Por Rudi Ribeiro Arena e Vicente Aranha Conessa, fundadores do Piramba.
Introdução
No âmbito global, o desafio é evitar o aumento da temperatura do clima, fator que já tem gerado ondas de calor e extremos de seca que compromete a disponibilidade de água. Relatório do Painel Intergovernamental das Mudanças Climáticas, das Nações Unidas, mostra que, se a temperatura global subir acima de 1,5°C, em todo o mundo mais de 350 milhões de pessoas ficarão expostas até 2050 a períodos de seca severa.
O consumo de água está ligado não apenas ao consumo doméstico, mas a toda a produção humana, seja agrícola ou industrial. Trata-se do seu uso invisível, um quilo de carne consome até 15 mil litros de água. Uma calça jeans para ser fabricada, pode utilizar-se de até 2 mil litros. Um carro então de 140 mil litros. Caso a gente não cuidar bem das nascentes, a tendência é que a água fique cada vez mais escassa e isso vai afetar não só os cidadãos, mas também os setores produtivos. Não podemos esperar sentir o problema no bolso para começarmos a agir.
A história dos problemas ambientais passa por essa falha de percepção por várias razões: conveniência, ignorância ou apatia. Todo o processo de educação ambiental hoje tem de estar obrigatoriamente centrado na ampliação da percepção, senão não vai mudar coisa alguma. Isso vale para Garça, mas também a todos os demais municípios brasileiros que sofrem do mesmo mal.
E hoje em dia ainda temos um agravante a ser superado para fins da conservação da água, são as mudanças climáticas, que provocam alterações no regime de chuvas. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) já reconhece esse problema, bem como uma maior duração dos períodos de secas e com temperaturas mais altas.
A tendência é que as chuvas que se infiltram no solo que são as de baixa intensidade e de tempo prolongado tornam-se eventos cada vez mais raros. Quando uma grande quantidade de chuva cai em um pouco tempo, há uma tendência ao escoamento superficial porque o solo atinge sua capacidade de saturação e para de absorver, e esse fenômeno se agrava se as margens das nascentes e dos rios estão degradadas ou com a mata ciliar ausente.
É urgente assegurar a manutenção e recuperar o funcionamento natural do ciclo hidrológico natural de Garça-SP, com impacto positivo também na manutenção dos aquíferos subterrâneos. Porém, é lamentável que o tema não seja prioridade e nem destaque no debate público ou na agenda institucional.
A escassez e a baixa qualidade da água são um problema real e recorrente, os espaços urbanos concentram a maior demanda por água potável, para atender o consumo humano e suas necessidades básicas. Em Garça nunca foi preocupação a abundância e qualidade da água, mas de uns tempos para cá, o tema começou a vir à tona. As nascentes e cursos no município encontram na maioria das vezes, envolvidas em processos degradação ambiental. Devido à sua importância, é premente a necessidade de preservação e recuperação dessas áreas.
Temos que apostar na recuperação e na conservação da natureza para o enfrentamento da crise hídrica. O alerta da comunidade científica é de que a melhor ferramenta para nos ajudar a enfrentar a emergência climática e as crises hídricas e de saúde pública é a recuperação e a conservação da natureza. Ou seja, a resposta está na própria natureza. Em outras palavras, para termos uma chance de futuro neste planeta, precisamos fazer com que a Terra fique um pouco mais parecida com o que era no passado. Precisamos, sobretudo, replantar florestas nativas.
E qual relação das árvores com os rios? Tudo. A ausência de mata ciliar em nascentes e beira de rios afeta diretamente a qualidade e a quantidade da água.
As nascentes de Garça pedem socorro
Garça é uma cidade privilegiada sob o ponto de vista ambiental e hídrico. Localizada em uma região naturalmente rica em recursos naturais, com inúmeras nascentes, grotas, córregos e cursos d’água. É bom lembrar da importância do município na formação de três importantes rios do Centro Oeste Paulista: Rio Tibiriça, Rio do Peixe e o Rio Feio. O município ainda conta com um fator estratégico raríssimo: está inserido na área de influência do Aquífero Guarani, uma das maiores reservas subterrâneas de água doce do planeta. Poucas cidades podem dizer que receberam tanto da natureza.
Esse privilégio, porém, vem sendo tratado como garantia eterna. E não é.
A natureza fez sua parte ao longo de milhares de anos, moldando o relevo, acumulando água no subsolo e fazendo brotar nascentes que alimentaram rios, abasteceram populações e sustentaram ecossistemas inteiros. O que está em jogo agora é saber se o ser humano fará a sua parte em preservar aquilo que não criou, mas do qual depende completamente.
Existe um levantamento técnico das nascentes de Garça que revela uma realidade preocupante e ainda pouco conhecida da população. A maior parte dessas nascentes está classificada em estado amarelo ou vermelho, o que significa que se encontram em situação de alerta ou de degradação severa. Na prática, isso indica perda de vegetação ao redor, solo compactado, erosão, assoreamento e redução significativa da vazão. Em muitos casos, a nascente ainda existe fisicamente, mas já não cumpre mais sua função ecológica essencial.
Quando uma nascente se degrada ou desaparece, o impacto não é pontual. Não se trata apenas da perda de um olho d’água isolado. Trata-se do enfraquecimento de todo um sistema hídrico que começa na cabeceira, percorre os córregos, alimenta os rios, recarrega os aquíferos e, por fim, chega às torneiras das casas. A água que falta na cidade quase sempre começou a faltar muito antes, lá na nascente que foi ignorada.
Há em Garça uma falsa sensação de segurança em relação à água. Sempre houve água. Quando o nível baixa, perfura-se um poço. Quando a demanda aumenta, busca-se uma solução técnica. Essa lógica cria a ilusão de que a água nasce no poço, quando, na verdade, o poço apenas retira aquilo que foi acumulado ao longo de décadas ou séculos graças à infiltração da água da chuva no solo, processo que depende diretamente das nascentes e da vegetação que as protege.
Quando as nascentes são destruídas, o aquífero deixa de se recarregar no mesmo ritmo. O efeito não é imediato, mas é inevitável. A conta chega de forma lenta e silenciosa e, quando se torna visível, já exige soluções caras, emergenciais e muitas vezes insuficientes. O ano de 2025 deixou isso claro. A falta d’água deixou de ser uma hipótese distante e passou a fazer parte da rotina de muitos moradores. Ainda assim, o debate público seguiu concentrado nos efeitos, e não nas causas.
As nascentes de Garça sofrem com o processo de ocupação e uso irregular do solo, e o resultado foi a degradação de sua cobertura vegetal, isso compromete de forma direta a qualidade de suas águas. Ao mesmo tempo, falta ao poder público e da sociedade em geral a percepção da necessidade do cuidado adequado desses corpos d’água. É de suma importância o envolvimento dos atores sociais na criação de programas de educação ambiental, e também para a recuperação das áreas degradadas, bem como se atentar para as boas práticas de descartes de lixo urbano, aplicar as restrições ao uso e ocupação de áreas de preservação permanente e, dessa forma, assegurar a qualidade dessas águas.
A degradação das nascentes não acontece por acaso. Ela é resultado de desmatamento, ocupação desordenada, avanço urbano sem planejamento, pisoteio, aterramento, canalização e, sobretudo, descuido. Em muitos casos, não é má-fé, mas indiferença. A nascente vai sendo enfraquecida aos poucos, até que um dia deixa de existir. Quando isso acontece, não há obra de engenharia capaz de substituí-la com a mesma eficiência, durabilidade e baixo custo.
É justamente diante desse cenário que iniciativas da sociedade civil ganham relevância. O grupo Piramba, ao manifestar a intenção de adotar uma nascente no município, não o faz como um gesto simbólico ou isolado. A proposta é assumir um compromisso concreto com a recuperação ambiental e, a partir dessa experiência prática, ampliar o debate para toda a cidade.
A intenção é que essa adoção seja apenas o primeiro passo de algo maior. A partir dela, pretende-se lançar, em 2026, uma campanha pública de conscientização e mobilização social, convidando cidadãos, empresas, instituições e proprietários a também adotarem nascentes, contribuindo para sua recuperação e preservação. Essa campanha deverá se chamar “Pacto pela Água”, justamente para reforçar a ideia de compromisso coletivo com o futuro hídrico de Garça.
A Lei 5.525/2023 que instituiu o Programa de Recuperação de Áreas Degradadas “Adote uma Nascente” continua a ser uma ilustre desconhecida. É preciso divulgar e conhecer melhor o funcionamento dessa Lei para a sociedade civil organizada do município bem como as empresas garcenses, quem sabe assim, todos possam colaborar de forma concreta para mudarmos essa situação. Essa Lei prevê instrumentos para que toda a população consiga colaborar na recuperação das nascentes degradadas. Chegou o momento de que só a conscientização não basta, é preciso agir e com a urgência necessária.
A proposta do Pacto pela Água não é substituir o papel do Poder Público, mas somar esforços. A preservação das nascentes exige cooperação. Exige que a sociedade civil se envolva, que as empresas compreendam seu papel social e ambiental e que o Poder Público atue como parceiro, facilitador e apoiador de iniciativas que protejam aquilo que é essencial para todos.
Garça tem sorte. Muita sorte. Mas sorte não é garantia de futuro. Nenhuma cidade, por mais privilegiada que seja, resiste à destruição sistemática de suas fontes naturais de água. A natureza oferece, mas não sustenta sozinha. Sem cuidado, sem planejamento e sem consciência coletiva, até os territórios mais ricos em água se tornam vulneráveis.
Conclusão
Preservar nascentes não é um discurso ambiental distante ou ideológico. É uma atitude prática, concreta e urgente. É garantir infiltração da água no solo, reduzir assoreamento, manter a vazão dos córregos, proteger o aquífero e assegurar que as próximas gerações tenham acesso a um recurso que hoje parece abundante, mas que pode se tornar escasso.
A responsabilidade não é apenas de governos, técnicos ou ambientalistas. É de todos que vivem aqui, produzem aqui, consomem água todos os dias e desejam continuar chamando Garça de lar. Cada nascente preservada beneficia toda a cidade. Cada nascente perdida empobrece o futuro coletivo. A recuperação de nascentes e matas ciliares tem o potencial de melhorar o microclima do município com melhor equilíbrio da umidade e temperatura, além resultar em mais abundância de água e com maior qualidade desta.
Da perspectiva do poder público, existe uma necessidade urgente para que os gestores sejam qualificados para lidarem com as novas características que as mudanças climáticas trouxeram para o planeta e investir em um banco de dados robustos acerca das bacias hidrográficas e ecossistemas aquáticos.
Mas a realidade e a regra é o desmatamento das áreas de preservação permanente e a indiferença aos problemas de natureza ambiental, isso resulta em nascentes que perdem não apenas a sua biodiversidade, mas que sofrem também com a redução da absorção de nutrientes no solo, a redução na umidade relativa do ar e no aumento da temperatura local.
Falta planejamento a respeito do uso e ocupação do solo. O uso irregular do solo é uma grande ameaça às nascentes. A constante retirada de mata ciliar em áreas sujeitas a erosão e assoreamento estão minando a saúde de nossas nascentes. A ocupação irregular dessas áreas decorre de diversos fatores, como a utilização do solo para rebanho bovino, algo comum ver em Garça, e que causa o assoreamento de nascentes e córregos. Infelizmente as autoridades públicas são omissas na fiscalização e em exigir o cumprimento da legislação ambiental.
A situação é séria e os desafios são imensos. Nós não mudamos nossos comportamentos e a insistência acaba emir atrás de soluções por meio de muita engenharia e não nos damos conta de que o mais importante é dar a atenção necessária à natureza.
É evidente que restaurar parte da Mata Atlântica que aqui existia em Garça pode garantir o futuro de nossas gerações que aqui viverão. Os principais caminhos viáveis no longo prazo são as soluções baseadas na natureza. Conservar as florestas não é simplesmente preservar a flora e a fauna, é também a nossa única possibilidade de garantir o bem mais precioso e vital para a espécie humana, que é a água. Só furar poço artesiano é agir de forma reativa, medida imediatista que consome a reserva de água subterrânea sem resolver o problema a longo prazo. É preciso ir além, ir na raiz do problema. O município precisa se preparar para os desafios hídricos do município iminentes. Como já se diz o antigo e sábio ditado: “prevenir é melhor do que remediar”.
Para impedir que a situação se agrave ainda mais, é necessária uma evolução da sociedade como um todo do ponto de visto ético, moral e filosófico. É preciso ir além do avanço científico e tecnológico. As mudanças climáticas e a escassez de água cada vez mais comum revelaram a maior falha econômica e social da espécie humana, pois evidencia que inteligência de sobrevivência do ser humano não logrou êxito do ponto de vista estratégico e que permanece no erro de forma insistente. Continua a ignorar todos os sinais que natureza já envia. Já passou da hora de mudarmos essa situação.
Garça ainda tem água. Garça ainda tem nascentes. Garça ainda tem tempo. Mas o tempo não é infinito. E a natureza, por mais generosa que seja, não consegue se defender sozinha.
Ainda que muitas propriedades rurais de Garça levem a sério projetos de recuperação de Áreas de Preservação Permanentes (APPs), a realidade é que a grande maioria está na contramão e não tem nenhum compromisso com a conservação das áreas de nascentes. Ou seja, o a conta não bate e o saldo ambiental é negativo para o município. É preciso ações concretas e a união de todos para mudarmos essa realidade, é possível, primeiro é preciso acreditar em mudanças, para em seguida agir. É isso que o Piramba propõe e se dispõe a fazer, mas com a consciência de que sozinho tudo fica mais difícil e distante de atingir os objetivos. Por isso, é vital um pacto pela preservação e recuperação das nascentes do município de Garça, antes que seja tarde demais.
Garça sempre foi reconhecida como uma cidade privilegiada em recursos hídricos. São inúmeras nascentes espalhadas pelo município, verdadeiras joias naturais que deveriam ser tratadas como patrimônio coletivo. No entanto, a realidade é bem diferente: boa parte dessas fontes de vida corre o risco de desaparecer, sufocada pela falta de consciência ambiental e pela omissão do poder público ao longo do tempo.
O Lago Artificial de Garça é um símbolo desse problema. Quem observa seu nível de água cada vez mais baixo pode até pensar que se trata de um fenômeno isolado, mas a verdade é que ele é apenas a ponta do iceberg. A nascente que o alimentava foi canalizada e hoje serve como palco para eventos da cidade, sem qualquer preocupação com a função vital que antes desempenhava. Historicamente, o lazer imediato prevaleceu sobre a preservação ambiental, revelando uma visão míope de desenvolvimento.
Agora, o Lago Artificial está em processo de esvaziamento. Um poço profundo está para ser perfurado e assim poder fornecer água para um lugar em que antes ela era farta e brotava naturalmente. A nascente resistiu até quando foi possível, mas chegou o momento crítico, e uma confluência de fatores fez com que ela secasse.
Uma breve história de Garça-SP
O Centro-Oeste Paulista foi, e em parte, terra dos indígenas Kaingang, sendo o povo indígena mais numeroso na região, com uma história de resistência e conflitos por terra com o avanço da colonização e da agropecuária. Embora não sejam os únicos, os Kaingang tiveram um papel central na formação territorial e cultural desta área. E uma coisa que poucos habitantes de Garça sabem é que a região foi uma das últimas fronteiras agrícolas do Estado de São Paulo com os povos indígenas. Garça em 1910, ainda se encontrava no interior profundo e inexplorado pelo homem branco, a natureza era plena e intocada.
A região, na época, era chamada de extremo sertão do estado. Posteriormente, houve o morticínio dos povos originários locais com a atuação das instituições públicas. Era um período em que havia todo um incentivo par a tomada do território com o apagamento de sua cultura e história. Houve uma verdadeira limpeza étnica com o apoio do poder público e das elites locais da época com interesse na posse das terras.
Os indígenas “garcenses” lutaram com os homens brancos por um longo período para simplesmente terem direito de continuar vivendo em suas terras. Porém, chegou um momento em a quantidade de homens brancos no ataques e o poderio das armas de fogo venceram a guerra. Há registros históricos de que os homens das caravanas públicas se vangloriavam de terem invadido uma tribo e matado a todos, até mesmo as crianças nas mais tenras idades. Isso demonstra o motivo pelo qual em nossa região temos um percentual muito pequeno medido pelo IBGE de pessoas de origem indígenas.
Tal dado não é evidência de aqui não era terra de “índios”, muito pelo contrário. De norte a sul o país era ocupado por indígenas. Na região norte do Brasil existe uma população indígena proporcionalmente maior do que no resto do país, mas isso se dá em razão de que os homens brancos tiveram dificuldade de dizimar indígenas que viviam em lugares longínquos e inóspitos do Brasil . Em Garça, no sudeste do país, a situação era diferente. No início do século passado, cada bastião indígena que ainda existia no Estado de São Paulo, era um alvo fatal e fácil por parte das forças estatais, a vida dos indígenas estavam com os dias contados por aqui. Importante lembrar desses fatos, pois este capítulo não está em nenhum lugar que conta a história de Garça e os alunos do município não aprendem isso na escola.
A terra na região de Garça era fértil e a floresta densa, era continuação da mata atlântica com toda a sua beleza e encanto. As primeiras derrubadas foram feitas pelo Dr. Navarro J. Cintra nas terras que se situam à direita de cabeceira do Ribeirão da Garça. Ali se formou uma fazenda, que em 1920, já estava consideravelmente desenvolvida. Não tardou, portanto, a surgir um povoado em torno da sede da fazenda.
O distrito foi criado no município de Campos Novos, e em 29 de dezembro de 1925, pela Lei estadual de n.º 2.100, sua sede era elevada à categoria de Vila. O município de Garça foi criado em 27 de dezembro de 1928, por força da Lei Estadual n.º 2.330, com território desmembrado do de Campos Novos e Pirajuí. E como era comum na época, fazer o corte raso da vegetação local era sinônimo de progresso. E assim foi feito aqui, assim como em grande parte do país.
A história do Lago Artificial de Garça-SP
O lago artificial de Garça, foi nomeado Lago Professor J.K. Williams, e é uma homenagem ao professor garcense Jennings Kendrick Williams. O Lago começou a ser construído no ano de 1979, mas foi inaugurado em 28 de agosto de 1980, pela gestão do Prefeito Francisco de Assis Bosquê (1977-1982). Logo tornou-se o cartão-postal da cidade. Mas com o tempo virou muito mais do que isso, foram realizadas diversas outras intervenções e edificações no entorno, assim, tornou-se também um lugar para a realização de eventos, um atrativo turístico, local para a para prática de atividades físicas, para passear com as crianças, ponto de encontro de jovens, lugar para se fazer piquenique, observar pássaros, enfim, um importante espaço público de convívio e laser para a população de Garça-SP e região.
Tem também a concha acústica onde são realizados shows musicais, entre outras apresentações, tem os pedalinhos e tem também uma pista de skate no entorno, além de abrigar o Bosque das Cerejeiras e um Jardim Oriental.
A cultura japonesa é nitidamente percebida em Garça. A população é formada também por imigrantes orientais, que trouxeram os costumes de lá. E é o local que melhor representa a influência nipônica no município de Garça-SP.
A história do Bosque das Cerejeiras em Garça começou em 1979, quando o imigrante japonês Nelson Kosche Ichisato plantou 100 mudas de cerejeiras, simbolizando a chegada da colônia japonesa na cidade e a esperança de um novo ciclo. Atualmente, o Bosque das Cerejeiras, ao redor do Lago Artificial Prof. J.K. Williams, possui mais de mil árvores e é palco do Cerejeiras Festival, um evento que celebra a cultura japonesa e atrai milhares de visitantes todos os anos. As cerejeiras são árvores emblemáticas do Japão, representando a beleza, a esperança e a transitoriedade da vida.
Ichisato, que nasceu no distrito de Oshima, província de Yamagutiken, no Japão dizia que desde pequeno tinha um apreço especial pelas flores das cerejeiras. Segundo ele, as floradas são uma marca tradicional da primavera japonesa, já que as famílias se reúnem com convidados para piqueniques, nos quais há o congraçamento entre as pessoas e a possibilidade de apreciar a beleza natural e comemorar o início da estação primaveril.
O plantio de cerejeiras em Garça, cidade de clima pouco parecido com o do Japão, foi visto, inicialmente, com descrédito. Ichisato plantou 110 mudas e várias delas, após poucos dias, morreram devido às chuvas torrenciais. Após um ano, novas mudas foram plantadas e, pouco a pouco, as plantas se adaptaram ao solo e o clima da cidade. Assim, após alguns anos, o bosque do lago “J.K. Willians” de Garça ganhava um novo visual. As árvores passaram a preencher o espaço com uma beleza singular e, a cada inverno, a comunidade pode assistir um espetáculo ímpar de cores.
O bosque e a Festa das Cerejeiras
Na florada das cerejeiras, geralmente entre junho e julho, é celebrada com a Festa das Cerejeiras, a mais tradicional da cidade, é um grande evento da cultura japonesa que ocorre anualmente na cidade.
A festa não só resgata a cultura japonesa, mas também promove a confraternização entre diferentes povos, atraindo visitantes de várias regiões do Brasil. Esse evento é um dos maiores eventos da cultura japonesa no país e foi recentemente incluído no calendário turístico oficial do Brasil. Também tem uma relevância econômica significativa para o município de Garça, é hoje a maior atração turística. Porém, existe um potencial enorme para o ecoturismo, ainda bastante incipiente no município.
Como era o local do Lago Artificial antes de sua construção
Os moradores mais idosos do município ainda tem na memória como era o local antes das grandes intervenções humanas. Antigamente, não existia o lago artificial de Garça-SP, o local onde ele se encontra hoje, era uma grande área de várzea, um lugar de destino de boa parte das águas fluviais que precipitavam na cidade. Por ser um lugar mais baixo e plano que boa parte da cidade, as águas da chuva confluíam naturalmente para lá.
Assim, existia um ali um grande brejo, era uma área permanentemente alagada, possuía uma vegetação ao redor característica desse tipo de ecossistema, marcada pelas taboas, planta típica de áreas com água parada. Mas também era lugar de nascente d`água, minava o líquido precioso de forma natural.
Houve a ideia então de transformar parte dessa área de brejo em um lago artificial, já que a água era farta naquela época. Era início da década de 80, e depois também houve uma permissão para uma expansão imobiliária na região que hoje pela legislação ambiental atual não seria possível, pois seria considerado uma (APP) área de preservação permanente.
O resto de brejo que havia sobrado, posteriormente, foi todo aterrado. A informação que temos é que houve a canalização subterrânea da nascente. E no local foi construído a concha acústica e o restante foi transformado em um extenso gramado, hoje utilizado para diferentes fins, como para a realização de eventos ou para recreação da população.
Apesar de todas as ações antropogênicas feitas no local, a várzea do Lago ainda está lá. Basta uma chuva forte que não é raro haver alagamento em algumas partes do entorno do Lago. A água da cidade corre naturalmente para o Lago em razão da topografia da cidade, mas o terreno não tem mais a capacidade de reter a água e nem o solo permite que ela infiltre, e essa é uma das razões para que a nascente tenha secado. As águas da chuva naturalmente paravam onde hoje fica o lago, é preciso que essa água não corra para os bueiros, mas sim para onde corria antes e permanecia. Para isso, é preciso investir em intervenções urbanas modernas e sustentáveis que posam ajudar a revitalizar a nascente do Lago Artificial.
O papel das nascentes e das matas ciliares
As nascentes são a origem dos rios e córregos, responsáveis por abastecer aquíferos, garantir água potável e manter a biodiversidade. Já as matas ciliares funcionam como filtros naturais, protegendo os cursos d’água contra erosão, assoreamento e poluição. Ao destruir esses elementos, compromete-se toda a cadeia ambiental — e, em última análise, a própria disponibilidade de água para consumo humano.
Existiu em Garça em meados dos anos 2000, um grupo de ativistas ambientais, chamados Nascentes Vivas, a preocupação com as nascentes de Garça é antiga, mas o ideal daquela época continua mais vivo do que nunca, a preocupação de manter as nascentes vivas é uma necessidade cada vez mais premente. Porém, as dificuldades e as disparidades de armas nessa luta permanecem a mesma. Não tem como um pequeno grupo de pessoas achar que consegue manter nascentes que estão em propriedades privadas e que só o poder público, independentes de sua esfera, pode fiscalizar e adotar as providências para que de fato essa realidade mude. Embora, é preciso reconhecer que já houve certo avanço na sociedade, pois antes o sinônimo de progresso era terra arrasada e árvore no chão, mas a consciência da população segue em um ritmo mais devagar do que a devastação do meio ambiente, sem pensar tanto sustentabilidade futura do local.
Ignorar a importância desses ecossistemas, é assinar uma sentença de escassez cada vez mais próxima. Garça, que já foi uma referência na questão de preservação hídrica e qualidade da água, caminha no sentido oposto, permitindo que a degradação se torne regra.
Garça está entre os municípios de SP que mais destruíram vegetação nativa em 2024
Grande queimada atingiu a região áreas de mata de Garça em 2024.
A região de Garça sofreu um golpe ambiental muito forte no ano de 2024. Um levantamento divulgado pelo Painel Verde, do Governo do Estado de São Paulo, colocou os municípios de Álvaro de Carvalho (SP) e Garça (SP) entre os que mais registraram destruição de vegetação nativa no estado em 2024. As cidades ocupam, respectivamente, o segundo e o terceiro lugares no ranking estadual, atrás apenas de Barretos.
Ou seja, nossa região perdeu mais de 1.110 hectares de rica mata nativa apenas em 2024, é um dado triste e alarmante que dificulta ainda mais a recuperação das nascentes. O clima cada vez mais quente e seco tende a aumentar esses episódios, é preciso que poder público esteja de prontidão aos desafios do que se pode chamar de novo normal.
Para ter noção do prejuízo ambiental de quem não é familiarizado com a medida de hectares, equivale a supressão de mais 11 milhões de metros quadrados ou 1.027 campos de futebol de vegetação nativa, que até então resistiam a devastação dos homens por estarem em grotões de difícil acesso em razão da topografia bastante acidentada.
Como a técnica de “plantar água” e uma cidade esponja poderiam ajudar na revitalização das nascentes de Garça
Esta foi uma forma comprovada de acelerar a revitalização de nascentes, ou até mesmo fazer brotar água onde tudo já estava seco. É uma técnica que pode ajudar na recuperação das nascentes garcenses que estão em situação de penúria.
É claro que não se pode ignorar a realidade no caso do Lago Artificial, ela se impõe impiedosamente, para o bem ou para o mal. Mas não nos é proibido pensar e imaginar outras possibilidades, pois o mundo é dinâmico e nem tudo que parecer eterno o é. Podemos aprender com a ciência, com as experiências bem-sucedidas e até mesmo com os erros cometidos no passado.
A aprendizagem é constante, assim como a necessidade de nos adaptarmos as atuais conjunturas. No caso do lago pode parecer um caso perdido, mas existem ações que podem colaborar para que futuramente, possa aumentar a quantidade de água no Lago de forma natural. É sempre mais fácil criticar do que propor melhorias para a resolução dos problemas, então é preciso aprender com as experiências já existentes, para que tenhamos opções e que possamos pensar fora da caixa. Tem pessoas que já fizeram isso e deram uma grande contribuição a humanidade.
Como assim “plantar água?
No caso do lago artificial de Garça, existem muitos entraves para a revitalização de sua nascente, pois hoje existem muitas edificações e não é possível derrubar tudo para que volte o que era antes, pois haveria um grande prejuízo para a população e para o município. Mas é possível pensar em plantar mais árvores onde hoje existe um grande gramado e o sol bate pleno sem uma sobra sequer que possa proteger o solo. Era um lugar em que antes era uma nascente que minava água. Porém, a expansão da malha urbana sufocou pouco a pouco a natureza que fazia a água brotar e o pior, foi construído um belo cartão-postal que parecia infinito, mas que hoje a natureza manda uma fatura salgada. É o preço a se pagar por décadas de omissão e escolhas duvidosas.
Falar em “plantar água” pode parecer estanho, mas é um termo usado para descrever a recuperação de nascentes através do reflorestamento de áreas degradadas ao redor delas, criando condições para que a água da chuva infiltre no solo e seja armazenada, e dessa forma revitalizar a nascente. Ernst Götsch, um agricultor suíço que provou na Bahia que isso é possível, e recuperou diversas nascentes com seu método que parece quase um milagre, mas não passa de técnica elaborada com base na experiência e na ciência. E consiste em:
Restauração do Equilíbrio Hídrico: O objetivo principal é aumentar a infiltração da água da chuva no solo e diminuir a evapotranspiração, reabastecendo os lençóis freáticos que alimentam as nascentes.
Proteção e Conservação: A prática busca proteger os corpos das nascentes de fatores externos como o assoreamento, a contaminação e o pisoteio de animais, garantindo a continuidade da qualidade e quantidade da água.
Melhora do Microclima: A vegetação criada no entorno das nascentes ajuda a manter a umidade do solo, aumenta a capacidade de retenção de água e diminui as perdas por evaporação, favorecendo o surgimento ou a revitalização das fontes.
O conceito das cidades esponjas
O arquiteto chinês Kongjian Yu, criador do conceito de “cidade-esponja”, faleceu em 24 de setembro de 2025. Ele foi vítima de um acidente aéreo no Pantanal, no Mato Grosso do Sul, enquanto gravava um documentário sobre o tema. Ele foi o criador desse conceito, de incentivar a criação de parques alagáveis, telhados verdes e calçamentos permeáveis, tudo isso faz parte de um modelo urbanístico conhecido como “cidade-esponja”. A proposta busca reter a água da chuva no próprio espaço urbano, reduzindo alagamentos e assegurando reservas de água para períodos de estiagem. O interessante é que ele comprovou na prática, que é possível aumentar o recurso hídrico disponível e o índice pluviométrico local, parece incrível, mas já é realidade.
Cidade-Esponja é um conceito de cidade sensível à água, remetendo à situação na qual a mesma possui a capacidade de deter, limpar e infiltrar águas usando soluções baseadas na natureza. Pode parecer um conceito distante da realidade, mas não é. É preciso reconhecer que ao menos uma boa iniciativa do poder público de Garça já foi adotada nessa direção. O Bosque Municipal de Garça passou por reforma para a substituição do piso asfáltico por pavimentos drenantes, que são mais adequados para uma área natural. Esse novo piso contribui para a melhor drenagem da água, evitando o acúmulo de água e favorecendo a conservação ambiental. Porém, essa iniciativa apesar de louvável, é só uma gota em um oceano cada vez mais seco. Por isso, existe a necessidade de outras tantas mudanças arquitetônicas e urbanísticas para que a cidade possa encontrar soluções que ajudem a absorver as águas de chuva – seja em áreas livres ou construídas, como:
1. Parques e Áreas Verdes:parques e áreas verdes desempenham um papel crucial na absorção e retenção da água da chuva.
2. Jardins de Chuva :Jardins de chuva são pequenas depressões ajardinadas que coletam e infiltram a água da chuva, filtrando poluentes e promovendo a recarga dos aquíferos.
3. Lagos e Pântanos Artificiais: são criados para armazenar grandes volumes de água da chuva e fornecer habitats para a vida selvagem.
4. Telhados Verdes: são uma tecnologia essencial nas cidades-esponja. Eles consistem em camadas de vegetação instaladas sobre telhados convencionais, que ajudam a reter a água da chuva, melhorar o isolamento térmico dos edifícios e reduzir a emissão de carbono.
5. Pavimentos Permeáveis: são uma solução prática para reduzir o escoamento superficial e aumentar a infiltração de água no solo. Esses pavimentos são feitos de materiais porosos que permitem a passagem da água, como concreto permeável e blocos intertravados. Eles são utilizados em calçadas, estacionamentos e ruas para mitigar o impacto da impermeabilização do solo.
6. Canais de Drenagem Natural:Canais de drenagem natural, ou swales, são valas rasas e vegetadas que canalizam a água da chuva de maneira controlada, promovendo sua infiltração e filtragem. Esses canais são projetados para capturar a água da chuva de telhados, ruas e calçadas, reduzindo a carga sobre os sistemas de drenagem tradicionais e melhorando a qualidade da água.
7. Sistemas de Biorretenção e Biofiltração: são áreas especialmente projetadas para capturar e tratar a água da chuva.
O Recurso Hídrico cada vez é mais escasso e valioso
Primeiro de tudo, é preciso ter em mente que a água é um recurso renovável sim, mas isso não quer dizer que é infinito. Para que a fonte de água seja renovável, é preciso cuidar dela e de seu entorno.
Á água limpa natural ou potável cada vez mais se torna um item mais raro e logo, com maior valor econômico. Muitas cidades são afetadas por pela falta de água, e isso tem consequências sociais, pois afeta as famílias em suas necessidades básicas, assim como também prejudica a economia. Por isso, é preciso entender que cuidar das nascentes e ter acesso à água a disposição, já é considerado um item de luxo no mundo de hoje e pode valer muito dinheiro, assim como sua ausência pode gerar gasto financeiro significativo. A falta de água em Garça, pode ser só questão de tempo. Só ver o exemplo de Bauru-SP em que o Rio Batalha já não consegue prover a água necessária para a população do município que frequentemente sofre com a sua escassez.
Assim como Bonito-MS virou referencia de turismo e preservação ambiental, é possível que Garça invista na preservação do meio ambiente e na recuperação de nascentes, pois o benefício será coletivo. É mais água disponível para a população da cidade e para os agricultores da área rural, é o fortalecimento do turismo rural, e com isso toda a atividade econômica do município também poderia se beneficiar. Atrativos naturais, cachoeiras e vales que guardam não só belezas incríveis, mas também podem virar um ativo financeiro relevante para todos. Inclusive para a arrecadação fiscal do próprio município.
A voz da experiência: Piramba e a observação do tempo
Leito de rio em Garça quase seco
Os integrantes do Piramba são testemunhas oculares da história recente do meio ambiente em Garça. Não se trata apenas de estudos técnicos ou alertas de especialistas. O Piramba, grupo que há mais de quinze anos percorre as cachoeiras e represas da zona rural de Garça, tem percebido de forma clara a redução do volume de água nesses locais. Quem visita os mesmos pontos ano após ano enxerga o problema a olho nu: quedas d’água que antes eram caudalosas agora se resumem a filetes; represas que já transbordaram hoje apresentam margens secas e fendas expostas. Essa vivência é a prova concreta de que a crise hídrica da região não é uma possibilidade futura, mas uma realidade presente.
O Córrego do Barreiro e o Aquífero Guarani
Grande parte dessas nascentes deságua no Córrego do Barreiro, que historicamente foi a principal fonte de captação de água para o consumo da população de Garça. Hoje, porém, o córrego encontra-se totalmente assoreado, resultado direto do desmatamento e da ausência de proteção de suas margens. Diante da degradação, o poder público precisou recorrer a uma solução emergencial: perfurar um poço profundo no Aquífero Guarani, uma das maiores reservas de água doce subterrânea do planeta, para evitar que a cidade ficasse sem água potável. E já existe a previsão de perfurar ao menos outros dois poços a mais de 200 metros de profundidade para tentar solucionar problemas de falta de água que já afeta a população garcense.
A necessidade de usar o aquífero é sintomático da atual situação hídrica do município, pois trata-se de ter que recorrer a última alternativa, a de procurar pelas águas subterrâneas profundas, já que a abundância de água superficial de outrora, hoje parece um passado distante e sem volta.
É uma medida que resolveu a urgência, mas que não ataca a raiz do problema. Pior: se as nascentes e córregos continuarem abandonados, dependeremos cada vez mais de soluções emergenciais e iremos consumir uma reserva que era para ser das gerações futuras, ao invés de preservar o que já tínhamos à disposição.
Ainda assim, é preciso reconhecer: em comparação com cidades vizinhas, Garça não sofre com falta de água para beber. Isso não é mérito da gestão, mas da condição privilegiada da região, que ainda resiste graças ao Aquífero Guarani. Contudo, transformar a abundância em escassez não é difícil e tudo pode ser apenas uma questão de tempo.
A gestão pública que fecha os olhos
Não importa se é poder público federal, estadual ou municipal, a realidade é que sempre existiu uma tolerância as infrações ambientais, é a famosa vista grossa, como se fosse um problema de menor importância. No entanto, tem consequências reais que afetam a vida das pessoas e trazem maior responsabilidade para os gestores públicos
É impossível tratar desse tema sem apontar a responsabilidade dos governantes. A canalização de nascentes, a ausência de políticas sérias de recuperação de matas ciliares e a permissividade com ocupações irregulares próximas a cursos d’água demonstram que o meio ambiente raramente entra como prioridade. Prefere-se investir em obras de impacto visual imediato a pensar em sustentabilidade.
A redução da água no Lago Artificial, o assoreamento do Córrego do Barreiro e a necessidade de recorrer ao Aquífero Guarani não são obras do acaso: são consequências diretas da gestão pública que em geral despreza a ciência, ignora o ciclo da água e deixa de proteger o que deveria ser mais sagrado.
Um alento: existe uma lei municipal que vai na direção correta
A lei nº 5.525/2023 instituiu o programa de recuperação de áreas degradadas e alteradas “Adote uma Nascente” para preservar e conservar as nascentes e matas ciliares que mantém suas características naturais. O Poder Público tem suas limitações também, pode muito, mas pode muito mais com a colaboração da sociedade civil organizada. A lei instituiu duas categorias de voluntários do Programa:
1) – bem como atividades de educação a adotantes: voluntários responsáveis pelas ações de preservação e recuperação da nascente; um adotante ou associação de voluntários para cada nascente ou olho d`água, que será o responsável pela manutenção da área promovendo ações de preservação, recuperação ou conservação ambiental.
2) – padrinhos ou madrinhas: voluntários responsáveis por colaborar com as ações de adoção, um ou mais padrinhos ou madrinhas, para o financiamento e apoio às ações de proteção e conservação de cada nascente ou olho d`água objeto do Programa.
Entretanto, o programa de recuperação de áreas degradadas e alteradas “Adote uma Nascente” deve ser estruturado e implementado pelo Conselho Gestor previsto na Lei. Até o momento, do que foi noticiado, houve um caso de adoção de nascente. Trata-se de área localizada no Jardim Paineiras, onde está localizado o Córrego do Barreiro.
A área foi adotada pelo SAAE e apadrinhada pela Faculdade de Engenharia Florestal – FAEF, onde foram plantadas 1.700 árvores. Nesse formato, o SAAE fica responsável pela manutenção das mudas e preservação da área, enquanto a FAEF fica responsável pela orientação técnica, projetos e fornecimento de mudas.
Entretanto, a iniciativa parece que não ganhou escala, além disso, não basta apenas cuidar da nascente, é preciso também cuidar do restante do curso d´àgua. Do que adianta uma nascente revitalizada que depois vira um córrego sem mata ciliar e que sofre assoreamento?
Necessário saber se o Conselho Gestor previsto em na Lei está exercendo as suas atribuições e se o programa está em funcionamento e logrando êxito, pois até o momento não há sinais de melhora na preservação das nascentes e córregos da região. A lei é louvável e pode ser até um alento, mas é preciso que vá muito além do papel e possa ser uma ferramenta efetiva para a transformação da realidade.
Muito além do Lago Artificial
Cachoeira quase seca
A situação do Lago Artificial é um alerta, mas não o único. Se nada for feito, outras nascentes seguirão o mesmo destino, o que compromete não apenas a paisagem, mas o futuro da cidade e da região. O problema não é apenas ambiental, mas também social e econômico: sem água, não há agricultura, não há saúde pública e não há qualidade de vida. São inúmeras as cenas na região de Garça de represas secando, córregos cada vez com menor volume de água e cachoeiras e seus poços cada vez com menos água. Realidade triste e cruel que pudemos acompanhar como uma série da TV, mas que não é nada legal de assistir.
O Dilema: aceitar a derrota ambiental ou tentar revitalizar a nascente?’
Diante do que se tornou o Lago Artificial de Garçae todo o seu entorno, de todo o investimento público realizado e uma vez que virou um local para eventos, lazer e turismo, não tem como reverter tudo e fazer voltar a área de várzea que existia ali. A expansão urbana foi cruel com este ecossistema local. Mas existem sim providências que podem ser adotadas para ajudar na revitalização e aumentar a umidade do lugar. Naturalmente é um local para abrigar e reter água, mas hoje respira por aparelhos nessa questão. O mesmo homem que causa a seca da nascente, pode sim adotar medidas para mitigar o prejuízo.
As mudanças Climáticas e outras ações antropogênicas que afetam o Lago Artificial
A ação humana de fazer o aterramento da nascente, de impermeabilizar boa parte do entorno em que havia vegetação, acabou por dar lugar a casas e outras edificações, fruto da pressão e especulação imobiliária.
Uma grande parte do que seria um ecossistema a ser preservado no coração da cidade, acabou sendo todo aterrado e transformado uma grande parte em um extenso gramado, um grande descampado, quase sem nenhuma árvore, que virou uma grande área de laser para famílias de várias formas. Jogar bola, soltar pipa, andar de bicicleta, entre outras atividades e recriações. Porém, na falta de árvores, o sol bate forte em um lugar em que antes era quase tudo água. A ausência de árvores no local, também colabora para que a nascente do lago tenha secado e ter que furar um poço para que o cartão-postal do município não vire mais uma história triste, entre outras tantas da nossa história de catástrofes ambientais.
Houve diminuição do regime de chuvas em Garça, o que fez com que o índice pluviométrico anual médio esteja em declínio. O município vem sofrendo com uma precipitação cada vez com menor volume de água e também as chuvas têm ficado menos frequentes na região. Trata-se de um problema bem mais abrangente, e que depende não só da ação de um governo local, regional ou nacional, mas sim de providências da governança global como um todo. Essa é uma luta da humanidade contra o tempo e até agora não temos sido bem-sucedidos nessa batalha.
Conclusão: responsabilidade coletiva
Todo cidadão garcense valoriza o Lago, pois realmente o lugar é uma joia do município, e hoje podemos estar em choque com o fato de a nascente do lago ter secado. Mas infelizmente, esta nascente é só uma entre outras centenas, senão milhares de nascentes que brotam em nossa região e que estão pedindo socorro. Uma andorinha só não faz o verão, assim como uma nascente só não nos assegura a segurança hídrica que o município necessita. O lago é sim o local mais conhecido de Garça, mas não é mais importante do que o córrego do barreiro que fornece a água para a sua população. Assim, como também não é mais relevante do que outras diversas nascentes que são de suma importância para o microclima local. Mas é preciso que cada área de competência faça sua parte na medida de suas atribuições.
Nem os gestores públicos, e nem a sociedade cível cuidaram ou cuidam hoje das nascentes como deveriam, é um descaso de décadas. Mas o poder público tem, sim, a obrigação de agir. A experiência mostra que esperar somente por ele não resolve. Cabe também à população se mexer, se conscientizar e cobrar mudanças, bem como adotar práticas de preservação no dia a dia, seja na direção de respeitar as áreas de nascente, evitar o desperdício de água, apoiar projetos ambientais ou denunciar irregularidades ambientais. A defesa da água não pode mais ser vista como tarefa de terceiros: é uma responsabilidade coletiva, e quanto mais cedo entendermos isso, maiores as chances de garantir um futuro em que Garça continue sendo sinônimo de fartura de água e não de escassez.
O imediatismo do homem cobra um preço no futuro, é preciso pensar hoje nas próximas gerações, estamos em uma luta contra o relógio nessa questão. É de suma importância ter consciência de que é preciso cuidar das nascentes hoje, pois amanhã poderá ser irreversível, ou então o gasto e trabalho necessário pode tornar a tarefa inviável. Para que a questão hídrica do município seja melhor no futuro, é indispensável que haja a colaboração da população com um uso da água de forma mais consciente, os proprietários rurais devem envidar esforços na recuperação e manutenção das matas ciliares e o mais importante, os gestores públicos devem ser atuantes na área do que lhe compete, que se dê o devido valor ao que realmente tem valor.
Por tudo isso, é preciso para ontem que cada cidadão ou gestor público comece a mudar de mentalidade e também hábitos e costumes, para que possamos todos nós adotarmos providências diferentes do que fizemos no passado. As escolhas de hoje precisam levar em conta não só o futuro, mas as ações e omissões do passado que já afetam o nosso hoje de forma impiedosa. Existe um ditado que diz que “o dinheiro não aceita desaforo”, mas é por que damos mais importância a ele. Entretanto, na realidade, é a natureza que não aceita desaforo, e quem paga boleto somos todos nós. Mas a esperança não pode morrer, nossa terra é gentil e generosa, se voltarmos a tratá-la bem, o que antes era cinza e seco, pode voltar a ser um lugar verdejante e úmido, assim como já foi um dia. Tudo dependente, infelizmente ou felizmente, da ação humana.
Autores: Vicente Aranha Conessa e Rudi Ribeiro Arena, fundadores do Piramba, entidade sem fins lucrativos e marca registrada que promove e divulga os patrimônios naturais, culturais e históricos da região de Garça-SP.
O PIRAMBA®️ é pessoa jurídica sem fins lucrativos e irá realizar o 4º Desafio Piramba JetFlex 2024 que é um evento totalmente beneficente e com objetivo de não só reunir ciclistas, mas também apreciadores de esporte e famílias em geral, para compartilharmos momentos únicos de um evento que não é apenas esportivo. É uma festa voltada para todos sem exceção, uma verdadeira confraternização, com apresentação de bandas formidáveis e as mais variadas opções na praça de alimentação.
O Piramba JetFlex 2024
A prova de bicicleta está em sua 4ª edição e já entrou na agenda de eventos do Município de Garça. O Piramba Jetflex 2024 promete agitar bastante o final de semana nos dias 14 e 15 de setembro/2024. A programação está sensacional e irá proporcionar entretenimento, diversão e cultura. Por outro lado, fomenta a economia local, incentiva a consciência ambiental e a solidariedade social.
Confira a seguir o que o PIRAMBA®️ preparou para o evento:
Dia 14/09(sábado) – Haverá um treino de trail run em um percurso 7km cuja saída ocorrerá no Lago JK Williams as 16h, será gratuito e organizado pela Equipe Caveiras, contará com frutas e hidratação, recomendado para quem quer ir apenas andar ou até mesmo fazer o percurso correndo. Também haverá a apresentação de bandas e praça de alimentação. O reconhecimento da pista (MTB) será no período da manhã.
Dia 15/09(domingo) – DESAFIO de MTB + entretenimento + premiações – acontecerá noLago JK Williams a partir da largada que se dará as 07:30h da manhã, o desafio acontece em uma pista preparada especialmente para o evento e para atender desde dos ciclistas menos experientes até os profissionais.
São incontáveis os objetivos que um evento dessa proporção pode trazer, certamente um deles é estimular os ciclistas da região, mas também a população em geral à prática de atividade física, seja como competição, treino, lazer ou mesmo para fins de mobilidade urbana.
Segurança:
Além de tudo isso, a organização do evento se preocupa com a segurança das pessoas, por isso os inscritos contarão com seguro acidente incluso e também haverá uma ambulância de prontidão.
Estrutura:
O cenário é o cartão postal de Garça, o Lago JK Williams e terá ampla estrutura para receber não apenas os atletas e os amantes do MTB, mas também a população em geral, inclusive é voltado para todas as famílias, e para isso contará com banheiros, bar, brinquedos infláveis, trenzinho e praça de alimentação com tendas de entidades filantrópicas locais.
Praça de Alimentação:
Serão várias as opções de alimentação que estarão à disposição de todos durante o Piramba Jetflex 2024, grande parte são das entidades beneficentes de Garça e cuja a arrecadação será destinada a ações filantrópicas.
Dia 14 de setembro, além de apresentação de bandas haverá reconhecimento da pista no horário das 09h até as 12h para quem quiser conhecer e acostumar-se com o trajeto antes do desafio.
O Circuito:
É sem dúvida um dos pontos altos do evento, a pista é muito elogiada pelos atletas que já participaram do evento em anos anteriores. O percurso tem tudo para agradar aos amantes do MTB e será disputado em um circuito técnico e desafiador de aproximadamente 7 km que passará por trilhas incríveis em meio a cafezais, represa e belas paisagens. Tem ainda trechos estreitos (single track), assim como boas descidas e subidas. E ainda, os participantes terão a raríssima experiência de pedalar dentro da mata do bosque municipal de Garça repleta de animais.
Categorias:
O Piramba Jetflex 2024 terá a prova de MTB (Mountain Bike) e contará com as categorias: Pro, Sport, PCD e E-Bike.
Local, Premiação E Kit Atleta:
O ponto de largada e chegada será o lago JK Williams em Garça-SP. O Piramba Jetflex 2024 premiará na prova de MTB, graças à colaboração de nossos bravos patrocinadores, uma total de 12 MIL REAIS EM DINHEIRO! E todos os inscritos receberão, uma medalha, um Kit Atleta e ainda por cima fará uma criança sorrir ajudar o Piramba Clube a realizar a sua campanha de Natal Solidário nas comunidades rurais da região de Garça/SP e região.
Selo Verde:
Importante destacar que é um evento que o Selo Verde Floresta Ecooar, isto indica que o evento realiza ações sustentáveis, faz a compensação da emissão de carbono e ajuda na preservação de florestas (Certificação nº 864-280).
Realização Piramba Clube®️
O PIRAMBA®️ é uma marca devidamente registrada, e uma entidade sem fins lucrativos. Toda a renda arrecadada com as inscrições será revertida em ações sociais e ambientais desenvolvidas no município de Garça-SP e região.
INFORMAÇÕES IMPORTANTES DO DESAFIO PIRAMBA JETFLEX :
DATA DO TREINO DE TRAIL RUN (CORRIDA) 14/09/2023
HORÁRIO:
7 km LARGADA as 16H
DATA DA REALIZAÇÃO DO DESAFIO DE MTB: 15/09/2023
HORÁRIOS:
CATEGORIA SPORT – 25 KM Horário da largada: 07:30hs
CATEGORIA PRÓ – 38 KM Largada: 9:30hs
Premiações e Troféus:
A Premiação da 4ª Edição do Piramba Jetflex 2024 de MTB
Categoria Pro: Os atletas com colocação entre 1º a 5º lugares, na categoria PRO, tanto do masculino e feminino serão premiados com troféus e têm o direito a uma bonificação de incentivo por objetivo atingido, conforme abaixo:
Masculino e Feminino.
1º R$ 2.000,00
2º R$ 1.000,00
3º R$ 600,00
4º R$ 500,00
5º R$ 400,00
Troféus do MTB: Os atletas classificados na 1ª a 5ª posições nas categorias daPRÓ, SPORT, PCD e E-Bike (pedal assistido) da prova serão premiados com troféus. Medalha:Todos os participantes receberão uma medalha exclusiva do evento.
Nascido em 1926 em uma família brasileira influente, Jorge Alves de Lima fez sua primeira viagem à África Equatorial Francesa aos 22 anos de idade, munido de uma máquina fotográfica Kodak Medalist e um rifle de dois canos Holland & Holland.
Durante grande parte dos 20 anos seguintes, Jorge percorreu o continente africano e estabeleceu grande reputação como caçador profissional e empresário, administrando companhias de safari em Angola e Moçambique, mais notavelmente sua Kirongozi Angola Safaris. Jorge também caçou onça-pintada na região do Pantanal, no Brasil.
Jorge faleceu em 4 de maio de 2024, no conforto de sua casa em São Paulo. Sua partida deixa um legado vivo composto por cinco filhos, nove netos, uma bisneta e a Fundação Kirongozi, sediada em sua fazenda em Álvaro de Carvalho, no interior de São Paulo.
Kirongozi, como Jorge Alves de Lima era conhecido na época em que atuava como caçador profissional, significa “mestre caçador” em kiswahili, idioma falado no leste da África. Esse apelido foi solidificado em 1957 com o documentário Kirongozi, Mestre Caçador, estrelado por Jorge.
Em 1960, Jorge fundou a Kirongozi Angola Safaris Limitada, sua companhia de safaris em Angola. Além da Kirongozi Angola, Jorge também era sócio em outras duas companhias de safari: Tanganika (com Stanley Lawrence-Brown) e Mozambique Safariland (com o barão Werner von Alvensleben e Mario de Abreu). Entre os clientes que caçaram nas companhias de safari de Jorge estão o Rei Juan Carlos da Espanha, o magnata grego Stavros Niarchos, o escritor Robert Ruark, o então produtor e diretor da Warner Bros. Na Europa, Óscar Brooks, o escritor e renomado caçador Tony Sanchez-Ariño, entre outros.
Hoje, Kirongozi dá nome à fazenda que Jorge considera seu “pedaço da África” no Brasil. Na Fazenda Kirongozi, localizada no interior de São Paulo, Jorge já teve leões, mas hoje o lugar conta com 5 tigres siberianos em jaulas espaçosas maiores que muitas casas e cada uma com direito a mini piscinas que demonstram que os felinos são muito bem cuidados.
Ele era formado em ciências políticas pela Universidade de Bradley, no final dos anos 40, e partiu para a África, sem as bênçãos do pai que tentou evitar que o filho seguisse o sonho de caçador profissional. Inicialmente, residiu em uma choupana por dois anos.
Sobreviveu por décadas na África em lugares distantes das facilidades comuns em cidades. Era uma época em que safaris poderiam demorar 30 dias ou até um ano. Hoje, dizia o caçador, as pessoas vivem muito compromissadas e, portanto, dispõem de menos tempo para si mesmas. Por isso, há expedições de caça com duração de apenas 10 dias.
Parte de suas histórias vividas ao ar livre, caçando, matando e se arriscando a ser morto, convivendo com povos, que na época usavam pouca vestimenta e até nenhuma, organizando safaris, está registrada em um livro ainda numa versão na língua inglesa. “Era uma África perigosa, com tribos selvagens, animais e doenças”, relembrava empolgado.
A tradução do livro foi um dos projetos que o caçador se envolveu. Formado em uma universidade norte-americana, ele tinha muitas alternativas. Escolheu um caminho menos convencional ao partir para a África com disposição para enfrentar o inimaginável. Ele conta que, bem no início, usou um rifle calibre 30.06 norte-americano numa região inóspita.
Matou elefantes para tirar as presas de marfim e vendê-las. Com uma personalidade complexa, o caçador frisa que a carne era doada para os nativos que jamais conseguiriam abater um gigante de seis toneladas e que só dispunham de lanças e flechas.
Rinocerontes, leões, elefantes, búfalos e leopardo mortos em suas aventuras integram uma coleção de fotos emolduradas e fixadas lado a lado num salão no casarão da fazenda Kirongozi. As imagens foram captadas por uma câmera Kodak modelo Medalist II, hoje exposta no canto do salão em um tripé. Ele viveu por cerca de 20 anos, a partir de 1948, na região compreendida na época como África Equatorial Francesa.
“Se eu pudesse voltava, mas agora está tudo civilizado. Abomino tudo que é tecnológico ”, falava o ex-caçador em uma de suas reflexões sobre os males que atingem as sociedades modernas. Lima fez questão de estampar na porta da caminhonete em que circulava na África a bandeira do Brasil. Ao todo, fundou três companhias de safaris.
A última, com base em Angola, deixou marcas negativas no caçador. Lima estava em viagem para captar clientes europeus e norte-americanos e, ao chegar a São Paulo, recebeu uma péssima notícia do governo português. Um telegrama anunciava que seu acampamento em Angola tinha sido atacado por guerrilheiros que, além de saquear o lugar, mataram de sete a oito funcionários. “Tive perdas materiais. Mas as perdas sentimentais foram enormes. Fiquei desgastado”, explica.
Depois desse lamentável episódio, o caçador tentou montar companhias na Índia para caçar tigres, porém o projeto não vingou. Daí se estabeleceu no Brasil, inicialmente no município de Eldorado. na região do Vale do Ribeira, e depois em Álvaro de Carvalho, onde passou a criar nelores, que lhe renderam vários prêmios no setor da pecuária. O conhecimento desenvolvido enquanto caçador na época da África foi reproduzido no paraíso natural com tigres e leões na região de Garça-SP no centro oeste paulista.
O Grande Kirongozi – Jorge Alves de Lima Filho, foi pioneiro da indústria de safaris em Moçambique e Angola, na década de 60 do século passado. O seu nome ficou perpetuado na memória das populações rurais das áreas onde atuou, dado o excelente relacionamento e apoio que lhes deu, quer dando-lhes a carne dos animais que abatia, quer assistindo-as com medicamentos e tratamentos de doenças. Sua obra literária (6 livros publicados) focada nas suas memórias é uma verdadeira dádiva para as gerações vindouras conhecerem a história da África desses tempos e uma lição para todos os amantes da caça de como um caçador pode ser, como ele foi, um grande conservador da vida bravia.
Entrevista com Ernesto Paglia
Na década de noventa houve um chamado na rede Globo para uma reportagem sobre um parque da África. O repórter Ernesto Paglia tinha feito uma reportagem sobre o parque Tsavo de animais no Quênia e também entrevistou o nosso famoso Jorge Alves, por ter sido caçador africano mundialmente famoso.
Essa gravação mostra um homem alto forte calvo, com marcante entonação de voz, de finíssima educação, mostrando aqueles troféus de patas de elefantes, chifres de rinocerontes.
Um caçador profissional como este brasileiro que caçou mais de 20 anos na África acha que se a matança indiscriminada continuar a vida selvagem africana estará condenada a desaparecer.
Jorge Alves de Lima Jr havia saído da África há muito tempo, e depois passou a viver da lembrança dos grandes safáris que comandou. O caçador não se achava culpado pela destruição da fauna africana e garantia que profissionais como ele ajudaram a preservar os animais selvagens.
Na sala de troféus do Sr. Jorge, Ernesto observa presas de elefantes, patas e chifres de rinoceronte, um pé de elefante que na época foi um recorde mundial. Diz Jorge que de todos os elefantes que abateu na África um que merece menção, embora não tivesse grandes presas era enorme e pesava cerca de sete toneladas, um elefante desses com a tromba erguida conseguia apanhar um galho a 7 metros de altura.
Ernesto:- – O Sr. caçava por quê?
Jorge:- – Caçava porque era um profissional, vivi minha vida toda na África. Primeiro pratiquei a caça profissional ao marfim e quando se restringiu o numero que podia se abater, então passei a fazer a caça de turismo cinegético, como” White Hunter”, aonde participavam clientes do Brasil, da Europa e Estados Unidos , eu ganhava como empreendedor desses safáris.
O safári Kirongozi ficou famoso virou segundo nome de Jorge Alves de Lima, Kirongozi guiou centenas de caçadores do mundo todo como o milionário texano Bill Necley que mandou fazer um arco recurvo especial de alta potencia para provar que poderia matar um elefante com uma flechada. Com ajuda de Kirongozi comprovou a tese mostrada num filme. Apesar de kirongozi ter ajudado a matar inúmeros animais como este, ele acha que a verdadeira ameaça é a matança clandestina feita hoje na África.
Jorge:- –Eu como guia de caça, nunca permiti que nenhum caçador abatesse fêmea de qualquer espécie de animal e que não fosse um animal absolutamente adulto.
Ernesto:- –Como é que o Sr. define hoje o que faz um destes caçadores ilegais que dizimam animais como elefantes, rinocerontes,etc. onde é proibida a caça como no Quênia?
Jorge:- –O que ocorre hoje em dia na África é que os” poachers” caçadores clandestinos, eles não matam dizimam, usam até bazuca e metralhadoras e pegam esses animais que estão geralmente nos santuários, nos parques, são animais que estão acostumados com o contato humano, sendo assim uma presa fácil. A única maneira de se preservar a fauna seja da África da Índia, Tailândia ou mesmo no Brasil é que precisamos conscientizar a sua preservação, senão no futuro serão figuras de revistas.
Ernesto:- –Qual a memória, a lembrança, o registro que ficou desses 20 anos que passou na África?
Jorge:- –Meu coração ficou na África, se meus filhos cumprirem quando morrer quero que minhas cinzas sejam jogadas na África, não que seja mal brasileiro, mas sou mais africano que brasileiro, passei a parte mais importante da vida que é a mocidade e a vida adulta na África.
Documentário no Youtube sobre o lendário caçador JORGE ALVES DE LIMA e suas aventuras na África:
Existe um ótimo documentário no youtube que bene direito na fonte do lendário caçador e que é imperdível. Assim, podemos conhecer um pouco melhor da história desse caçador pioneiro na África, mas também com experiência no continente asiático, momentos únicos que se passaram entre os anos de 1950 a 1969:
Frases:
“É embaixo da janela do meu quarto e à noite os leões urram. Até estremece um pouco as janelas porque o volume é uma coisa. É a melhor música do mundo. Nem Beethoven, nem Roberto Carlos e nem Frank Sinatra”
“Já tive tigres e leões dentro de casa, bem criados, já com 100 kg passeando aqui. Não tinha problema nenhum, mas claro que os animais, assim como os seres humanos, são imprevisíveis. Qualquer hora você pode ter uma surpresa”, conta o criador, que já viveu no habitat natural dessas feras.
COMPANHIA PRODUTORA: Alves de Lima e Junqueira Ltda.; Atlas Filme
Tipo de filme: longa-metragem
Idioma: Português
Cor: Colorido
No Quênia, Tanganica e outros territórios, tornou-se célebre um caçador brasileiro domiciliado há vários anos na África Oriental Britânica, Jorge de Alves Lima. Este nome, aliás, não significa nada para os nativos que só conhecem nosso patrício pelo apelido que lhe deram de “Kirongozi” o que significa “mestre caçador”.
O documentário retrata a vida do caçador profissional Jorge Alves de Lima, que exercia sua ocupação na África. O filme foi rodado em 1957, em uma época onde a caça ainda não era tão mal vista como no século 21. Infelizmente, não sabe ao certo se restaram registros do filme para poder hoje assistir a obra. O que se diz é que este filme foi vendido por uma boa soma de dólares para os EUA e sumiu do mercado, nem mesmo cópias podemos encontrar, só ficou um cartaz do filme que é possível ver na internet. (http://media.bcc.org.br/imagem/cartaz/jpg/CN_0067.jpg)
No Encalço de Novos Horizontes (2017) 438 páginas – Impresso no Brasil
Em seu livro mais recente, Jorge Alves de Lima relata suas andanças e caçadas por Tanganica, Índia e Pantanal, em tempos em que as viagens destinadas à caça eram planejadas com grande antecipação e duravam entre 60 e 120 dias, ou até mais. Por fim, o autor conta um pouco mais de sua vida na Fazenda Kirongozi, no interior de São Paulo, onde mantém tigres e leões. No Encalço de Novos Horizontes inclui contribuições de Brian Herne, Anton Allen, Derrick Dunn e Richard Dupont.
Visões da África – Angola e Moçambique (2015) 612 páginas – Impresso no Brasil
Neste livro, dividido em dois volumes –um dedicado a Moçambique e o outro a Angola–, Jorge Alves de Lima relembra suas aventuras pelos solos africanos e alguns dos safaris mais emocionantes na companhia de seus clientes.
Kirongozi, como Alves de Lima fez fama em seus tempos de caçador, conta a história da implantação das coutadas de caça, relata seus encontros noturnos com alguns dos animais selvagens mais perigosos do mundo e fala sobre os primeiros boatos sobre os leões comedores de gente.
O autor faz ainda uma homenagem a importantes figuras da vida selvagem moçambicana e conta com a contribuição de histórias escritas por outros caçadores de renome, como Hugo Seia, Tony Sanchez-Ariño e Richard Mason.
A coleção Visões da África tem um total de 612 páginas e 602 fotos. Os volumes não são vendidos separadamente.
O Chamado da África (2014) 225 páginas – Impresso no Brasil
Após três dias voando de DC-3, o autor deste livro chegou às ruas empoeiradas de Fort Archambault, hoje Sarh, no Chade. Nos 21 anos seguintes, ele viveria da caça, e exclusivamente dela, no continente africano. Em Fort Archambault, fez bicos para um comerciante português, conheceu alguns white hunters e, mais importante, aprendeu o sango – a língua franca da região. Chegou a caminhar 1.200 quilômetros em busca de elefantes, varejando as florestas e savanas de Bogangolo e Bossangoa, ao sul.
O Chamado da África é um livro que não pode ser lido fora de seu contexto histórico: a África Equatorial durante os anos de 1940 e 1950 vista pelos olhos de um caçador profissional. Uma obra que, sem fazer a menor concessão ao politicamente correto, a exemplo de seu autor, expressa caráter e opiniões fortes.
Nesta fascinante coleção de histórias de caça, Alves de Lima descreve em detalhes suas inúmeras viagens pelo coração da África e pelo Brasil em busca dos animais mais bonitos – e perigosos – do planeta.
Diante dos perigos da vida selvagem, além de conflitos locais e situações envolvendo política internacional, a vida de caçador foi sempre um desafio – que Alves de Lima sempre esteve disposto a encarar. Ilustrado com centenas de fotografias deslumbrantes e com histórias exclusivas contadas por seus amigos caçadores, entre eles Bill Negley, Hugo Seia, Tony Sanchez-Ariño, Óscar Aníbal Piçarra de Castro Cardoso, Alberto de Castilho, Rubens Ribeiro Marx Junior e Richard Mason, este livro leva o leitor ao seu próprio safari, que inclui todos os desafios e glórias da caça. É uma interessante jornada de uma vida bem-vivida e cheia de ousadia: a vida de um verdadeiro aventureiro.
Chasing the Horizon: Hunting in East Africa and India (2010) – Trophy Room Books 278 páginas – Impresso nos Estados Unidos Disponível apenas em inglês
Na década de 1950, em Tanganica, Jorge Alves de Lima destacou-se como um caçador incomparável, conhecido por sua dedicação à caça. Chegando à África em 1948, passou uma década caçando, principalmente em busca de marfim. Com as mudanças políticas na década de 50, adotou um estilo de vida mais estruturado, envolvendo-se em safaris organizados.
Ao longo de sua carreira até quase 1970, Jorge liderou expedições de caça em Tanganica, Quênia, Moçambique e Angola. Sua empresa, Kirongozi Safari, ganhou renome internacional na comunidade de caçadores. Mesmo tendo explorado toda a África, considerava Tanganica como o “paraíso dos caçadores”, um refúgio remoto para espíritos aventureiros. Na época, perseguir leões, búfalos ou elefantes era uma experiência ousada, conduzida sem recursos modernos como telefone, GPS ou asfalto.
In the Company of Adventure 2006 – Trophy Room Books 335 páginas – Impresso nos Estados Unidos Disponível apenas em inglês
Em 1948, ele se casou com a África e nunca mais olhou para trás.
Nascido em uma família abastada, quase aristocrática, Jorge Alves de Lima poderia ter sido, ou tido, qualquer coisa que ele queria. Então, em 1948, depois de se formar na faculdade, ele partiu para a África, especificamente à vasta extensão que era a então África Equatorial Francesa. Durante os vinte anos seguintes ele viajaria a não menos de oito países como caçador, um caçador profissional, um caçador de marfim, um explorador, o fundador de não uma, mas duas companhias de safaris em dois países diferentes, e, acima de tudo, como um aventureiro.
Amsterdam é capital da Holanda um dos países em que mais se pedala no mundo. Com uma ótima infraestrutura para as bikes, estima-se que mais de 80% da população utilize a bicicleta como meio de transporte diário. Somente em Amsterdam há em torno de 900 mil bicicletas e um sistema de ciclovias com mais de 15 quilômetros.
Porém, pedalar por aqui não é tem fácil quanto parece. Isso porque os holandeses pedalam muito rápido e é preciso estar sempre atento para não acontecer nenhum acidente.
Além disso, é necessário se acostumar com os sinais de trânsito nos cruzamentos entre os canais e tomar cuidado principalmente com os “trams”- espécie de bondes elétricos que circulam muito frequentemente nas ruas.
É muito importante também sinalizar as mudanças de direção com os braços como comumente fazemos ao dirigir e utilizar as setas. Você percebe que os residentes levam essa recomendação a risca em Amsterdam.
O que se vê também são muitas bikes cargueiras, inclusive, é muito comum observar os pais carregando seus filhos para a escola por exemplo. Os correios da Holanda também utilizam frequentemente as bikes cargueiras mas, em sua maioria são bikes elétricas.
As bikes em sua maioria são de cidade e estão em grande número em todos os lugares. Na cidade há muitos locais específicos para “estacionar” as bicicletas e estão quase sempre abarrotados.
Pudemos visitar Amsterdam nesse mês de março e tivemos a grata experiência de pedalar por lá. As bicicletas que utilizamos eram feitas aço carbono (muito pesada) e com sistema de 3 marchas internas Shimano Nexus no cubo da roda traseira.
Como alugar uma bicicleta em Amsterdam?
Se você vai visitar Amsterdam e deseja pedalar por lá, existem várias formas de conseguir uma bicicleta.
Primeiramente, estarão espalhadas pela cidade diversas bicicletas de aluguel de propriedade da empresa Uber, que são chamadas de Lime. Elas não possuem uma estação própria como as bicicletas do Santander. Basta baixar o app da Uber-Lime e ler o QR Code presente na bicicleta, depois disso, o próprio sistema libera o cadeado e você pode pedalar tranquilamente. O valor de 1 hora gira em torno de 7 euros.
Outra forma é alugar a bicicleta diretamente no hotel que você estiver hospedado. Foi o que fizemos. O valor gira em torno de 8 a 15 euros dependendo do número de dias utilizados. Elas já possuem um cadeado embutido junto ao quadro que é algo primordial haja vista a grande quantidade de furtos de bikes na cidade.
Onde pedalar em Amsterdam?
Você pode pedalar pelo grande sistema de ciclovias que liga toda a cidade. É uma experiência muito bonita porque Amsterdam tem locais de beleza impar com as construções antigas e seus famosos canais.
Outra opção é pedalar nos parques da cidade. Recomendamos o Volderpark que é um parque muito bonito que é próximo ao Museu Van Gogh sendo possível contemplar as tulipas e os diversos animais como patos e outras aves.
Seja como for, não deixe de experimentar o pedal em Amsterdam. Vale muito a pena e dá até uma certa inveja de como o uso da bicicleta é estimulado com toda segurança e infraestrutura. Oxalá que esse exemplo seja seguido no Brasil!
O Piramba Clube, renomada instituição dedicada à promoção do turismo sustentável e cultural em Garça, anuncia uma significativa troca em sua diretoria. Fundado em 2011 como um grupo de amigos apaixonados por ciclismo e pela natureza local, o Piramba ganhou destaque ao longo dos anos por suas iniciativas voltadas para o desenvolvimento do ecoturismo na região.
Em 2021 o clube se formalizou como uma entidade sem fins lucrativos, consolidando seu compromisso com a comunidade e o meio-ambiente. Desde então, tem realizado uma série de atividades, destacando-se o Desafio Piramba Jetflex, evento que combina provas de ciclismo e corrida com ações solidárias e atrações musicais, além de outras iniciativas em prol da cidade e de seus habitantes.
Com 24 associados, o Piramba Clube desfrutou da liderança de Vicente Aranha Conessa, que ocupou a presidência por dois mandatos consecutivos. No entanto, por motivos profissionais relacionados às próximas eleições municipais, Conessa optou por se afastar do cargo, passando a responsabilidade para o vice-presidente, Rudi Ribeiro Arena.
Em suas palavras, Conessa expressou gratidão e orgulho por seu tempo à frente do Piramba: “Foi uma honra imensa poder estar à frente do Piramba por quase quatro anos desde sua fundação.
Pudemos fazer coisas que jamais imaginaríamos, desde ações solidárias como a distribuição de brinquedos para as crianças da zona rural de Garça, até a realização de eventos marcantes, como as três edições do Desafio Piramba Jetflex. É com sentimento de dever cumprido que me afasto dessa função e passo o bastão ao vice-presidente Rudi.”
Para Conessa, sai principal motivação à frente do grupo é o amor por Garça e desejo de divulgar as belezas naturais da cidade, principalmente o grande número de cachoeiras e o imenso potencial para o ecoturismo. “Temos um grupo de pessoas muito capacitadas e acredito que o Rudi vai dar continuidade com muita competência”, sustentou.
Por sua vez, Rudi Ribeiro Arena, bacharel em direito pela PUC Campinas, servidor público federal e um dos fundadores do Piramba, expressou sua determinação em dar continuidade ao trabalho realizado até então: “Será uma grande responsabilidade dar prosseguimento ao primoroso trabalho que o Vicente tem desenvolvido com muita dedicação e sucesso até o presente momento”, falou o novo presidente.
“A expectativa para esse ano que marca o final do segundo mandato da atual direção é dar continuidade a todas as ações que o Piramba tem feito nos últimos anos: o Piramba Kids, o Piramba Jetflex e a Campanha de Natal Solidário. Tudo isso só é possível com a ajuda voluntária e indispensável dos nossos associados. Mas temos também a consciência deque podemos ir além, e quem sabe, podemos desenvolver outras iniciativas em consonância com os valores e objetivos do Piramba. A intenção é continuar a divulgar os atrativos naturais de Garça, além de incentivar a solidariedade, o esporte e a cultura, sem deixar de lado a sustentabilidade ambiental”, acrescentou o novo líder do grupo.
Para Conessa, a transição na diretoria do Piramba Clube representa não apenas uma mudança de liderança, mas também a continuidade de um compromisso firme com o desenvolvimento sustentável, a solidariedade, o esporte e a cultura em Garça.
Como um bom pirambeiro e amante das cachoeiras um dos sentimentos mais gostoso que existe é o de sair para fazer trilha de bike e se deparar com uma cachoeira em Garça-SP desconhecida. Mas essa sensação é cada vez mais rara já que percorremos dezenas de cachoeiras e conhecer uma nova vai ficando cada vez mais difícil.
Agora imagina conhecer uma bela e nova cachoeira meio que sem querer, por acaso, pois na realidade o objetivo era chegar na Cachoeira São Matheus em Jafa. Só que o acesso estava difícil, resolvemos tentar chegar até o rio acima da cachoeira e descer o corpo d´água até chegar nela.
Só que o destino não queria que atingíssemos o objetivo planejado naquele dia, e realmente não chegamos até a Cachoeira São Mathues. Mas por outro lado demos de cara uma uma cachoeira que desconhecíamos totalmente e que nunca ouvimos falar dela. O acaso nos premiou com mais uma cachoeira e ainda com um poço muito bom para banho. É incrível a capacidade dessa região do centro oeste paulista de nos surpreender com suas belezas naturais inexploradas.
O jeito então foi se banhar no poço e curtir esse lugar que é centenário por natureza, mas que para nós era novo. Foi realmente muito bom conhecer uma nova cachoeira quase sem querer. Ah, o quase só faz sentido porque a gente assumiu o risco de achar uma cachoeira pelo caminho sempre quando exploramos os rios de Garça e região. E quando a gente encontra uma cachoeira que é desconhecida e não tem um nome ainda, é preciso batizá-la e ali mesmo nas águas da Cachoeira Quase Sem Querer que foi sacramentado o seu batismo.
Essa Aranha Tecedeira foi encontrada no meio da trilha e sua aparência peculiar chamou a atenção.
É muito comum a gente se deparar com aranhas no meio das trilhas de bike ou no caminho das cachoeiras. Já vimos aranhas das mais variadas espécies, caranguejeira, armadeira, entre muitas outras. Porém, foi a primeira vez que vimos e registramos essa aranha cuja espécie não conseguimos identificar naquele momento, mas a sua aparência exótica chamou muita a atenção.
O corpo da aranha tinha uma linda cor dourada e com aparência de um emoji de um rosto. Ou seria mais semelhante a uma bolacha maria ou então a uma vestia a máscara do Jason, protagonista dos filmes de terror Sexta Feira 13. De qualquer maneira, é preciso reconhecer que trata-se de uma aranha bem diferentona.
Tecedeira-de-cruz-cosmopolita (Araneus)
Outros Nomes Comuns: aranha-de-cruz, aranha-dos-jardins, aranha-diadema, epeira-dos-jardins, epeira-de-cruz
Após pesquisas, foi possível identificar a espécie, deve ser uma aranha tecedeira da família Araneidae, a Araneus sp. (Araneinae). Como uma boa tecedeira, não se dá muito bem dentro de casa e se alimenta de tudo o que se mover e for capturado em sua teia.
Apesar do seu tamanho, é geralmente uma aranha pacífica e algo tolerante, fugindo para o esconderijo quando perturbada, no entanto, por vezes, pode tomar uma atitude defensiva e picar se se sentir muito incomodada. O veneno desta espécie parece muito eficiente em alguns insetos e muito pouco em outros. No Homem, provoca alguma dor local sem qualquer efeito secundário ou marcas e por isso, é considerada uma espécie inofensiva.
De todos os eventos Piramba Jetflex, o de 2023 foi o que teve de longe o maior número de inscritos tanto na prova da corrida (trail run) como na prova de bike (MTB). Também foi muito boa a participação do público em geral, muitas famílias estiveram no evento tanto para saborear as delícias da praça de alimentação, como para curtir as apresentações musicais que foram incríveis.
A 3º edição do Piramba Jetflex atingiu todos os objetivos, e o Piramba agradece muito aos patrocinadores que tornaram possível a sua realização. Também é preciso agradecer a todos os atletas que participaram das provas e que foram essenciais para que essa grande festa do esporte de nossa região fosse um sucesso.
Não podemos esquecer do belo trabalho das bandas musicais que trouxeram um pouco de cultura e diversão ao evento. Também é sempre muito importante lembrar o comprometimento dos bravos voluntários das entidades beneficentes de Garça, pois eles trabalharam incansavelmente e arrecadaram recursos para as nobres atividades desenvolvidas que ajudam milhares de pessoas em nosso Município.
Também gostaríamos parabenizar a todos os atletas que deram o sangue para subir ao podium e que levaram com muito merecimento as premiações mais cobiçadas do Piramba Jetflex 2023.
Entre vários momentos marcantes do evento, destaca-se a disputa emocionante até o último segundo da prova de MTB PRO Masculino, foi de tirar o fôlego e vai ficar para a história.
🏆✨ Celebrando Nossas Vencedoras! ✨🏆 🥇 1º Lugar: Eliana Pinheiro 🥈 2º Lugar: Luiza Cocuzzi 🥉 3º Lugar: Daniele Fabre Ferreira de Lima 🥉 4º Lugar: Viviam Maria Geraldo Putinati 🥉 5º Lugar: Eliana Correia dos Santos Jaloto
🏆✨ Celebrando Nossos Vencedores! ✨🏆 🥇 1º Lugar: Arthur Fílip da Silva Ferreira 🥈 2º Lugar: Samuel Dantas de Souza 🥉 3º Lugar: Caio Diniz Galletti 🥉 4º Lugar: Hugo Martins de Mendonça 🥉 5º Lugar: Juliano Cocuzzi
🏆✨ Celebrando Nossas Vencedoras! ✨🏆 🥇 1º Lugar: PAULA CAMPAGNA 🥈 2º Lugar: DEBORA F SANTANA 🥉 3º Lugar: CLAUDIA ELAINE RAMOS 🥉 4º Lugar: THAIS DOMINGUES DE FREITAS 🥉 5º Lugar: KELLY CRISTINA MAIO DE SOUZA
🏆✨ Celebrando Nossos Vencedores! ✨🏆 🥇 1º Lugar: MATHEUS HENRIQUE CORREIA DOS SANTOS 🥈 2º Lugar: WILTON DIAS RODRIGUES 🥉 3º Lugar: STEVE MAICON SEGOVIA CORREA 🥉 4º Lugar: MARCOS FELIPE DOS SANTOS TOBIAS 🥉 5º Lugar: FELIPE CARVALHO FERREIRA
Galera, as inscrições pelo site já estão encerradas, mas estamos efetuando inscrições extras para ambas modalidades, Trail Run e MTB. 🏃♀️🚵🏅🏆
Essas inscrições serão exclusivamente por PIX diretamente para o CNPJ do Piramba. Lembre-se que os números são limitados pois reservamos poucas placas extras.
SE INTERESSOU? Entre no grupo do WhatsApp para receber as instruções e vamos juntos👊🏻🤟🏻🙌🏼💪🏼
Para concluir a sua inscrição, favor enviar para o ADM do grupo as seguintes informações:
1 👉🏻 NOME COMPLETO 2 👉🏻 GENERO 3 👉🏻 DATA DE NASCIMENTO 4 👉🏻 CPF 5 👉🏻 CELULAR 6 👉🏻 MODALIDADE TRAIL RUN ou MTB 7 👉🏻 CATEGORIA TRAIL RUN: 5 KM ou 10 KM MTB: PRO ou SPORT 8 👉🏻 EQUIPE (Se tiver) 9 👉🏻 CIDADE 10👉🏻 COMPROVANTE DE PIX VALOR: R$ 55,90 CHAVE CNPJ: 43312157000165
O atleta deve estar de acordo com os termos do regulamento da competição, que podem ser consultados abaixo.
O evento que vem se tornando tradicional na região em sua terceira edição acontece nos dias 16 e 17 de setembro de 2023 e promete repetir as doses de adrenalina com as provas de MTB e Trail Running, mas, também com o rapel suspenso do Piramba Vertical. Além de atrações musicais que serão divulgadas em breve e ampla praça de alimentação tocadas pelas entidades assistenciais de Garça.
O Desafio Piramba Jetflex é um evento que transborda o esporte e têm objetivo de caráter primordialmente filantrópico pois, conjuga responsabilidade social (Campanha do Natal Solidário), ambiental (Plantio de árvores e compensação de carbono), cultural (Apresentação das bandas) e turístico (Visitação de atletas e turistas).
A terceira edição do tradicional evento do Piramba será realizado nos dias 16 e 17 de setembro, nos mesmos moldes dos anos anteriores. Duas modalidades: Trail Run e Mountain Bike.
Ampla praça de alimentação com atrações musicais, além de expositores e principalmente Rapel Suspenso com o Piramba Vertical.
Evento filantrópico com o objetivo de custear a Campanha de Natal Solidário na Zona Rural da região.
Recentemente a imprensa divulgou a morte de um casal de Campinas devido a febre maculosa. Eles frequentaram uma fazenda naquela região e, infelizmente vieram a óbito devido a vários fatores, mas, principalmente ao diagnóstico tardio da doença.
Nós pirambeiros e amantes da natureza, sempre estamos em contato com locais de matas e estamos sujeitos a essa ameaça.
Por isso, é importante saber: Quais cuidados devemos ter para evitar a febre maculosa?
Aqui no blog já falamos sobre o carrapato estrela (leia aqui). Esse inseto é o hospedeiro da bactéria Rickttesia Rickttsi que causa a febre maculosa.
Não necessariamente todos os carrapatos carregam essa bactéria, ele tem que estar contaminado com ela e a Capivara é um hospedeiro “ideal” para sua propagação.
No caso, não existe vacina para a febre maculosa então, o cuidado que devemos ter é sempre verificar após a trilha se há algum carrapato grudado no corpo e fazer a retirada (o mais rápido possível) com cuidado para que nenhuma parte permaneça encravada.
Muitos recomendam que a pessoa que vai a uma trilha utilize camisas de mangas longas e calça cobrindo a maior parte do corpo. Porém, no casos dos ciclistas que fazem trilha isso se torna inviável. Portanto, o que se recomenda é a utilização de um repelente mais forte como o Exposis Extreme(que também é indicado para proteção contra Febre Amarela e Dengue)
Muito importante nos casos de febre maculosa é o diagnóstico precoce da doença já que ela possui sintomas muito parecidos com a dengue, gripe, zika e etc.
Então se você frequentou áreas de mata e tem febre alta não descarte a febre maculosa, já que, tratada com antibiótico nos sintomas iniciais dificilmente evolui para óbito.
Nos casos recentes em Campinas o tempo para o diagnóstico custou a vida dessas pessoas, já que o resultado do exame foi confirmado apenas após a morte.
Garça no Mapa da Febre Maculosa.
A cidade de Garça infelizmente está no Mapa das regiões criticas para a transmissão da febre maculosa.
A convite da organização do Moto Rock 2023 realizamos mais um Circuito Piramba Kids no Lago Artificial JK Willians!
Essa é uma das ações do Piramba que mais nos dá satisfação pela alegria demonstrada pelas crianças. Participaram mais de 200 crianças e todas puderam pedalar, curtir e, ao final ainda ganhar uma bela medalha de participação.
A ideia é fazermos mais ações assim durante o ano de 2023 e incentivar cada vez mais as crianças na prática de atividades físicas e, principalmente no ciclismo.
Dias 15 e 16 de abril no Lago Artificial JK Willians durante o Moto Rock Festival 2023.
Haverá dois circuitos distintos, sendo um para crianças de 1 a 6 anos e outro para crianças de 6 a 12 anos.
Os participantes ainda ganharão uma linda medalha do Piramba!
As inscrições serão realizadas durante o evento e são totalmente gratuitas (bastando apenas o preenchimento do termo de responsabilidade assinado pelos pais ou responsáveis).
Essa foi a primeira e única vez que o PirambaCopter entrou em ação na Cachoeira das Araras em Garça-SP. As imagens captadas mostram o lindo cânion que fica relativamente próximo do bairro rural Adrianita, e também a grande queda da Cachoeira das Araras com suas águas límpidas. Este é mais um lugar mágico e pouco conhecido dessa região, e que possui encantos mil e paisagens deslumbrantes tanto por cima como por baixo da queda d´água.