente ao Turismo, em “Mapa do Turismo”, existe um link chamado “Cachoeiras – Piramba MTB” que utiliza a base de dados do nosso mapa de cachoeiras, inclusive a site dá o devido crédito ao Piramba (Veja Aqui).
Também sinal de reconhecimento das publicações feitas pelo Piramba foi a matéria produzida por um importante periódico da imprensa Bauruense. O Jornal da Cidade veio até Garça para conhecer melhor o Piramba MTB e fazer uma reportagem a respeito das cachoeiras inexploradas desta região, clique aqui para ler a matéria.
Também o Piramba MTB deu uma parcela de colaboração pra reconstituir a história da gigantesca e lendária Fazenda São João, hoje mais conhecida como Companhia Inglesa com sua encantadora igreja em ruínas. A contribuição foi através da postagem de um primoroso texto cedido gentilmente por Hamilton Carvalho que vivenciou o período áureo desta fazenda. Nesta época, era considerada maior que muitas cidades da região em número de habitantes, e ele com texto muito bem escrito conta com riqueza de detalhes como era a vida neste local. Confira aqui esta postagem.
Sem dúvidas, foi uma dos conteúdos mais interessantes já publicados pelo Piramba MTB e também foi o que chamou a maior atenção dos internautas. Sempre ávidos por mais informações sobre o assunto, eles acabaram por contribuir com valiosos comentários e assim pudemos conhecer melhor o que foi este lugar com características únicas na região.
Conhece a Cachoeira do Pneu? Você pode ter ouvido fala então na cachoeira do Stand?
Nosso amigo Antônio Brandão nos proporcionando essas belas imagens!!
Um pedal rápido, fácil e muito prazeroso, ainda mais em um dia quente. Sem percorrer grandes quilometragem e nem ter que superar muitas dificuldades pelo percurso, já é possível chegar no Poço do Porco para tomarmos aquele banho de cachoeira de lavar a alma e espairecer a mente.
Depois, ao seguir um pouco mais do curso d´água já é o Pico do Urubu, um lugar de uma beleza impactante e ótimo para contemplar o belo horizonte a beira de um precipício mortal. Foi uma boa pedida para um dia de forte calor, e também para reunir os amigos,colocar a conversa em dia e dar boas risadas.
Neste pedal, contamos com presença de um companheiro de pedal das antigas e que está voltando para a ativa e também tivemos a participação especial e não programada de um dos um grande ciclista de Garça, a conferir.
A busca por novas cachoeira é incessante, e não é que conhecemos mais uma nova cachoeira, ou melhor cachoeiras, um lugar de natureza privilegiada. O interessante é que a cachoeira é próxima a cidade e o acesso não é tão difícil, embora não dê para levar a bicicleta até o final, mas ao menos na primeira cachoeira é tranquilo chegar, e ela tem um bom e pequeno poço para banho.
Já o acesso a segunda cachoeira é um pouco mais complicado, é preciso seguir uma trilha paralela ao curso d´água e descer por lugares bem íngremes, o que dificulta, mas não impede chegar até ela, que por sinal é bem mais alta e bela do que a primeira. A água parece ser limpa e sempre está gelada, a mata ciliar é bem preservada, este é mais um belo patrimônio natural de Garça que encontra-se a poucos quilômetros da cidade, o que demonstra a infinidade de possibilidades e lugares com potencial para ecoturismo que o município desfruta e que um dia há de ser explorado de forma sustentável, tanto ambientalmente, como economicamente, pois só pode dar certo se ambas as coisas andarem lado a lado.
Um detalhe interessante foi a ossada de um animal que encontramos no local, parece ser um bicho com presas afiadas, mas não chegamos em um acordo acerca de qual animal é este? O mistério continua, mas é uma prova da existência da diversidade da fauna de nossa região.
E esta planta, com estes belos frutos, qual seria?
É, temos uma fauna e uma flora fantástica, e isto deve ser motivo de orgulho, apesar de todas as adversidades pelo qual o meio ambiente passa, aqui e Brasil afora.